Categoria: Agro

  • Preço da laranja cai em novembro com menor demanda externa e maior oferta no mercado interno


    Preço da laranja cai em novembro com desaceleração nas exportações e aumento da oferta interna

    O preço da laranja pago pelas indústrias no mercado brasileiro registrou queda no início de novembro de 2025, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em Piracicaba (SP). A redução reflete o aumento da oferta de fruta para processamento e a desaceleração das exportações de suco de laranja, que têm enfrentado menor demanda internacional.

    de acordo com o Cepea, a caixa de 40,8 quilos de laranja, que vinha sendo negociada em torno de R$ 50, passou a ser vendida por cerca de R$ 45 na árvore na primeira semana do mês. Essa queda representa um recuo médio de 10% em relação a outubro, marcando o primeiro declínio expressivo da safra 2024/25.

    A pressão sobre o preço da laranja vem principalmente da demanda externa mais fraca, somada à maior disponibilidade de fruta nas regiões produtoras do interior paulista, especialmente nas áreas de Limeira, Bebedouro e Avaré — polos da citricultura nacional.


    Demanda internacional enfraquece e reduz o preço da laranja

    Entre julho e outubro de 2025, as exportações brasileiras de suco de laranja somaram 283,2 mil toneladas em equivalente concentrado, uma redução de 7,1% em relação ao mesmo período da safra anterior.

    A receita com os embarques também apresentou retração de cerca de 15%, somando US$ 751,3 milhões, de acordo com dados da Comex Stat. O enfraquecimento do mercado internacional é atribuído ao aumento da oferta global, principalmente nos Estados Unidos e Europa, e ao comportamento mais cauteloso dos importadores, que têm evitado formar estoques elevados diante da desaceleração econômica.

    O resultado é uma combinação que pressiona a cadeia produtiva e reduz o preço da laranja no mercado interno, mesmo com custos de produção ainda elevados.


    Exportações mantêm receita alta, mas volume cai

    Apesar da queda nos embarques, a safra 2024/25 foi marcada por receita recorde nas exportações de suco de laranja, com US$ 3,48 bilhões em faturamento — crescimento de 28,4% em relação à safra anterior.

    Essa performance foi sustentada pela oferta restrita de suco brasileiro, que manteve os preços externos em patamares elevados. Entretanto, o cenário começou a mudar neste fim de ano com a normalização da produção global, levando à queda nos preços internacionais e, consequentemente, no preço da laranja pago pela indústria.

    Os Estados Unidos e a União Europeia seguem como principais compradores, com participação equilibrada de 48% cada um nas exportações brasileiras. No entanto, as vendas para a Europa caíram 8%, impactadas por uma redução no consumo e problemas de qualidade observados na safra anterior. Já o mercado norte-americano avançou 13%, mesmo com tarifas residuais de 10%.


    Impactos das tarifas e do “tarifaço” americano

    O setor citrícola também enfrenta os efeitos do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Embora o suco de laranja tenha sido isento da sobretaxa de 40%, seus subprodutos — como óleos e farelos — continuam sendo taxados em até 50%.

    Segundo o Cepea, essa distinção tarifária prejudica a competitividade dos derivados do suco brasileiro, reduzindo a margem de lucro e restringindo a diversificação de exportações.

    Atualmente, o suco segue sujeito à tarifa de 10%, acrescida de uma taxa fixa de US$ 415 por tonelada, o que reforça a necessidade de novos acordos bilaterais para manter o setor competitivo.

    O Cepea ressalta que o setor exportador de laranja vive um momento de transição, em que estratégia e inovação serão essenciais para enfrentar os desafios de margens estreitas e da concorrência internacional.


    Aumento da oferta interna pressiona o mercado

    além da desaceleração das exportações, o aumento da oferta interna de laranja também tem contribuído para a queda dos preços pagos pela indústria.

    Com o início da nova safra e condições climáticas favoráveis em São Paulo, o volume de fruta disponível para processamento cresceu. Muitas indústrias estão com capacidade de esmagamento próxima ao limite, o que amplia o estoque de suco e reduz a urgência de novas compras.

    Esse cenário cria um excesso momentâneo de oferta, fazendo com que o preço da laranja caia no campo. A expectativa dos analistas é que o movimento persista até o fim do mês, quando o mercado tende a se ajustar à demanda industrial.


    EUA e Europa: os principais destinos do suco brasileiro

    O Brasil é o maior exportador mundial de suco de laranja, respondendo por cerca de 70% do comércio global. Historicamente, os Estados Unidos e a União Europeia são os principais compradores.

    Pela primeira vez em vários anos, o volume exportado para os dois blocos ficou igualado, com 48% de participação cada um. Esse equilíbrio reflete tanto a dependência norte-americana do suco brasileiro, quanto o enfraquecimento da demanda europeia, resultado dos altos preços de 2024 e das incertezas econômicas regionais.

    Mesmo assim, o Brasil mantém vantagem competitiva, sustentada pela eficiência logística, pela capacidade industrial e pela qualidade do produto.


    Greening e calor extremo agravam os desafios

    Apesar do avanço na produção, o setor citrícola continua enfrentando ameaças estruturais, entre elas o greening, doença bacteriana que afeta a saúde das plantas e reduz o potencial produtivo.

    O greening é transmitido por um inseto vetor, o psilídeo, e está concentrado principalmente nas regiões de Limeira, Avaré e Bebedouro — áreas onde o Fundecitrus detecta as maiores populações do inseto.

    Além disso, o calor intenso registrado em 2024 e 2025 agravou o estresse hídrico e aumentou a queda prematura de frutos, elevando os custos de manejo. Esses fatores dificultam a recuperação completa da produtividade, mesmo em meio à melhora da demanda industrial.


    Perspectivas para o setor de laranja em 2026

    As perspectivas para o preço da laranja e para o setor de citricultura em 2026 são de ajuste gradual, com maior equilíbrio entre oferta e demanda.

    O mercado tende a se estabilizar com a redução dos estoques de suco, o que pode sustentar preços próximos de R$ 47 por caixa até o primeiro trimestre de 2026. No entanto, a performance dependerá de três variáveis principais:

    1. Acordos comerciais com os Estados Unidos e a Europa;

    2. Controle do greening nas principais regiões produtoras;

    3. Cenário climático favorável.

    Segundo o Cepea, a continuidade de investimentos em tecnologia agrícola e a busca por novos mercados, especialmente na Ásia, serão cruciais para manter a rentabilidade da citricultura brasileira.


    Setor entra em fase de reestruturação

    O cenário atual reforça a necessidade de reestruturação estratégica do setor citrícola. Com a volatilidade dos preços e a concentração das exportações em poucos mercados, produtores e indústrias buscam diversificar os canais de venda e agregar valor ao produto.

    Entre as apostas estão:

    • A expansão de linhas de sucos naturais prontos para consumo;

    • O aumento das exportações de derivados com apelo sustentável;

    • E a adoção de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança), que têm se tornado exigência crescente de importadores internacionais.

    O objetivo é reduzir a dependência de tarifas e ampliar a margem de lucro com produtos de maior valor agregado.


    Queda de preços e desafios para o futuro

    A queda no preço da laranja em novembro sinaliza o início de uma nova fase para a citricultura brasileira — marcada por desafios estruturais e necessidade de adaptação.

    Apesar da redução nas cotações, o Brasil segue líder mundial na exportação de suco de laranja, com forte presença no mercado internacional e capacidade de resposta rápida às oscilações globais.

    O setor entra em 2026 com foco em competitividade, inovação e sustentabilidade, buscando manter a relevância do país na cadeia global de alimentos e bebidas.

    Preço da laranja cai em novembro com menor demanda externa e maior oferta no mercado interno

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • China retoma importação de carne de frango do Brasil e fortalece liderança do agronegócio


    China retoma importação de carne de frango do Brasil e impulsiona o agronegócio nacional

    A notícia de que a China retoma importação de carne de frango do Brasil nesta sexta-feira (7) marca um dos eventos mais relevantes do ano para o agronegócio brasileiro. A decisão, anunciada pela Administração Geral das Alfândegas da China, encerra uma suspensão imposta desde maio, quando o país asiático interrompeu as compras após a confirmação de um caso isolado de gripe aviária em uma granja de Montenegro, no Rio Grande do Sul.

    A retomada das exportações foi celebrada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que classificou a medida como resultado direto da competência técnica e diplomática do Brasil. Com a reabertura, o mercado volta a se alinhar com a maior demanda mundial por proteína de origem animal, fortalecendo a presença brasileira como líder global na produção e exportação de carne de frango.


    Impacto econômico imediato

    A reabertura do mercado chinês representa um alívio expressivo para os produtores brasileiros. Em 2024, a China foi o principal destino da carne de frango nacional, tendo importado 562,2 mil toneladas do produto — o equivalente a 10,8% das exportações totais. Já de janeiro a maio de 2025, antes da suspensão, o volume embarcado somava 228,2 mil toneladas, gerando US$ 545,8 milhões em receita.

    Com o retorno das operações, o impacto positivo deve ser sentido ao longo das próximas semanas, tanto no câmbio do agronegócio quanto na balança comercial. O movimento favorece empresas exportadoras, amplia a geração de empregos e reforça a confiança dos importadores na sanidade do sistema brasileiro.


    Competência técnica e confiança internacional

    O episódio reforça a imagem do Brasil como referência mundial em biossegurança e rastreabilidade sanitária. Após o surto isolado em Montenegro (RS), o país implementou protocolos rígidos de desinfecção e controle, o que permitiu declarar-se data-end=”2195″>livre da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em 18 de junho.

    O reconhecimento internacional foi rápido: em setembro, a União Europeia também validou o status de país livre da doença, o que já havia impulsionado o retorno das exportações ao bloco europeu. Agora, com a China retomando as importações de carne de frango do Brasil, o ciclo de normalização global se completa, restabelecendo a confiança plena nos produtos brasileiros.


    Diplomacia agrícola e coordenação entre ministérios

    O sucesso nas negociações com Pequim foi resultado direto de uma ação conjunta entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Itamaraty e o Palácio do Planalto. Segundo a ABPA, as conversas envolveram ampla diplomacia técnica e sanitária, com foco em renegociar certificados sanitários bilaterais para evitar suspensões automáticas em eventuais futuras ocorrências.

    Essa estratégia diplomática preventiva é considerada um marco para o agronegócio brasileiro, pois mostra capacidade de reação rápida e articulação internacional eficaz. O diálogo constante com as autoridades chinesas demonstrou que o país possui transparência sanitária, capacidade técnica de resposta e compromisso com as normas internacionais da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).


    Recuperação global do mercado de frango

    A China era o último grande importador que mantinha restrições à carne de frango brasileira. Com o anúncio desta sexta-feira, todos os principais parceiros comerciais voltaram a comprar o produto nacional, consolidando a normalização completa do comércio global.

    O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, fornece atualmente para mais de 150 países, e o retorno do maior comprador asiático reforça a estabilidade do setor. Estima-se que as exportações brasileiras possam superar 5 milhões de toneladas em 2025, impulsionadas pela confiança internacional e pelo câmbio favorável às vendas externas.


    Repercussão no setor e expectativas de crescimento

    Lideranças da cadeia produtiva avaliam que a retomada das importações pela China trará ganhos expressivos a toda a cadeia avícola — desde criadores até frigoríficos e cooperativas. A ABPA afirmou que o país deve fechar o ano com crescimento superior a 5% nas exportações de proteína animal, puxado principalmente pela recuperação do mercado asiático.

    Com a demanda restabelecida, empresas de produção e abate já se preparam para retomar contratos suspensos e ampliar o volume exportado. Além disso, a decisão chinesa fortalece as negociações com novos mercados, especialmente no Oriente Médio e na África, que acompanham de perto as práticas de biossegurança adotadas pelo Brasil.


    O papel da China na balança comercial brasileira

    A China é o maior parceiro comercial do Brasil, responsável por cerca de 30% das exportações totais do país. Além da soja e do minério de ferro, a carne de frango se consolidou como um dos principais produtos da pauta bilateral.

    Com o retorno das importações, estima-se que o Brasil possa incrementar a receita cambial em mais de US$ 1 bilhão até o final de 2025, ajudando a compensar oscilações nos preços internacionais de grãos e metais. Essa diversificação é estratégica, pois reduz a dependência de commodities tradicionais e amplia o peso da agroindústria no superávit comercial.


    Brasil livre da gripe aviária: o fator decisivo

    O status sanitário brasileiro foi determinante para o restabelecimento da confiança internacional. Após a detecção do único foco de gripe aviária em granja comercial no país, técnicos do Ministério da Agricultura agiram de forma rápida e transparente, implementando medidas de contenção e desinfecção em prazo recorde.

    O resultado foi a eliminação total do foco e a ausência de novos registros. O período de 28 dias sem ocorrências permitiu à OMSA confirmar a erradicação do vírus. O modelo de vigilância adotado é considerado exemplar, e serviu como referência para outros países emergentes com produção intensiva de aves.


    Perspectivas para 2026: ampliação de mercados e certificações

    A retomada das importações pela China abre espaço para novos acordos comerciais. O governo brasileiro já trabalha em frentes paralelas com Japão, Coreia do Sul, México e Arábia Saudita para ampliar o número de plantas frigoríficas habilitadas à exportação.

    A ABPA prevê que até 2026 o Brasil possa alcançar recorde histórico de exportações, superando a marca de US$ 10 bilhões em receitas anuais apenas com carne de frango. O cenário favorável é sustentado por três pilares: credibilidade sanitária, diplomacia ativa e competitividade logística.


    Estratégia de prevenção e vigilância permanente

    Para evitar novos embargos, o Brasil reforçou o sistema nacional de vigilância com barreiras sanitárias ampliadas e fiscalização permanente em fronteiras e granjas. O Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), coordenado pelo MAPA, é reconhecido internacionalmente e garante rastreabilidade completa desde a criação até o embarque dos produtos.

    A modernização de protocolos e o uso de tecnologias de monitoramento em tempo real permitem identificar eventuais riscos antes que afetem a cadeia produtiva. Essa estrutura dá ao país vantagem competitiva frente a concorrentes, como Estados Unidos e Tailândia, que enfrentam surtos mais recorrentes de influenza aviária.


    O impacto no consumidor brasileiro

    Além dos reflexos externos, a China retomando a importação de carne de frango do Brasil também impacta o mercado interno. A demanda internacional tende a reduzir a oferta doméstica no curto prazo, o que pode provocar leve reajuste nos preços da carne de frango nos supermercados.

    Por outro lado, a normalização das exportações fortalece o setor, garante empregos e impulsiona investimentos em tecnologia, sustentabilidade e sanidade animal — fatores que beneficiam toda a cadeia agroindustrial e asseguram estabilidade a longo prazo.


    O significado político e diplomático da reabertura

    A decisão chinesa representa uma vitória diplomática para o governo brasileiro, que fez da segurança alimentar e da sustentabilidade pilares de sua política externa. O chanceler Mauro Vieira e o ministro Carlos Fávaro conduziram negociações com apoio direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando a relevância estratégica da relação sino-brasileira.

    A cooperação técnica e a confiança mútua reforçam o papel do Brasil como protagonista nas discussões globais sobre segurança alimentar e comércio sustentável. A reabertura do mercado chinês é vista, inclusive, como um sinal político de prestígio internacional em um momento em que o país busca ampliar sua presença em fóruns multilaterais.


    Conclusão: retomada que consolida a liderança global do Brasil

    A decisão pela qual a China retoma importação de carne de frango do Brasil não é apenas um alívio momentâneo, mas um marco histórico para o agronegócio nacional. O episódio demonstra a maturidade técnica, diplomática e sanitária do país, além de consolidar o Brasil como o principal fornecedor global de proteína animal segura e de qualidade.

    Com o retorno de todos os grandes importadores, o setor avícola brasileiro entra em uma nova fase de expansão, sustentada por credibilidade, inovação e competitividade. O movimento reforça que o Brasil segue sendo uma potência agroalimentar confiável, essencial para o equilíbrio da segurança alimentar mundial.



    China retoma importação de carne de frango do Brasil e fortalece liderança do agronegócio

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Vendas de tratores crescem 27,5% em setembro e impulsionam otimismo no agronegócio brasileiro


    Vendas de tratores crescem 27,5% em setembro e indicam otimismo no agronegócio brasileiro

    As vendas de tratores no Brasil registraram um forte crescimento em setembro de 2025, consolidando um dos melhores resultados do ano para o setor de máquinas agrícolas. De acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o mercado contabilizou 6 mil unidades vendidas, representando alta de 27,5% em relação a setembro de 2024 e crescimento de 15,7% sobre agosto.

    O desempenho reflete uma recuperação gradual da demanda por equipamentos agrícolas, impulsionada pela expectativa de uma safra recorde e pela retomada de investimentos em modernização de maquinário no campo.


    Recuperação consistente no setor de máquinas agrícolas

    No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o setor registrou alta de 19,6% nas vendas, totalizando 39,9 mil tratores comercializados. O resultado confirma o avanço do agronegócio brasileiro, mesmo diante de desafios como juros elevados e endividamento dos produtores rurais.

    Segundo a Fenabrave, o crescimento nas vendas de tratores tem relação direta com o otimismo dos revendedores e o movimento de reposição de estoques em antecipação à próxima safra de grãos. As concessionárias de máquinas agrícolas relatam aumento expressivo na procura por modelos de média e alta potência, especialmente voltados à soja e ao milho — culturas que devem registrar bons resultados na temporada 2025/26.


    Fatores que impulsionaram as vendas de tratores em setembro

    Três fatores principais explicam o bom desempenho do setor em setembro:

    1. Expectativa de safra robusta: o clima favorável e o avanço do plantio estimularam produtores a investir em maquinário para melhorar produtividade e reduzir custos operacionais.

    2. Programas de financiamento agrícola: linhas de crédito como o Plano Safra 2025/26 e incentivos do BNDES e Banco do Brasil ajudaram a destravar parte da demanda reprimida.

    3. Renovação tecnológica: produtores estão substituindo equipamentos antigos por tratores com melhor desempenho, menor consumo de combustível e integração com tecnologias de agricultura de precisão.

    Esses fatores combinados fizeram o mês de setembro marcar um dos maiores volumes de vendas de tratores desde 2018, consolidando o segmento como um dos pilares da economia agrícola brasileira.


    O papel da Fenabrave e o panorama do setor

    A Fenabrave é responsável por compilar as informações de vendas de veículos e máquinas no país, incluindo o setor agrícola. Diferentemente do mercado de automóveis, cujas vendas podem ser acompanhadas em tempo real via sistema de licenciamento, os dados de tratores dependem de levantamento direto junto aos fabricantes.

    Por isso, as estatísticas apresentam defasagem de um mês em relação ao balanço de automóveis, mas ainda assim servem como termômetro confiável da atividade econômica no campo.

    O presidente da Fenabrave, Arcelio Júnior, ressaltou que o crescimento recente indica uma reação positiva do mercado rural, embora ainda haja preocupação com o nível de endividamento e com as altas taxas de juros.

    A combinação de demanda sólida e restrições de crédito cria um cenário desafiador: o produtor precisa investir em tecnologia para aumentar produtividade, mas enfrenta custos financeiros elevados para financiar novas máquinas.


    Cenário econômico: juros, crédito e rentabilidade

    A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, impacta diretamente o custo de financiamento rural. Com juros altos, muitos produtores adiaram compras nos primeiros meses de 2025, mas agora começam a retomar investimentos com base em previsões otimistas para a safra 2026.

    Outro ponto relevante é o nível de endividamento do agronegócio. Segundo levantamento do Banco Central, a dívida total dos produtores rurais ultrapassou R$ 600 bilhões em 2025, o que limita o acesso a crédito privado.

    Apesar disso, o BNdeS, Finep e bancos regionais vêm ampliando linhas específicas para renovação de frotas agrícolas, com taxas mais atrativas para tratores de menor potência e para pequenos e médios produtores.


    Modernização tecnológica: a nova fronteira do campo

    As vendas de tratores não refletem apenas o aumento de volume, mas uma mudança de perfil do consumidor rural. Cresce a procura por tratores inteligentes, equipados com sensores, GPS, telemetria e sistemas de gestão integrados à chamada agricultura 4.0.

    Essas inovações permitem otimizar o consumo de combustível, reduzir o desperdício de insumos e monitorar em tempo real o desempenho do maquinário.

    Fabricantes nacionais e estrangeiros também vêm apostando em versões elétricas e híbridas, alinhadas às metas de sustentabilidade do agronegócio e aos compromissos ambientais de grandes exportadores.

    Em paralelo, o avanço da conectividade no campo — com expansão do 5G rural — está impulsionando a integração de dados e a automação das operações agrícolas, tornando o investimento em tratores modernos mais estratégico do que nunca.


    Projeções para o último trimestre de 2025

    O desempenho expressivo de setembro abre espaço para uma aceleração moderada no fim do ano, segundo projeções do setor. A expectativa é de que as vendas de tratores ultrapassem 50 mil unidades em 2025, caso o ritmo atual se mantenha.

    No entanto, o mercado segue atento à política de juros e ao câmbio. Um real valorizado pode reduzir o custo de importação de componentes e máquinas completas, enquanto uma moeda desvalorizada pressiona preços e margens de lucro.

    Analistas apontam ainda que o próximo ciclo do Plano Safra será determinante para consolidar a recuperação do setor em 2026. Linhas de crédito mais acessíveis e políticas de incentivo à inovação tecnológica serão cruciais para sustentar o ritmo de crescimento.


    Agronegócio segue como motor da economia

    O agronegócio representa cerca de 25% do PIB brasileiro e continua sendo o principal motor da economia nacional. O crescimento nas vendas de tratores reforça essa importância, ao indicar que o produtor está disposto a investir, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador.

    O bom desempenho das vendas de máquinas agrícolas também gera efeitos multiplicadores: estimula a indústria metalmecânica, amplia a arrecadação de impostos e movimenta o setor de serviços no interior do país.

    A modernização do parque de máquinas é um indicador direto da capacidade produtiva do agronegócio e contribui para manter o Brasil entre os maiores exportadores de alimentos do mundo.


    Desafios à frente

    Apesar dos números positivos, o mercado de tratores ainda enfrenta obstáculos. Entre os principais desafios estão:

    • Taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito rural;

    • Oscilações de preços das commodities agrícolas, que afetam a rentabilidade do produtor;

    • Dependência de importação de peças e componentes, impactada pelo câmbio;

    • Infraestrutura logística deficiente, que aumenta os custos de transporte e distribuição.

    Ainda assim, o setor demonstra resiliência e capacidade de adaptação, com investimentos crescentes em inovação, sustentabilidade e eficiência operacional.


    Perspectivas para 2026: tecnologia e sustentabilidade

    O futuro das vendas de tratores no Brasil passa pela integração tecnológica e sustentabilidade ambiental. O país está entre os cinco maiores mercados globais de máquinas agrícolas e deve continuar crescendo impulsionado por três tendências:

    1. Agricultura de precisão: uso de dados e automação para aumentar produtividade;

    2. Transição energética: chegada de tratores híbridos e elétricos;

    3. Digitalização do crédito rural: financiamentos instantâneos por plataformas digitais.

    Essas inovações podem ampliar o acesso de pequenos produtores às novas tecnologias, descentralizando o avanço tecnológico do agronegócio e tornando o campo mais competitivo.

    O crescimento de 27,5% nas vendas de tratores em setembro é um sinal de confiança renovada no agronegócio brasileiro. O resultado combina melhor expectativa de safra, avanços tecnológicos e recuperação gradual da demanda, ainda que em meio a um cenário de juros altos e custos financeiros elevados.

    A tendência é que o setor siga em expansão moderada até o fim de 2025, impulsionado pela modernização do maquinário agrícola e pelas políticas de incentivo ao crédito rural.

    Se o ritmo se mantiver, 2026 pode consolidar uma nova fase de prosperidade para a indústria de máquinas agrícolas no Brasil.

    Vendas de tratores crescem 27,5% em setembro e impulsionam otimismo no agronegócio brasileiro

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Aliare compra Agrometrika e traça plano para ser a Big Tech do Agro brasileiro até 2030


    A goiana Aliare, holding de soluções tecnológicas para o agronegócio, anunciou a aquisição da Agrometrika, gestora de crédito rural de Vinhedo (SP) com mais de 15 anos de experiência em gestão de risco e financiamento agrícola. O movimento reforça a estratégia da empresa de se consolidar como a Big Tech do Agro brasileiro até 2030, integrando tecnologia, inteligência de dados e serviços financeiros em um único ecossistema digital.

    Com essa compra, Carlos Barbosa, cientista contábil e CEO da Aliare, amplia o portfólio de soluções da empresa ao incorporar a expertise da Agrometrika em crédito rural — setor considerado vital para o desenvolvimento sustentável do agronegócio. A transação, cujo valor não foi divulgado, é a terceira operação de Fusões e Aquisições (M&A) realizada pela holding desde sua fundação em 2021.


    O plano ambicioso: ser a Big Tech do Agro até 2030

    A Aliare não esconde suas ambições. O objetivo declarado de Carlos Barbosa é transformar a companhia na maior referência em tecnologia para o agronegócio até o fim da década. O plano inclui a digitalização completa das cadeias produtivas, integração de dados entre produtores, indústrias e cooperativas e soluções escaláveis que aumentem a eficiência financeira no campo.

    “Queremos liderar a transformação digital do agro com soluções inteligentes, escaláveis e inovadoras que gerem valor real para toda a cadeia — do produtor à indústria”, destacou o CEO. A meta é consolidar a Aliare como a principal plataforma tecnológica de gestão agrícola, ampliando sua participação de mercado e a influência em segmentos estratégicos como crédito, comercialização e logística.


    O desafio da transformação digital no campo

    Apesar do avanço tecnológico, o agronegócio ainda enfrenta desafios estruturais, como a escassez de crédito rural, a volatilidade dos preços agrícolas e a fragmentação dos sistemas de gestão. Nesse cenário, a entrada da Aliare no segmento de financiamento representa um passo crucial para eliminar gargalos e promover a integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

    A Agrometrika, que já contabiliza cerca de R$ 110 bilhões em crédito rural aprovado, traz uma bagagem sólida em >análise de risco, formalização e acompanhamento de operações financeiras no campo. Essa expertise complementa a estrutura tecnológica da Aliare, que atende mais de 5 mil clientes no Brasil e no Paraguai e fatura cerca de R$ 150 milhões por ano.


    Gestão de crédito e risco: o coração da nova Aliare

    O sistema desenvolvido pela Agrometrika cobre todo o ciclo de crédito agrícola — da análise de dados à formalização e acompanhamento da safra — oferecendo previsibilidade e segurança às instituições financeiras e cooperativas.

    Com a integração, a Aliare passa a oferecer uma solução end-to-end para o produtor rural, unindo gestão, crédito e análise de risco em um único fluxo digital. Essa abordagem reduz custos operacionais, mitiga inadimplência e aumenta a transparência nas transações financeiras do agronegócio.

    Para o diretor de Novos Negócios e M&A da Aliare, Eduardo Bitu, a aquisição é parte de uma estratégia ampla de sinergia e inteligência operacional. A Agrometrika agora integra a Conexa Aceleradora, braço de inovação da holding, mantendo o time de fundadores, como Fernando Pimentel, na liderança da operação.


    Consolidação tecnológica e visão de futuro

    A Aliare já se consolidava como uma das maiores agtechs do país antes mesmo da aquisição. A empresa reúne marcas como Siagri, Datacoper, Solution, Implanta e a startup Wemov, oferecendo um ecossistema completo de tecnologia para gestão agrícola.

    Seu portfólio inclui:

    • ERP agrícola (Enterprise Resource Planning) – sistemas de gestão integrados para fazendas, cooperativas e agroindústrias;

    • CRM (Customer Relationship Management) – relacionamento e fidelização de clientes;

    • BI (Business Intelligence) – inteligência de dados para decisões estratégicas;

    • Soluções fiscais e digitais – automação tributária e compliance no campo.

    Com a entrada da Agrometrika, a Aliare passa a dominar também o núcleo financeiro do agronegócio, área essencial para o crescimento sustentável do setor.


    O agronegócio como fronteira tecnológica

    O avanço das agtechs vem redesenhando o cenário agrícola global. Segundo o Radar Agtech Brasil 2025, o país já conta com mais de 1,7 mil startups voltadas à inovação no campo — um aumento de 40% em relação a 2023. Esse crescimento é impulsionado pela necessidade de digitalizar processos e otimizar a produtividade.

    A Aliare aposta nesse movimento, com foco em inteligência artificial (IA) e machine learning para prever riscos climáticos, otimizar crédito e integrar operações em tempo real. A empresa também trabalha em parcerias estratégicas com fintechs e seguradoras agrícolas para ampliar o acesso ao crédito rural.


    Impacto da aquisição para o setor

    A incorporação da Agrometrika deve gerar impacto direto em três frentes principais:

    1. Eficiência operacional — com sistemas unificados e base de dados integrada, os clientes da Aliare terão decisões financeiras mais ágeis e precisas.

    2. Acesso ao crédito — pequenos e médios produtores poderão obter financiamento com menor burocracia e análise de risco automatizada.

    3. Expansão de mercado — a presença combinada da Aliare e da Agrometrika nos estados do Centro-Oeste e Sudeste fortalece a capilaridade da companhia em polos estratégicos da produção agrícola.

    A meta é expandir também para países do Mercosul, aproveitando a base tecnológica já implantada no Paraguai.


    O papel de Carlos Barbosa e a visão estratégica

    À frente da Aliare desde sua fundação, Carlos Barbosa tem formação em Ciências Contábeis e ampla experiência em gestão empresarial. Sob sua liderança, a empresa cresceu rapidamente, apostando em fusões, inovação e governança corporativa como pilares da expansão.

    Barbosa defende que o futuro do agronegócio brasileiro passa pela tecnologia de dados e integração digital. Para ele, a competitividade global do setor dependerá da capacidade das empresas de transformar dados em inteligência de negócios, reduzindo riscos e ampliando a rentabilidade.


    Uma nova era para o agro brasileiro

    O movimento da Aliare reflete uma tendência mais ampla: o agronegócio se tornando cada vez mais digital e financeiro. A tecnologia deixou de ser apenas um suporte e passou a ser o motor de crescimento de um setor que representa cerca de 24% do PIB nacional.

    Ao incorporar a Agrometrika, a Aliare dá um passo importante para se posicionar como o principal hub tecnológico do agro nacional, integrando desde o controle de produção até o financiamento e a gestão de risco.

    Se o plano de Carlos Barbosa se concretizar, a Aliare poderá, de fato, alcançar o posto de Big Tech do Agro brasileiro até 2030, transformando dados e crédito em instrumentos de sustentabilidade e competitividade global.



    Aliare compra Agrometrika e traça plano para ser a Big Tech do Agro brasileiro até 2030