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  • Chefes do Comando Vermelho são transferidos para penitenciária federal no Paraná


    Chefes do Comando Vermelho são transferidos para penitenciária federal no Paraná

    Sete chefes do Comando Vermelho (CV) foram transferidos do Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, uma das unidades de segurança máxima do país. A medida foi tomada após a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos, entre eles quatro policiais.

    A transferência, solicitada pelo governo do Rio de Janeiro e autorizada pela Justiça, tem como objetivo isolar a liderança da facção criminosa e impedir a comunicação entre os detentos e os comparsas que continuam atuando nas comunidades fluminenses. Os sete presos são apontados como responsáveis por ordenar ataques e erguer barricadas em resposta à operação do fim de outubro.


    Quem são os chefes do Comando Vermelho transferidos

    Os criminosos foram levados sob forte esquema de segurança da Penitenciária de Bangu 1 até o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, escoltados por agentes da Polícia Federal e da Força Nacional.

    Entre os transferidos estão:

    • Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho;

    • Carlos Vinicius Lírio da Silva, o Cabeça do Sabão;

    • Eliezer Miranda Joaquim, o Criam;

    • Fabrício de Melo Jesus, o Bicinho;

    • Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor;

    • Alexander de Jesus Carlos, o Choque;

    • Roberto de Souza Brito, o Irmão Metralha.

    A escolha da Penitenciária de Catanduvas não é por acaso. Foi a primeira unidade do Sistema Penitenciário Federal (SPF), inaugurada em 2006, e tem como um de seus detentos mais notórios Fernandinho Beira-Mar, considerado fundador e principal líder histórico do Comando Vermelho.

    Fontes da segurança pública afirmam que os recém-chegados não terão contato direto com Beira-Mar nem entre si, pois o regime do presídio prevê isolamento rigoroso, celas individuais e monitoramento constante.


    O motivo da transferência

    A decisão de enviar os chefes do Comando Vermelho ao sistema federal ocorreu após uma série de ataques coordenados contra forças policiais e atos de retaliação às operações realizadas na Zona Norte do Rio.

    O governo fluminense e o Ministério da Justiça apontaram que a presença dessas lideranças no Rio facilitava a organização de ataques, a disseminação de ordens por aplicativos e o recrutamento de novos integrantes.

    Com a transferência, o Estado espera reduzir a capacidade de comando à distância e enfraquecer as redes de comunicação da facção, que continua sendo a mais poderosa do Rio de Janeiro e uma das maiores do país.


    O histórico do Comando Vermelho

    Fundado na década de 1970, dentro do presídio da Ilha Grande, o Comando Vermelho nasceu da aliança entre criminosos comuns e presos políticos durante a ditadura militar. Com o passar dos anos, a facção expandiu-se para além das prisões e consolidou-se como uma organização de tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro, com forte presença em favelas cariocas.

    Atualmente, o CV mantém influência nacional e internacional, com conexões no Paraguai, Bolívia e Colômbia, e disputa território com outras facções, como o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

    A megaoperação na Penha e no Alemão foi considerada uma das maiores ações de repressão à facção já realizadas, reunindo centenas de agentes da Polícia Militar, Civil, Federal e do Bope.


    My Thor: o veterano da facção

    Entre os presos transferidos, Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como My Thor, é um dos integrantes mais antigos do Comando Vermelho.

    Apontado como um dos chefes do tráfico no Morro Santo Amaro, na Zona Sul do Rio, My Thor acumula mais de 23 anos de prisão. Seu histórico inclui fugas, recapturas e longos períodos no sistema penitenciário federal.

    Condenado a 22 anos e seis meses de reclusão, ele passou 14 anos em presídios de segurança máxima, sendo devolvido ao Rio em 2021. A nova transferência para Catanduvas marca mais uma etapa em sua trajetória de idas e vindas entre o sistema estadual e federal.


    Naldinho: o porta-voz do Comando Vermelho

    Outro nome de destaque é Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho. Condenado a mais de 50 anos de prisão por tráfico de drogas e homicídio, é considerado porta-voz do Comando Vermelho.

    Ele atua como intermediário entre a cúpula da facção e os comandos locais, sendo responsável por transmitir ordens estratégicas e coordenar ações simultâneas em diferentes regiões do estado.

    Naldinho é apontado pela inteligência policial como autor intelectual de uma trégua criminosa decretada durante a realização do G20 no Brasil, em fevereiro de 2024, quando ordenou a suspensão de assaltos e confrontos para evitar a intensificação da repressão.

    Nos últimos meses, o Ministério Público e as forças policiais fizeram quatro pedidos à Vara de Execuções Penais (VEP) solicitando sua remoção do Rio, mas todos haviam sido negados até agora. A nova decisão atende à pressão de autoridades estaduais e federais pela contenção da atuação do CV.


    A megaoperação e suas consequências

    A megaoperação policial do dia 28 de outubro marcou um dos episódios mais violentos da história recente do Rio de Janeiro. A ação, que mobilizou mais de 1.000 agentes, resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais.

    Segundo as investigações, o estopim foi uma série de ataques coordenados contra viaturas e unidades policiais. As autoridades identificaram que as ordens partiram de dentro dos presídios estaduais, o que reforçou a necessidade de transferir os líderes da facção para penitenciárias federais, onde a vigilância é mais rigorosa.

    O governo fluminense afirmou que a medida busca restaurar o controle do Estado sobre o sistema penitenciário e enfraquecer o comando das facções que continuam ditando regras em comunidades dominadas pelo tráfico.


    A importância estratégica da Penitenciária de Catanduvas

    A Penitenciária Federal de Catanduvas, localizada no interior do Paraná, é a primeira unidade de segurança máxima do Brasil e serve como referência para o sistema federal.

    Com celas individuais, monitoramento eletrônico 24 horas e protocolos de isolamento extremo, o presídio foi projetado para neutralizar a comunicação entre líderes criminosos e seus subordinados.

    Cada preso permanece em regime disciplinar diferenciado (RDD), com apenas duas horas de banho de sol por dia e vigilância constante.

    Atualmente, além de Fernandinho Beira-Mar, cumprem pena em Catanduvas traficantes, milicianos e membros de facções de diversos estados, considerados de alta periculosidade.


    O enfraquecimento do Comando Vermelho

    Embora o governo fluminense tenha comemorado a transferência como uma vitória contra o crime organizado, especialistas alertam que a medida representa apenas um passo tático.

    Mesmo com dezenas de líderes presos em presídios federais, o Comando Vermelho continua operando por meio de redes descentralizadas, o que dificulta sua desarticulação completa.

    Atualmente, o Estado do Rio tem 58 presos no sistema federal, mas o domínio territorial da facção nas comunidades ainda é expressivo. Para as autoridades, a solução definitiva passa pela integração entre inteligência policial, políticas sociais e controle de fronteiras.


    Reação política e institucional

    A transferência dos líderes do Comando Vermelho foi acompanhada de perto por Cláudio Castro (PL-RJ), governador do Rio, que tem defendido uma postura mais dura contra o crime organizado.

    Nos bastidores, o movimento também tem impacto político, já que reforça a imagem de Castro como um gestor alinhado ao discurso de segurança pública, ao mesmo tempo em que pressiona o governo federal por mais investimentos no setor.

    A medida foi elogiada por parlamentares da bancada da segurança, que consideram o envio das lideranças ao sistema federal uma resposta firme à escalada da violência no estado.


    O desafio do Estado contra o crime organizado

    Apesar da operação e das transferências, o desafio das autoridades continua sendo romper a cadeia de comando do Comando Vermelho e evitar a ascensão de novas lideranças.

    A facção se destaca por sua estrutura piramidal e capacidade de regeneração, o que torna o enfrentamento mais complexo. Especialistas defendem que o Estado precisa combinar repressão e políticas de inclusão social para reduzir o recrutamento de jovens pelas organizações criminosas.

    Além disso, a modernização do sistema prisional é vista como essencial para impedir que as penitenciárias continuem funcionando como escritórios do crime.

    A transferência dos chefes do Comando Vermelho para a Penitenciária Federal de Catanduvas marca um novo capítulo na luta do Estado brasileiro contra o crime organizado.

    A medida reforça o compromisso das autoridades em enfraquecer as facções criminosas, proteger a sociedade e restaurar a autoridade do poder público nas áreas dominadas pelo tráfico.

    Com o endurecimento da política de segurança e o reforço do sistema federal, o governo busca romper o elo entre o cárcere e as ruas, minando a estrutura de comando do Comando Vermelho, a mais influente facção do país.

    Chefes do Comando Vermelho são transferidos para penitenciária federal no Paraná

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Alexandre de Moraes manda governo do Rio preservar imagens de operação contra o Comando Vermelho


    Moraes determina preservação de imagens de operação policial contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (10) que o governo do Rio de Janeiro preserve e envie à Corte todas as imagens das câmeras corporais dos policiais civis e militares que participaram da operação contra o Comando Vermelho (CV), realizada em 28 de outubro de 2025. A decisão integra o processo da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que analisa os limites da atuação policial em comunidades do estado.

    A determinação de Moraes inclui ainda a preservação de provas periciais, a identificação dos agentes envolvidos e o envio de laudos e relatórios de inteligência relacionados à operação denominada “Contenção”, que resultou em dezenas de prisões e mortes em áreas dominadas pela facção criminosa.


    Decisão de Alexandre de Moraes reforça controle judicial sobre operações policiais

    A decisão do ministro Alexandre de Moraes tem como objetivo garantir transparência e integridade nas investigações sobre a atuação das forças de segurança em regiões periféricas do Rio de Janeiro.

    Moraes determinou que o Estado do Rio preserve todas as imagens gravadas pelas câmeras corporais utilizadas durante a ação policial e envie ao STF uma relação completa dos policiais que participaram da operação, bem como os números de série das câmeras empregadas.

    Além disso, o ministro solicitou a entrega de todos os laudos necroscópicos realizados nas vítimas da operação, incluindo registros fotográficos e de projéteis recolhidos, e a remessa dos relatórios de inteligência que apontavam a presença dos 51 réus da 42ª Vara Criminal, alvo dos mandados de prisão cumpridos no dia da operação.

    A decisão também determina que sejam apresentados os resultados das audiências de custódia e uma lista com todas as pessoas presas em flagrante ou por mandado, identificando aquelas que não constavam entre os nomes previstos.


    Moraes estende determinação a Ministério Público e Defensoria Pública do Rio

    A medida de Alexandre de Moraes alcança não apenas o governo estadual, mas também outros órgãos do sistema de Justiça fluminense. O ministro ordenou que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) encaminhe ao Supremo cópias dos laudos produzidos por sua perícia independente, bem como a integra do procedimento investigatório sobre a operação.

    A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPE-RJ), por sua vez, deverá informar ao STF se todos os procedimentos de acompanhamento e assistência às famílias das vítimas estão sendo devidamente garantidos.

    A atuação de Moraes busca assegurar que a ADPF das Favelas — instaurada para estabelecer parâmetros de atuação das forças policiais em comunidades — continue sendo cumprida em sua totalidade, evitando violações de direitos fundamentais.


    ADPF das Favelas: marco no controle das ações policiais no Rio de Janeiro

    A ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, foi proposta em 2019 por entidades de direitos humanos e partidos políticos, com o objetivo de limitar abusos em operações policiais em comunidades cariocas.

    Desde então, o Supremo Tribunal Federal tem adotado uma série de medidas para restringir o uso desproporcional da força e garantir mecanismos de controle e transparência, como a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais e relatórios pós-operação.

    Em sua decisão mais recente, Alexandre de Moraes reforçou a necessidade de preservação de provas e registros para evitar que as operações realizadas sob a justificativa de combate ao crime organizado resultem em execuções sumárias ou violações de direitos humanos.

    A medida também responde a reclamações apresentadas por organizações civis, que alegam falta de transparência nas ações da Polícia Militar e da Polícia Civil em áreas dominadas por facções criminosas.


    Operação Contenção: o foco da determinação de Moraes

    A operação mencionada na decisão — denominada “Contenção” — foi realizada no dia 28 de outubro de 2025, em comunidades do Rio de Janeiro controladas pelo Comando Vermelho (CV). A ação, conduzida pelas polícias Civil e Militar, visava cumprir mandados de prisão expedidos pela 42ª Vara Criminal do Rio contra 51 réus ligados ao tráfico de drogas.

    Segundo relatórios preliminares, a operação resultou em mortes e prisões, mas também levantou suspeitas de irregularidades na execução das ordens judiciais. Diante disso, Alexandre de Moraes determinou que o governo estadual preserve todas as provas visuais e periciais para permitir uma análise detalhada pela Suprema Corte.

    O ministro também exigiu o envio de informações sobre o cumprimento efetivo dos mandados, a situação processual dos presos e eventuais excessos cometidos durante as ações de abordagem.


    Responsabilidade compartilhada: Judiciário, Executivo e órgãos de controle

    A decisão de Alexandre de Moraes reflete uma postura de intervenção preventiva do Supremo Tribunal Federal em casos de possível violação de direitos constitucionais.

    A preservação das imagens corporais e dos relatórios técnicos é vista como uma ferramenta essencial para:

    • Assegurar a lisura das operações policiais;

    • Evitar manipulação de provas;

    • Garantir o direito à defesa e à verdade processual;

    • Reforçar a fiscalização judicial sobre ações de segurança pública.

    Nesse contexto, Moraes também ordenou que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) encaminhe a lista de mandados de prisão executados e não executados, bem como os resultados das audiências de custódia.

    Essas medidas visam permitir ao STF um acompanhamento direto sobre as condições de legalidade e proporcionalidade das ações policiais.


    Relação com o marco do crime organizado e reunião no STF

    A decisão de Alexandre de Moraes ocorre no mesmo dia em que o STF debateu o marco do crime organizado em sessão da Primeira Turma, às 16h, seguida de reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar da regulamentação do tema.

    O encontro reforça a preocupação do Supremo com o avanço das facções criminosas no país e com o equilíbrio entre segurança pública e direitos fundamentais.

    A discussão sobre o marco regulatório do crime organizado busca definir critérios nacionais para a atuação integrada entre polícias, Ministério Público e Judiciário, de modo a garantir eficiência no combate às facções e respeito ao devido processo legal.


    Cláudio Castro e o contexto político do Rio de Janeiro

    A decisão também afeta diretamente a administração do governador Cláudio Castro (PL), que tem sido cobrada por ações mais transparentes e controladas nas favelas cariocas.

    Nos últimos meses, o governo do estado tem sido criticado por operações de grande letalidade, muitas delas realizadas sem acompanhamento efetivo de órgãos de controle.

    Ao determinar a preservação das imagens e relatórios, Alexandre de Moraes sinaliza que o Supremo não tolerará o descumprimento das diretrizes estabelecidas na ADPF das Favelas, reforçando o caráter vinculante das decisões do STF para os entes federativos.


    Equilíbrio entre segurança e direitos humanos

    A decisão de Alexandre de Moraes evidencia um esforço do Supremo para harmonizar o combate ao crime organizado com a proteção de garantias constitucionais.

    O ministro, que já havia se posicionado contra o uso indiscriminado da força policial em comunidades, reafirma agora que a transparência e a prestação de contas são essenciais para a legitimidade da atuação estatal.

    A determinação para que o governo do Rio preserve as imagens e forneça informações completas sobre a operação não apenas busca elucidar os fatos, mas também serve de precedente jurídico para futuras ações policiais em todo o país.


    A decisão de Moraes e seus desdobramentos

    Com a nova determinação, o ministro Alexandre de Moraes reforça o protagonismo do Supremo Tribunal Federal no controle das políticas de segurança pública, impondo critérios de transparência, responsabilidade e respeito à vida.

    A preservação das imagens corporais, dos laudos e das informações processuais permitirá ao STF avaliar eventuais abusos cometidos durante a operação contra o Comando Vermelho e garantir que o Estado do Rio de Janeiro atue dentro dos limites constitucionais.

    A decisão também fortalece a ADPF das Favelas como instrumento jurídico de defesa dos direitos humanos, consolidando a posição de Moraes como um dos principais articuladores da política judicial de controle das forças de segurança no Brasil.

    Alexandre de Moraes manda governo do Rio preservar imagens de operação contra o Comando Vermelho

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • PL do Antiterrorismo é adiado após articulação política entre Hugo Motta e governo Lula


    PL do Antiterrorismo é adiado após manobra política na Câmara liderada por Hugo Motta

    O PL do Antiterrorismo — proposta que busca equiparar facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) a organizações terroristas — teve sua análise novamente adiada na Câmara dos Deputados. A decisão foi resultado direto de uma articulação política entre o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), com aval do Palácio do Planalto.

    Na noite de terça-feira (4), Motta anunciou o cancelamento das reuniões das comissões permanentes marcadas para quarta, determinando que os deputados se dedicassem exclusivamente às votações do plenário. A medida, aparentemente técnica, teve efeito político claro: impedir que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisasse o projeto do PL 1.283/2025, que amplia a Lei Antiterrorismo (13.260/2016).

    A manobra adiou pela terceira vez consecutiva o avanço do texto, frustrando parlamentares da oposição que contavam com a votação ainda nesta semana.


    Como a articulação política travou o PL do Antiterrorismo

    Segundo fontes na Câmara, o cancelamento das sessões das comissões foi negociado diretamente entre Guimarães e Motta. O argumento oficial foi priorizar votações urgentes no plenário, mas o efeito prático foi esvaziar a reunião da CCJ e impedir o debate sobre a proposta que equipara o crime organizado ao terrorismo.

    O presidente da CCJ, Paulo Azi (União-BA), chegou a preparar a pauta, mas, com a abertura da ordem do dia no plenário, foi obrigado a encerrar os trabalhos. Conforme o regimento interno da Câmara, nenhuma comissão pode deliberar enquanto há sessão plenária em andamento.

    Nos bastidores, o governo defende que a proposta precisa ser discutida “com mais profundidade” e que a criação de uma comissão especial seria mais adequada. Essa avaliação é compartilhada pela ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), que também atuou junto à base aliada para obstruir a votação do projeto.


    O que diz o governo sobre o PL do Antiterrorismo

    O Planalto avalia que o texto atual, relatado pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), é “radical” e não oferece equilíbrio jurídico suficiente. Derrite, que se licenciou do cargo estadual para acompanhar o andamento da proposta em Brasília, é considerado pela base governista um nome excessivamente alinhado à oposição.

    Integrantes do governo defendem que a tramitação seja repensada, inclusive com mudança de relatoria. A intenção seria permitir um debate mais amplo sobre os impactos jurídicos e econômicos de classificar facções criminosas como grupos terroristas — proposta que divide especialistas e preocupa setores do Itamaraty e da área econômica.


    Por que o projeto é polêmico

    O PL do Antiterrorismo foi apresentado após a megaoperação policial no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão. O episódio reacendeu o debate sobre a atuação das facções e gerou pressão da opinião pública para que o Congresso endureça o tratamento penal dado a organizações criminosas.

    A proposta altera a Lei Antiterrorismo para incluir milícias e facções dentro da tipificação de terrorismo, ampliando a competência da Polícia Federal e prevendo bloqueio de bens e cooperação internacional contra integrantes dessas redes.

    Apesar de o texto ter apoio de parte expressiva do Congresso — especialmente das bancadas de segurança pública —, críticos alertam para riscos de sanções internacionais e possíveis conflitos com tratados de direitos humanos, caso o Brasil passe a adotar o mesmo enquadramento de países como os Estados Unidos e a Argentina, que já declararam cartéis e facções como “narcoterroristas”.


    Manobra política e reflexo da relação entre Lula e Motta

    A decisão de Hugo Motta de adiar a votação é vista dentro da Câmara como um gesto de alinhamento com o governo Lula. O parlamentar paraibano tem assumido papel de protagonista nas negociações de cargos e emendas entre o Executivo e o Legislativo, consolidando-se como figura-chave na governabilidade do Planalto.

    Aliados de Lula avaliam que o bom relacionamento entre Motta e Guimarães tem sido essencial para conter pautas consideradas “sensíveis” ou de alto impacto político. Ao postergar o debate do PL do Antiterrorismo, o governo ganha tempo para diluir a pressão popular e buscar um novo formato de tramitação que evite desgaste com a esquerda e com entidades de direitos humanos.


    A atuação de Gleisi Hoffmann e a base aliada

    Além de Motta e Guimarães, a ministra Gleisi Hoffmann teve papel determinante na estratégia governista. Segundo apuração nos bastidores, ela orientou deputados aliados a comparecer às sessões da CCJ e, se necessário, promover obstrução dos trabalhos para evitar qualquer deliberação.

    Com o cancelamento das reuniões, essa manobra acabou sendo desnecessária. Gleisi argumenta que o texto do PL, ao misturar criminalidade comum com terrorismo, pode gerar insegurança jurídica e abrir espaço para abusos de interpretação.

    O governo também teme que a aprovação apressada do projeto gere ruídos diplomáticos e reação negativa de organizações internacionais, especialmente das Nações Unidas (ONU) e de grupos de monitoramento de direitos civis.


    A força da oposição e a pressão popular

    Do outro lado, deputados da oposição acusam o governo de proteger o crime organizado e de adiar propositalmente a votação de uma pauta que tem apoio majoritário da população. Líderes oposicionistas afirmam que há número suficiente para aprovar o texto, mas que o governo usa o controle da pauta da Câmara para evitar uma derrota simbólica.

    A pressão aumentou depois das operações policiais no Rio, que reabriram o debate sobre o poder das facções nas comunidades. Parlamentares bolsonaristas e de partidos de centro-direita intensificaram discursos cobrando endurecimento penal e enquadramento das facções como terroristas.

    Mesmo com o adiamento, o tema deve voltar à pauta nas próximas semanas, dependendo da disposição do governo em negociar um novo relator e formato de tramitação.


    Impactos possíveis caso o PL do Antiterrorismo avance

    Caso o projeto seja aprovado, o Brasil passaria a integrar um grupo restrito de países que classificam organizações criminosas como terroristas, o que implicaria:

    Especialistas em direito penal e relações internacionais alertam que o texto, se aprovado sem ajustes, pode gerar consequências econômicas graves, já que bancos e fundos de investimento estrangeiros poderiam restringir operações financeiras no Brasil por medo de exposição a “organizações terroristas”.


    Cenário político e próximos passos

    O PL do Antiterrorismo seguirá em compasso de espera. O governo pretende abrir conversas com o presidente da CCJ e líderes partidários para definir uma nova data de análise. Nos bastidores, fala-se em transferir a tramitação para uma comissão especial ou até criar um grupo de trabalho temporário com representantes da base e da oposição.

    Enquanto isso, líderes oposicionistas prometem recolocar o projeto na pauta assim que possível, apostando que a pressão popular continuará alta, principalmente após os recentes episódios de violência urbana.

    A tendência é que o tema se transforme em bandeira política para as eleições municipais de 2026, com partidos de direita explorando o discurso de “tolerância zero ao crime organizado”, enquanto o governo tenta equilibrar segurança pública e preservação de garantias legais.

    PL do Antiterrorismo é adiado após articulação política entre Hugo Motta e governo Lula

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Fabiano Contarato assume presidência da CPI do Crime Organizado e propõe endurecer leis contra facções


    O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito presidente da CPI do Crime Organizado nesta terça-feira (4), em meio à crescente pressão social por ações efetivas contra o avanço das facções criminosas no país. A escolha do parlamentar ocorre após a operação policial no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV), que resultou em 121 mortes, reacendendo o debate sobre segurança pública e o papel do Estado no enfrentamento à criminalidade organizada.

    A comissão, instalada no Senado Federal, terá prazo inicial de 120 dias, prorrogável por mais 60, e investigará a estrutura, o financiamento e a expansão de grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de apurar a atuação das milícias e possíveis conexões com o poder público.

    A eleição de Contarato simboliza o esforço do Congresso em retomar o protagonismo no debate sobre segurança pública — tema que divide governo e oposição em meio à cobrança popular por medidas mais rígidas contra o crime organizado.


    CPI do Crime Organizado: foco em financiamento, milícias e infiltração no poder público

    Sob a presidência de Fabiano Contarato, a CPI pretende apurar o funcionamento interno das facções criminosas, identificar rotas de lavagem de dinheiro e estruturas de financiamento usadas por essas organizações. Também devem ser investigadas conexões regionais e transnacionais e o domínio territorial e prisional exercido pelos grupos.

    Outro eixo central será examinar a possível infiltração de criminosos em órgãos públicos e propor mudanças legislativas que reforcem o enfrentamento ao crime organizado.

    Contarato afirmou que o trabalho da comissão não pode se limitar a ações isoladas. Segundo ele, o combate ao crime deve ser contínuo e progressivo, com o Estado retomando o controle das comunidades e oferecendo alternativas concretas, como emprego e políticas sociais, para reduzir o poder das facções.


    Quem é Fabiano Contarato

    Com 59 anos, o senador Fabiano Contarato nasceu em Nova Venécia (ES). Delegado da Polícia Civil desde 1992, ele construiu uma carreira marcada pela defesa da ética pública, do respeito aos direitos humanos e pelo ativismo contra a corrupção.

    É formado em Direito pela Universidade Vila Velha (UVV), com pós-graduação em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Gama Filho (UGF-RJ), além de ser especialista em Impactos da Violência na Escola pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

    No Espírito Santo, comandou a Delegacia de Delitos de Trânsito por mais de uma década e assumiu a direção geral do Detran-ES, além de ocupar o cargo de Corregedor-Geral do Estado na Secretaria de Controle e Transparência (Secont/ES).

    Em 2018, Contarato foi o senador mais votado do Espírito Santo, superando nomes como Marcos do Val (Podemos-ES) e Magno Malta (PL-ES), consolidando sua imagem como figura independente e comprometida com pautas de segurança e cidadania.


    Trajetória partidária: do PL ao PT

    A carreira política de Fabiano Contarato teve início em 2013, quando se filiou ao Partido Liberal (PL), permanecendo por dois anos. Em 2015, migrou para o PSDB, onde ficou até 2018, quando ingressou na Rede Sustentabilidade (REDE), partido de Marina Silva, pelo qual foi eleito senador.

    Mesmo com o enfraquecimento da legenda no Congresso, Contarato permaneceu fiel à Rede até janeiro de 2022, quando decidiu se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT), legenda em que está desde então.

    Sua atuação política tem se destacado pelo equilíbrio entre pautas progressistas e rigor no combate à criminalidade, o que o posiciona como uma voz firme dentro do Senado, inclusive em temas em que diverge parcialmente da base governista.


    Atuação no Senado Federal

    No Senado, Fabiano Contarato já presidiu por três vezes a Comissão de Meio Ambiente (CMA) — entre 2019 e 2020, 2023 e 2024, e novamente em 2025. Em 2024, exerceu também o cargo de líder do PT no Senado.

    Apesar da ligação com a base do governo, o parlamentar se destaca por manter posição independente em pautas relacionadas à segurança pública, muitas vezes votando de forma contrária à orientação partidária.

    Um exemplo foi sua postura favorável ao projeto que acaba com a “saidinha” dos presos — benefício que permite a saída temporária em datas comemorativas. Na ocasião, o governo liberou a bancada para votar livremente, e Contarato se alinhou a senadores da oposição em apoio à proposta, reforçando seu perfil linha-dura no tema da criminalidade.


    Projetos e propostas de endurecimento penal

    Em 2025, Fabiano Contarato apresentou um pacote com 12 projetos de lei voltados ao endurecimento das leis penais e ao fortalecimento da segurança pública. As propostas incluem:

    • Transformar as guardas municipais em forças de atuação ostensiva, com poderes semelhantes aos das polícias;

    • Tipificar corrupção e peculato como crimes hediondos, sem direito a fiança, indulto ou anistia;

    • Impedir acordos judiciais que evitem condenações em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro;

    • Aumentar a pena de prefeitos e vereadores que desviem recursos públicos, podendo chegar a 12 anos de prisão;

    • Reforçar punições para crimes sexuais e tráfico de drogas;

    • Estender o tempo de internação de menores infratores para até 10 anos em casos de crimes graves;

    • Criar indenizações para famílias de policiais mortos em serviço;

    • Determinar apoio psicológico permanente a policiais e familiares;

    • Obrigar plataformas de e-commerce a coibir a receptação de produtos roubados;

    • Aumentar o rigor na execução de penas e nos critérios de redução por trabalho.

    Essas medidas refletem o compromisso do senador em combater o crime com políticas contínuas, integrando repressão qualificada e prevenção social.


    Episódio de homofobia e resposta contundente

    A trajetória pública de Fabiano Contarato também é marcada por episódios de enfrentamento à intolerância. Durante a CPI da Covid, em 2021, o parlamentar foi alvo de um ataque homofóbico feito por um empresário bolsonarista em redes sociais.

    Casado e pai de dois filhos, Contarato respondeu com firmeza, reafirmando que a orientação sexual não define caráter e defendendo o respeito à diversidade. O episódio ganhou repercussão nacional e consolidou sua imagem como símbolo de resistência e dignidade no Congresso Nacional.


    CPI do Crime Organizado: expectativas e desafios

    A eleição de Fabiano Contarato à presidência da CPI do Crime Organizado ocorre em um momento em que o Brasil busca respostas concretas para o avanço das facções e o aumento da violência urbana.

    A comissão pretende propor reformas legais, fortalecimento institucional das polícias e mecanismos de cooperação internacional para combater o tráfico e o financiamento ilícito.

    Além disso, Contarato defende que o enfrentamento ao crime deve ir além da repressão: “É preciso atacar as causas estruturais, como desigualdade, pobreza e ausência do Estado em áreas dominadas pelo crime”, disse em discurso no plenário.


    O símbolo político de Fabiano Contarato

    Ao assumir a presidência da CPI, Fabiano Contarato representa uma síntese rara entre rigor policial e compromisso com os direitos humanos. Sua trajetória combina experiência técnica, credibilidade institucional e engajamento social.

    No Senado, ele se consolidou como um dos principais articuladores de pautas de transparência pública, ética na política e modernização da legislação penal.

    O desafio agora será equilibrar o rigor das investigações com o respeito aos direitos fundamentais, mantendo o foco em resultados concretos e em propostas que modernizem o sistema de justiça criminal brasileiro.

    A liderança de Fabiano Contarato na CPI do Crime Organizado marca um novo capítulo no enfrentamento à criminalidade no Brasil. Sua experiência como delegado, somada à trajetória política marcada por coerência e independência, o coloca como um dos principais nomes no debate sobre segurança pública e combate à corrupção.

    A expectativa é que a comissão traga avanços concretos, proponha reformas estruturais e amplie a coordenação entre as esferas do poder público no enfrentamento ao crime organizado, um dos maiores desafios nacionais.

    Fabiano Contarato assume presidência da CPI do Crime Organizado e propõe endurecer leis contra facções

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia