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  • BC revela motivos da liquidação do Banco Master e aponta violações


    BC detalha ‘grave crise’ e explica motivos da liquidação do Banco Master

    A decisão do Banco Central de decretar a liquidação do Banco Master marcou um dos momentos mais significativos da supervisão bancária brasileira nas últimas décadas. O comunicado divulgado pela autoridade monetária descreveu uma deterioração financeira acelerada, agravada por violações a normas prudenciais e pelo descumprimento de obrigações essenciais para a manutenção das operações. A medida afeta quatro instituições do conglomerado e projeta repercussões profundas no mercado de crédito, nos investidores e no ambiente regulatório.

    O conglomerado, que acumulava mais de R$ 60 bilhões em depósitos, vinha enfrentando pressões sucessivas de liquidez, dificuldades crescentes para honrar compromissos e sinais de fragilidade estrutural. A análise realizada pelo BC apontou que a situação econômico-financeira havia se deteriorado de forma rápida e significativa, a ponto de comprometer a capacidade de funcionamento das instituições que compunham o grupo.

    A liquidação do Banco Master representa não apenas uma resposta à insolvência iminente, mas também uma intervenção destinada a preservar a integridade do sistema financeiro nacional. Ao decretar o regime especial, o BC destacou que o conglomerado descumpria normas essenciais de prudência bancária, violava regras operacionais e já apresentava risco concreto de colapso, o que justificou a adoção das medidas mais duras previstas na legislação.

    Conglomerado de porte médio, mas com atuação diversificada

    Classificado no segmento S3 da regulação prudencial, o conglomerado figurava como um grupo de pequeno porte dentro da estrutura do sistema financeiro, embora com atuação diversificada em múltiplas frentes. Sua participação representava 0,57% dos ativos totais e 0,55% das captações do setor. Ainda assim, sua expansão recente no mercado de crédito e investimentos chamava atenção, especialmente pela estratégia agressiva de crescimento em setores de maior risco.

    A estrutura do grupo abarcava crédito, investimentos estruturados, operações de mercado de capitais e serviços correlatos. Nos últimos anos, o conglomerado aumentou seu portfólio e elevou a exposição a ativos mais complexos, o que ampliou o risco e dificultou a capacidade de resposta em períodos de estresse.

    Essa expansão ocorreu ao mesmo tempo em que a instituição passou a apresentar dificuldades para cumprir exigências regulatórias e para sustentar níveis adequados de liquidez. A avaliação do BC indica que, além dos desequilíbrios financeiros, houve violações claras das normas que regem a atividade bancária.

    BC aponta violações graves e destaca risco sistêmico

    Segundo o comunicado oficial, o conjunto de irregularidades identificadas pelo BC contribuiu para o agravamento da crise interna. A supervisão constatou que a instituição deixou de observar parâmetros essenciais de governança, respeito às normas prudenciais e manutenção de patrimônio compatível com seu porte e perfil de risco.

    A combinação de falhas operacionais, descumprimento de normas e incapacidade de honrar obrigações levou ao diagnóstico de comprometimento significativo da situação econômico-financeira, expressão utilizada pelo BC para justificar intervenções de caráter urgente.

    A liquidação do Banco Master também buscou conter o risco de contaminação sobre outras instituições e preservar a confiança no sistema bancário. A autoridade monetária enfatizou que medidas adicionais continuam em análise, incluindo responsabilização de administradores, controladores e demais envolvidos.

    Liquidação extrajudicial de quatro instituições e RAET para o Master Múltiplo

    A medida anunciada pelo Banco Central determinou a liquidação extrajudicial de quatro empresas do conglomerado: Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Letsbank S/A e Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Para o Banco Master Múltiplo S/A, o BC optou por regime distinto: o Regime Especial de Administração Temporária (RAET).

    O RAET foi adotado para permitir a continuidade operacional da Will Financeira, empresa controlada pelo grupo que, segundo a análise regulatória, poderia ser preservada e conduzida sob administração temporária. A decisão demonstra que parte das atividades possuía relevância comercial e operacional suficiente para justificar manutenção controlada, evitando cortes abruptos ou impactos diretos sobre serviços essenciais.

    A adoção simultânea de regimes diferentes para entidades do mesmo conglomerado é incomum, mas não inédita. Ela reflete a intenção do BC de separar estruturas que pudessem ser preservadas daquelas cujo encerramento era considerado inevitável para proteger o interesse público.

    Bloqueio de bens e responsabilização dos administradores

    Com a decretação dos regimes especiais, foram tornados indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores, conforme determina a legislação. O objetivo é evitar a dissipação de patrimônio antes da conclusão das investigações, garantir a reparação futura de prejuízos e proteger credores, inclusive investidores e depositantes.

    A partir deste ponto, o Banco Central passa a conduzir investigações detalhadas sobre a atuação dos administradores e a avaliar se houve práticas irregulares que contribuíram para a crise. Os resultados poderão levar a sanções administrativas, encaminhamento de informações a autoridades penais e civis e eventual responsabilização financeira.

    Para o mercado, essa decisão reforça a mensagem de que falhas graves de gestão podem levar não apenas ao afastamento, mas também à responsabilização pessoal dos dirigentes. No caso da liquidação do Banco Master, o BC sinalizou que adotará todas as medidas previstas na legislação para apurar responsabilidades e evitar que práticas similares se repitam.

    Impacto para clientes e acionamento do FGC

    A liquidação aciona automaticamente o Fundo Garantidor de Créditos, responsável por ressarcir clientes com depósitos cobertos até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O processo, como ocorre nesses casos, depende do envio da lista oficial de credores pelo liquidante ao FGC e da posterior validação dos dados.

    A partir da liberação, os clientes poderão solicitar o ressarcimento por meio do aplicativo do Fundo, que centraliza todas as solicitações. O cronograma dependerá do tempo necessário para consolidação de informações, conferência documental e liberação das solicitações.

    Para investidores que possuíam valores acima do limite garantido, o ressarcimento passa a depender do processo de liquidação, que inclui levantamento de ativos, venda de bens e pagamento conforme a ordem de prioridade prevista na legislação.

    Contexto econômico e risco de contágio

    A liquidação do Banco Master ocorre em momento de atenção elevada ao setor financeiro. Embora a instituição tivesse porte moderado, sua atuação diversificada e seu crescimento rápido em determinados segmentos aumentaram o risco de que dificuldades internas pudessem gerar efeitos indiretos em outros agentes do sistema.

    O Banco Central enfatizou que a decisão visa justamente impedir efeitos em cadeia, conter instabilidades e proteger o ambiente financeiro de pressões externas desnecessárias. O cenário atual, segundo analistas, reforça a importância de monitoramento constante de instituições que adotam modelos de crescimento acelerado e maior exposição a operações estruturadas.

    A medida também coloca em evidência o papel do regulador em antecipar e controlar riscos que, embora pareçam restritos a instituições específicas, podem ganhar proporção diante de conjunturas adversas.

    A maior intervenção bancária das últimas décadas

    A liquidação representa uma das maiores intervenções bancárias desde a consolidação do sistema financeiro moderno. Os mais de R$ 60 bilhões em depósitos, somados à presença do conglomerado em diversas frentes de crédito e investimento, colocam o episódio entre os mais expressivos da história recente.

    Para muitos analistas, o caso deve impactar discussões regulatórias, especialmente no que diz respeito à supervisão de conglomerados com atuação híbrida, estratégias agressivas de captação e estruturas de governança que necessitam de maior transparência.

    O episódio também se diferencia por ocorrer em um ambiente de estabilidade macroeconômica relativa, reforçando que crises bancárias não dependem necessariamente de cenários sistêmicos, mas podem surgir por falhas internas significativas.

    O que esperar daqui para frente

    Os próximos meses serão marcados pelo processo de liquidação, pela atuação do liquidante nomeado pelo BC e pela avaliação profunda dos ativos, passivos e contratos do conglomerado. A depender dos desdobramentos, poderão ocorrer novos encaminhamentos para o Poder Judiciário, novos bloqueios patrimoniais e medidas adicionais de supervisão.

    Para clientes e investidores, o foco será no ressarcimento pelo FGC e no acompanhamento da evolução da liquidação. Para o mercado, a atenção se volta para os impactos indiretos no apetite por risco, na avaliação de bancos médios e no comportamento regulatório.

    A liquidação do Banco Master se torna, assim, um caso emblemático sobre limites de governança, importância da supervisão e responsabilidades inerentes à administração de instituições financeiras em ambiente regulado.



    BC revela motivos da liquidação do Banco Master e aponta violações

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Presidente do BRB é afastado após operação que prendeu chefe do Banco Master


    Presidente do BRB é afastado após operação que prendeu chefe do Banco Master

    O afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, nesta segunda-feira (18), adiciona um novo capítulo à escalada de tensão no sistema financeiro brasileiro poucos dias após a prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A medida ocorre no contexto da Operação Compliance Zero, que mobilizou autoridades federais, ampliou o cerco investigativo sobre práticas suspeitas no setor bancário e desencadeou uma sucessão de desdobramentos que colocou Brasília, o Banco Central e o mercado em alerta.

    A saída do executivo do comando do BRB, instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), representa um movimento decisivo diante das investigações em curso. Embora detalhes da operação sigam sob sigilo, o afastamento é interpretado como medida preventiva para garantir a transparência das apurações e preservar a integridade institucional do banco, que desempenha papel relevante no crédito regional e em operações financeiras de grande alcance público.

    O episódio ocorre em paralelo à crise do Banco Master, que culminou na prisão de seu controlador e na decretação de liquidação extrajudicial pela autoridade monetária. A proximidade temporal entre as operações reforça a percepção de que o momento exige rigor na supervisão e atenção redobrada de órgãos reguladores, especialmente quando envolve instituições financeiras com interações comerciais, institucionais ou investigativas.

    Afastamento preventivo e a estratégia para proteger o BRB

    O afastamento do presidente do BRB é definido como uma medida para assegurar que as investigações associadas à Operação Compliance Zero avancem sem interferências. O banco, que possui forte presença no Distrito Federal, tem operações que vão desde crédito consignado a gestão de programas sociais, o que torna sua estabilidade crucial para milhares de clientes, servidores e entidades locais.

    A decisão reforça a necessidade de blindar a instituição enquanto os fatos são apurados, evitando ruídos que possam comprometer a confiança da população e dos investidores. Em momentos como este, o setor público costuma agir rapidamente para preservar o patrimônio institucional e alinhar o discurso com órgãos de fiscalização, garantindo que o banco continue funcionando com estabilidade operacional.

    A saída temporária de Costa também indica uma postura de governança voltada à colaboração com autoridades. A condução interina da instituição será realizada por diretores habilitados, o que assegura continuidade administrativa durante o período de investigação.

    Contexto da Operação Compliance Zero

    A Operação Compliance Zero, que levou ao afastamento do dirigente do BRB, integra um conjunto de ações voltadas à investigação de possíveis irregularidades no setor financeiro, com foco em práticas que podem envolver falhas de governança, violações de normas internas e descumprimento de diretrizes de compliance. Embora as informações sejam limitadas, operações dessa natureza costumam apurar desde condutas individuais até eventuais inconsistências estruturais.

    No cenário bancário, investigações desse tipo buscam verificar se procedimentos obrigatórios foram conduzidos com rigor, especialmente em áreas de risco sensível, como análise de crédito, operações societárias, prevenção à lavagem de dinheiro e supervisão interna. A ausência de informações oficiais mais detalhadas indica que as apurações estão em estágio inicial ou sob sigilo, exigindo prudência nas interpretações externas.

    O afastamento de um presidente de instituição financeira pública, ainda que temporário, é um movimento significativo e demonstra que os órgãos responsáveis tratam o caso com alta prioridade.

    Conexão temporal com a crise do Banco Master

    A sequência dos acontecimentos chama a atenção porque ocorre logo após a prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, detido pela Polícia Federal no âmbito de outras investigações que envolveram a instituição. Embora não haja confirmação de relação direta entre os casos, ambos os episódios compõem um panorama mais amplo de escrutínio regulatório sobre bancos de porte médio.

    O BRB esteve recentemente no noticiário econômico por conta de uma operação que buscava adquirir participação no Banco Master — uma negociação vetada pelo Banco Central há poucos meses devido a inconsistências encontradas na instituição que seria adquirida. A operação foi analisada desde março, sem aprovação final.

    Esse histórico não estabelece conexão direta com o afastamento do presidente do BRB, mas cria um ambiente no qual o mercado observa com ainda mais atenção a atuação de gestores e a aplicação das normas de compliance. A sucessão de acontecimentos aumenta a necessidade de uma comunicação institucional clara, capaz de transmitir segurança aos clientes e ao sistema financeiro.

    Solidez institucional e continuidade das operações do BRB

    Apesar do afastamento, o BRB permanece operacional e mantém todas as atividades em pleno funcionamento, sem suspensão de serviços, bloqueios de contas ou interrupções de operações. A instituição possui governança estabelecida, corpo técnico experiente e papel relevante na economia regional, o que reduz a probabilidade de impactos negativos para clientes.

    A nomeação de uma liderança interina é prática comum em situações como essa, permitindo que o banco preserve sua rotina enquanto o processo de apuração avança. A estabilidade operacional é reforçada pelo fato de o BRB ser controlado pelo GDF, o que assegura base sólida de governança pública.

    Além disso, o setor bancário brasileiro opera sob regulamentação rígida, com supervisão constante do Banco Central e regras de capitalização que mantêm instituições fortalecidas mesmo em momentos de crise.

    Repercussões políticas e institucionais

    O afastamento do presidente do BRB imediatamente repercutiu no âmbito político do Distrito Federal. A instituição tem forte presença regional e é considerada uma das principais ferramentas financeiras do governo local. Por isso, qualquer movimentação envolvendo a alta cúpula do banco costuma despertar reação de parlamentares, lideranças regionais e entidades representativas.

    O governo do Distrito Federal, ciente da importância do banco, deverá acompanhar de perto as investigações e garantir que o processo transcorra com total transparência. A atuação das lideranças políticas tende a priorizar a preservação da integridade institucional e a continuidade das políticas públicas que dependem do banco.

    Ao mesmo tempo, a situação pode abrir espaço para debates sobre governança corporativa de instituições financeiras públicas, mecanismos de controle interno e necessidade de aprimoramento de estruturas de compliance.

    Panorama regulatório e importância da supervisão

    O momento atual reforça a relevância dos mecanismos de supervisão no setor bancário. A atuação combinada de Banco Central, Ministério Público, Polícia Federal e órgãos de controle tem sido essencial para identificar e corrigir desvios, fortalecendo a integridade do sistema financeiro nacional.

    O caso do BRB se soma a outros episódios recentes que destacam a importância de práticas robustas de compliance, especialmente em ambientes de maior exposição a riscos. A supervisão avançada se tornou elemento indispensável diante de operações cada vez mais complexas e exigências crescentes de transparência.

    Embora o Brasil possua um dos sistemas bancários mais sólidos do mundo, sua estabilidade depende permanentemente da capacidade de detectar irregularidades e de agir rapidamente quando necessário.

    Próximos passos e expectativa do mercado

    A tendência é que o processo siga com a apuração completa dos fatos relacionados à Operação Compliance Zero. A depender do avanço das investigações, podem surgir medidas adicionais, seja no âmbito interno do BRB, seja no sistema de regulação e fiscalização.

    O mercado deve acompanhar de perto a evolução do caso, mas não há sinais de instabilidade estrutural na instituição. A principal expectativa é que o afastamento permita a condução das investigações com independência e que o banco mantenha a operação normal, reforçando sua governança e aprimorando seus mecanismos internos.

    O episódio também pode acelerar discussões sobre políticas de integridade no setor público, especialmente em empresas estatais com atuação financeira. A tendência é que os órgãos de controle intensifiquem o monitoramento sobre práticas internas, ampliando a transparência e fortalecendo padrões de compliance.

    Presidente do BRB é afastado após operação que prendeu chefe do Banco Master

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Haddad diz que liquidação do Banco Master é do BC e promete apoio


    Haddad afirma que liquidação do Banco Master é atribuição do BC e garante apoio da Fazenda ao processo

    O processo de liquidação extrajudicial do Banco Master continua a gerar repercussões políticas e econômicas em Brasília. No centro das discussões está a posição do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que reafirmou nesta terça-feira (18) que a condução integral do caso é de responsabilidade do Banco Central. Embora tenha evitado detalhes, o ministro indicou que a equipe econômica do governo está preparada para apoiar a autoridade monetária no que for necessário durante as próximas etapas da resolução.

    As declarações foram feitas poucas horas depois de dois movimentos decisivos relacionados ao Banco Master: a decretação da liquidação extrajudicial pela autoridade monetária e a prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, em operação realizada pela Polícia Federal em Guarulhos. O dia marcou um dos episódios mais relevantes da supervisão bancária recente e reacendeu debates sobre governança institucional, estabilidade financeira e o papel regulatório do Estado diante de problemas graves em instituições de menor porte.

    Haddad reforçou que eventuais implicações decorrentes da liquidação serão acompanhadas pela equipe econômica, mas destacou que o Banco Central detém autonomia técnica para conduzir o processo, avaliar passivos, nomear liquidantes e promover as ações necessárias para garantir segurança aos clientes e ao mercado financeiro.

    Governo sinaliza apoio, mas mantém distância técnica do caso

    A posição do ministro segue a linha histórica de atuação em situações de resolução bancária. Em um regime de liquidação extrajudicial, cabe ao Banco Central diagnosticar a inviabilidade da instituição, suspender suas operações, nomear o responsável pela liquidação e conduzir os desdobramentos com base na Lei do Sistema Financeiro Nacional.

    Segundo Haddad, o Ministério da Fazenda se manterá atento aos possíveis efeitos colaterais, especialmente no que diz respeito à estabilidade do sistema financeiro e ao funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já foi acionado. A liquidação do Banco Master exige monitoramento cuidadoso devido ao impacto que pode gerar sobre clientes, credores e operações do setor bancário de médio porte.

    A declaração do ministro representa um ponto de equilíbrio entre respaldo institucional e respeito à autonomia do Banco Central. Para a equipe econômica, o objetivo é manter a estabilidade financeira e assegurar que o processo ocorra de forma organizada, sem ruídos que comprometam a credibilidade do sistema.

    Prisão de Daniel Vorcaro provoca repercussões adicionais no processo

    A prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, aconteceu na manhã em que a liquidação extrajudicial foi anunciada. O empresário foi detido em Guarulhos, o que adiciona um elemento de maior complexidade ao momento da instituição. a situação afeta diretamente a percepção pública sobre a solidez da estrutura societária do banco e tende a provocar impacto na avaliação de ativos e passivos.

    O episódio amplia a necessidade de uma condução rigorosa do processo de liquidação. A liquidante nomeada pelo Banco Central deverá considerar os desdobramentos criminais em andamento durante a análise detalhada do patrimônio, das operações internas e de eventuais responsabilidades civis do controlador.

    A investigação envolvendo Vorcaro torna o processo ainda mais delicado, exigindo coordenação entre Banco Central, Ministério da Fazenda, órgãos de investigação e demais entidades financeiras. Mesmo sem comentar a prisão em si, Haddad reforçou que confia no trabalho das autoridades responsáveis e reiterou que os órgãos técnicos do governo federal estão preparados para atuar caso haja externalidades relevantes.

    Decisão do Banco Central reforça rigor da supervisão bancária

    A liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central encerra, de maneira definitiva, a operação do Banco Master no sistema financeiro. O regime paralisa operações, declara o vencimento antecipado das obrigações, suspende os contratos vigentes e transfere o controle operacional para a entidade liquidante.

    A decisão demonstra o esforço da autoridade monetária para manter a integridade do sistema financeiro e evitar que problemas internos se transformem em risco sistêmico. A liquidação do Banco Master ocorre após meses de monitoramento, tentativas frustradas de venda e fragilidade na condução da instituição.

    A decretação do regime especial indica que o Banco Central identificou desequilíbrio patrimonial relevante e ausência de perspectiva de recuperação sustentável. Ainda que severa, a medida protege clientes, preserva o mercado de crédito e reforça a confiança na supervisão regulatória.

    FGC assume papel central na proteção dos clientes do Banco Master

    Com o início da liquidação extrajudicial, o Fundo Garantidor de Créditos foi automaticamente acionado e passa a assumir a responsabilidade pelo ressarcimento de clientes enquadrados nas modalidades cobertas pelo fundo. O FGC garante depósitos e determinados tipos de investimentos até o limite estabelecido por legislação e regulamento.

    Para milhões de brasileiros, o FGC funciona como o principal mecanismo de proteção em momentos como este. No caso do Banco Master, o fundo já iniciou o processo de verificação de contas, conferência de saldos e preparação dos procedimentos para pagamento. A entidade costuma divulgar orientações públicas ao longo do processo, explicando critérios de elegibilidade, prazos e etapas.

    A atuação do FGC reduz significativamente o risco para pequenos depositantes e garante a continuidade da confiança no mercado bancário. Entretanto, credores que não se enquadram nas modalidades cobertas seguirão a ordem legal de prioridade estabelecida para processos de liquidação.

    Papel da Fazenda se concentra na mitigação de impactos macroeconômicos

    Embora a condução técnica seja responsabilidade exclusiva do Banco Central, o Ministério da Fazenda acompanha possíveis efeitos indiretos, especialmente no que se refere à oferta de crédito, à confiança do sistema e à repercussão fiscal em eventual necessidade de reorganização mais ampla — cenário que, neste caso, não está previsto.

    Segundo Haddad, a Fazenda está “pronta para colaborar” nos aspectos que envolvem as consequências da liquidação. Isso inclui apoio institucional, monitoramento dos mecanismos de seguro financeiro e coordenação com órgãos de supervisão quando necessário. A sinalização do ministro tem o objetivo de evitar interpretações alarmistas e reforçar que o governo acompanha o caso com atenção, mas respeitando as competências de cada instituição.

    Impactos políticos e econômicos da liquidação

    A liquidação do Banco Master ocorre em um momento de maior atenção ao setor financeiro e reacende debates sobre governança bancária, supervisão contínua e mecanismos de prevenção de crises. Para o governo federal, a postura adotada busca transmitir segurança ao mercado e afastar qualquer percepção de instabilidade.

    Politicamente, o episódio tende a alimentar discussões sobre autonomia do Banco Central e relação entre política monetária e política fiscal. Haddad, ao reforçar que não comentaria o mérito da decisão, sinalizou o compromisso do Executivo em manter distanciamento da esfera técnica, evitando conflitos institucionais.

    Do ponto de vista econômico, a liquidação extrajudicial de um banco de médio porte, combinada à prisão do seu controlador, funciona como alerta para reforçar os controles internos e os mecanismos de governança entre instituições financeiras menores.

    A solidez do sistema bancário brasileiro e a perspectiva para os próximos meses

    Apesar do episódio envolvendo o Banco Master, o sistema bancário brasileiro segue robusto, altamente capitalizado e sujeito a um conjunto de normas rigorosas. Os indicadores divulgados pelo Banco Central mostram que a maior parte das instituições apresenta níveis adequados de capital, liquidez e qualidade de crédito.

    A liquidação do Master não altera esse cenário, mas reforça a importância de uma política regulatória firme e preventiva. Para analistas, o episódio servirá como estudo de caso para aprimorar ainda mais as práticas de supervisão, especialmente no segmento das instituições de médio porte, onde problemas de gestão podem gerar consequências aceleradas.

    Nos próximos meses, a expectativa é de que o Banco Central e a liquidante mantenham comunicação periódica a respeito das etapas do processo, listagens de credores, procedimentos do FGC e andamento dos trabalhos. A conclusão da liquidação depende da alienação total dos ativos e da solução definitiva das obrigações restantes.

    Um desfecho que reforça a centralidade do Banco Central no sistema financeiro

    O episódio envolvendo a liquidação extrajudicial do Banco Master evidencia a função essencial do Banco Central como garantidor da segurança bancária e regulador final do sistema. A decisão reforça mecanismos de prevenção, proteção ao crédito interno e preservação da confiança pública.

    Ao se posicionar de forma equilibrada, Fernando Haddad mostra que o governo federal atua em parceria institucional com o Banco Central, mas preserva sua autonomia técnica. A mensagem para o mercado é clara: a liquidação está sob controle, será conduzida com rigor e não representa risco para a estabilidade financeira do país.

    Haddad diz que liquidação do Banco Master é do BC e promete apoio

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia