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  • Base de Lula admite falta de votos para Messias no STF


    Base de apoio de Lula admite dificuldades para aprovar Messias ao STF e vê cenário político mais complexo no Senado

    A indicação de um novo ministro ao STF tornou-se um dos temas centrais da articulação política em Brasília. A movimentação envolve diretamente o Palácio do Planalto, senadores governistas, líderes partidários e figuras influentes no tabuleiro institucional do país. Apesar da expectativa inicial de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminharia rapidamente o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga aberta na Corte, a base aliada no Senado avalia que o cenário, hoje, não lhe é favorável.

    A leitura entre governistas é de que Messias ainda não reúne os 41 votos necessários para ser aprovado no plenário, número mínimo exigido para uma indicação ao STF. Essa percepção ganhou força logo após a votação que reconduziu Paulo Gonet ao comando da Procuradoria-Geral da República, um teste preliminar considerado relevante pelo governo.

    Embora a recondução tenha sido aprovada por ampla margem, o movimento para levar Messias ao Supremo exige costuras mais complexas. O processo depende de acordos multilaterais, concessões políticas e, sobretudo, da influência de personagens estratégicos no Senado, como Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e principal articulador nas sabatinas que antecedem as indicações ao STF.

    A seguir, uma análise aprofundada do contexto político, das resistências, das negociações em curso e dos cálculos internos que moldam a disputa pela próxima cadeira do Supremo Tribunal Federal.


    Avanços e travas após a recondução de Paulo Gonet

    A aprovação de Paulo Gonet para mais dois anos à frente da PGR é vista dentro da base governista como um alívio momentâneo. Por um lado, demonstrou que a articulação entre Palácio do Planalto e Senado permanece operante. Por outro, expôs fragilidades importantes.

    A avaliação recorrente entre parlamentares aliados é que Gonet representava uma candidatura menos controvertida do que a indicação ao STF. Seu nome enfrentava resistências menores e teve apoio firme de Alcolumbre desde o início. Esse apoio foi decisivo para consolidar o placar final.

    Mas, para o caso de Jorge Messias, o cenário se complica. Apesar de ser bem avaliado dentro do governo e considerado um quadro técnico de confiança do presidente Lula, Messias não é unanimidade entre senadores – inclusive entre aqueles que compõem formalmente a base de apoio do governo.

    Segundo integrantes do bloco governista, há divergências internas sobre o perfil considerado ideal para ocupar uma vaga no STF. Parte dos parlamentares defende que, em meio a um ambiente político polarizado e com temas sensíveis tramitando na Corte, é necessário um indicado de perfil mais político, com histórico de articulação e trânsito mais fluido nas forças do Congresso. Outros entendem que Messias é justamente o nome capaz de recompor a interlocução entre governo e Judiciário.

    A falta de consenso dentro da própria base é o primeiro entrave relevante.


    Dependência do acordo com Davi Alcolumbre

    Entre todos os fatores que pesam na indicação, nenhum é tão determinante quanto a posição de Davi Alcolumbre.

    Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, o senador transformou a CCJ em um dos principais centros de poder do Congresso. Sua influência sobre sabatinas, articulações internas e votação de autoridades é notória. Por isso, a aprovação de qualquer indicado ao STF passa por ele.

    Interlocutores do governo reconhecem que, sem o apoio explícito de Alcolumbre, dificilmente Messias terá condições de avançar. Isso porque o parlamentar é o principal entusiasta da candidatura de Rodrigo Pacheco ao Supremo. O grupo político que orbita em torno de Alcolumbre vem trabalhando nos bastidores para viabilizar o nome do presidente do Senado.

    Essa disputa interna tem travado a definição. Para consolidar Messias, o Planalto precisará oferecer mais do que discursos: cargos, verbas, apoio político e compromissos com projetos específicos. A negociação é extensa e sensível, pois envolve equilíbrios delicados entre governo e Senado.

    Alcolumbre não se opõe frontalmente a Messias, mas deixa claro que só apoiará o nome caso haja compensações robustas ou um acordo mais amplo que garanta espaço para sua influência na sucessão da Corte.


    A oposição vê oportunidade em manter o impasse

    No campo oposicionista, o clima é de observação estratégica. Para esse grupo, adiar ao máximo o anúncio oficial da indicação seria vantajoso. Argumentam que Lula não teria interesse em tensionar o ambiente político enquanto tramita no Congresso uma série de propostas essenciais ao governo.

    A oposição aposta que o presidente adia o envio do nome ao STF justamente para evitar reações negativas dentro do Parlamento, especialmente diante de votações apertadas e projetos sensíveis que precisam de apoio amplo. Alguns opositores avaliam que, se Messias for anunciado antes do tempo, uma parcela de senadores pode retaliar, travando outras pautas importantes.

    Além disso, oposicionistas afirmam que o ambiente político dentro do Senado não favorece Messias. Eles destacam a influência crescente de lideranças que não integram o campo governista e que podem articular votos contrários, encurtando as opções do Planalto.


    A variável Kassab e o impacto em Minas Gerais

    Outro elemento que complexifica o cenário é o movimento do PSD, partido de Rodrigo Pacheco. A filiação do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, ao PSD é vista por governistas como um gesto que atrapalha os planos de Lula para apoiar Pacheco em uma eventual candidatura ao governo do estado em 2026.

    Esse gesto interno dentro do PSD confundiu o tabuleiro político. A expectativa de parte do governo era transformar o apoio a Pacheco em moeda de troca para negociações futuras, incluindo a vaga no STF. Entretanto, o novo quadro em Minas Gerais abre outras possibilidades e reduz o espaço para acordos diretos.

    Esse rearranjo interno torna ainda mais desafiadora a tentativa de convencer Pacheco e Alcolumbre a abrirem mão da articulação por uma vaga na Corte.


    A estratégia do Planalto: tempo como ativo político

    Apesar das dificuldades, Lula não descarta Messias. Pelo contrário. A leitura feita por figuras próximas ao presidente é que ele já teria tomado a decisão interna sobre quem deseja ver no STF, restando apenas alinhar as condições políticas externas necessárias para garantir a aprovação no Senado.

    Isso inclui um processo amplo de conversas que envolve:

    • líderes partidários,

    • presidentes de comissões,

    • ministros com trânsito no Congresso,

    • e atores centrais na formação de maiorias.

    Interferências externas, como a grande operação policial no Rio de Janeiro durante viagem presidencial e a abertura da COP30 em Belém, retardaram esse processo. Mas o governo segue trabalhando nos bastidores para consolidar votos.


    Messias hoje não tem votos suficientes – e essa é a maior preocupação do governo

    A leitura mais sincera entre governistas é que, hoje, Messias não teria os 41 votos necessários. Essa é a conclusão quase unânime do bloco aliado.

    A base admite que, se Lula estivesse confiante de que Messias teria aprovação tranquila, já teria encaminhado o nome ao Senado. O fato de o presidente não ter anunciado a indicação é visto como um sinal claro de que o clima não está maduro.

    No mapa atual de votos, Messias apresenta dificuldades em conquistar apoio entre independentes e parte do centrão. Não é rejeitado, mas não é consenso. Em um ambiente político fragmentado, isso faz diferença.

    Senadores experientes dizem que ninguém pretende desrespeitar o AGU, mas que uma indicação ao STF exige força política, influência e equilíbrio interno — e, neste momento, faltariam alguns desses elementos.


    O papel do STF e a necessidade de recompor a relação institucional

    A indicação ao Supremo não é apenas uma escolha jurídica, mas também política. O STF ocupa espaço central na vida institucional do país e, nos últimos anos, ampliou sua influência sobre temas que vão de políticas públicas a conflitos federativos.

    Para o governo, é importante que o próximo ministro seja alguém capaz de:

    Messias, para o Planalto, é esse nome. Para parte do Senado, ainda é preciso convencimento adicional.


    A disputa segue aberta — e o desfecho dependerá da articulação nas próximas semanas

    Os próximos passos serão decisivos. O governo trabalha para construir uma base sólida capaz de aprovar o nome sem ruídos excessivos. A oposição seguirá monitorando o clima e buscando oportunidades de dificultar o processo.

    O Senado, por sua vez, continuará sendo o principal campo de batalha.

    A vaga no STF é estratégica, e o desfecho da disputa trará efeitos diretos sobre o futuro do governo Lula, sobre a dinâmica do Congresso e sobre o próprio equilíbrio institucional no país.

    Base de Lula admite falta de votos para Messias no STF

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • COP30 Belém: Lula reúne 40 líderes mundiais e projeta Brasil como potência da economia verde


    COP30 Belém reúne líderes globais e consolida papel estratégico do Brasil na diplomacia climática

    Por Gazeta Mercantil
    Belém (PA) — O Brasil assume nesta quinta-feira (6) o centro das atenções mundiais ao sediar a Cúpula de Líderes da COP30, encontro que marca o início das discussões políticas e econômicas da conferência do clima das Nações Unidas. Com a presença de mais de 40 chefes de Estado e delegações de mais de 170 países, a cidade de Belém se transforma no epicentro da diplomacia ambiental global.

    A reunião, que antecipa a COP30 — prevista oficialmente para 2026 —, reforça a estratégia do governo brasileiro de reposicionar o país como protagonista nas negociações internacionais sobre transição energética, comércio verde e preservação da Amazônia.


    Brasil busca liderança econômica no debate climático

    Mais do que um evento ambiental, a COP30 Belém é vista como um marco geopolítico e econômico. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende usar o encontro como vitrine da política externa brasileira, aproximando aliados estratégicos e atraindo novos investimentos em energia limpa e infraestrutura sustentável.

    Nos bastidores, diplomatas confirmam que o foco principal será a financiamento climático — um tema que envolve diretamente bancos multilaterais e grandes fundos soberanos. O Brasil tenta liderar a pauta de créditos de carbono e pagamentos por serviços ambientais, buscando transformar a conservação da floresta amazônica em ativo econômico.

    A presença confirmada de líderes europeus e africanos reforça essa estratégia. França, Alemanha e Noruega — grandes financiadores de iniciativas ambientais — sinalizaram apoio a uma governança internacional que recompense países que preservam biomas estratégicos.


    Lula recebe mais de 40 chefes de Estado e governo

    A Cúpula de Líderes da COP30 conta com a presença de Emmanuel Macron (França), Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), além de representantes do Reino Unido, Alemanha, Portugal, Noruega e outras nações-chave para o debate climático.

    A ausência de nomes como Donald Trump (EUA), Xi Jinping (China) e Javier Milei (Argentina) foi interpretada por analistas como um gesto político calculado — especialmente no contexto da crescente rivalidade entre Washington e Pequim. Ainda assim, o alto número de participantes confirma a força diplomática do evento e a capacidade de mobilização brasileira.


    Presença britânica e europeia reforça confiança em Lula

    Entre os destaques, a presença do Príncipe William, representando o rei Charles III, simboliza o engajamento do Reino Unido com a pauta ambiental. O novo primeiro-ministro britânico Keir Starmer também marca presença, demonstrando alinhamento com a proposta de um mercado global de carbono supervisionado pela ONU.

    Da Europa, também participam o chanceler alemão Friedrich Merz, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e o francês Emmanuel Macron, que devem se reunir com Lula para discutir a retomada do acordo comercial Mercosul-União Europeia, travado por cláusulas ambientais.


    Geopolítica e economia verde se cruzam em Belém

    O evento em Belém não é apenas uma cúpula climática: é um tabuleiro de geopolítica econômica. Com a guerra comercial entre EUA e China afetando cadeias de suprimentos globais, o Brasil tenta ocupar um espaço intermediário — oferecendo-se como parceiro estratégico para a reindustrialização verde.

    O Itamaraty aposta na COP30 como vitrine para atrair empresas de tecnologia limpa, energia solar, hidrogênio verde e biocombustíveis. Segundo fontes do governo, há negociações com companhias da Alemanha, Japão e Emirados Árabes para instalação de hubs de energia sustentável na Amazônia.

    Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve anunciar novos mecanismos de financiamento voltados à transição energética, conectando projetos regionais ao mercado internacional de carbono.


    Ausências e tensões diplomáticas

    A ausência dos presidentes Donald Trump, Xi Jinping e Javier Milei reflete divisões políticas globais e diferenças de estratégia em relação à transição energética.

    Os Estados Unidos optaram por não enviar representantes de alto escalão, mantendo apenas uma delegação técnica. A China, por sua vez, enviou o vice-primeiro-ministro Ding Xuexiang, em sinal de moderação e interesse em acompanhar de perto as negociações multilaterais.

    Analistas apontam que o Brasil tenta capitalizar essas ausências reforçando sua imagem de mediador entre o Norte e o Sul global. A mensagem de Lula, segundo diplomatas, é clara: o Brasil quer ser ponte entre economias desenvolvidas e emergentes em torno de um novo pacto verde global.


    Líderes e autoridades confirmadas na COP30 Belém

    Chefes de Estado

    • França – Emmanuel Macron

    • Chile – Gabriel Boric Font

    • Colômbia – Gustavo Petro

    • África do Sul – Cyril Ramaphosa

    • Finlândia – Alexander Stubb

    • Guiana – Irfaan Ali

    • Honduras – Xiomara Castro

    • Moçambique – Daniel Francisco Chapo

    • Namíbia – Netumbo Nandi-Ndaitwah

    • República Democrática do Congo – Félix Tshisekedi Tshilombo

    • Suécia – Rei Carl XVI Gustaf e Rainha Silvia

    • Suriname – Jennifer Simons

    • Mônaco – Príncipe Alberto II

    Chefes de Governo

    • Alemanha – Friedrich Merz

    • Espanha – Pedro Sánchez

    • Reino Unido – Keir Starmer

    • Portugal – Luís Montenegro

    • Noruega – Jonas Gahr Støre

    • Países Baixos – Dick Schoof

    • Irlanda – Micheál Martin

    • Papua-Nova Guiné – James Marape

    • Barbados – Mia Amor Mottley

    Vice-presidentes

    • Nigéria – Kashim Shettima

    • Quênia – Kithure Kindiki

    • Turquia – Cevdet Yilmaz

    • Benin – Chabi Talata

    • Iêmen – Tarik Saleh

    Vice-primeiros-ministros

    • China – Ding Xuexiang

    • Itália – Antonio Tajani

    • Cuba – Eduardo Martínez Díaz

    • Eslovênia – Tanja Fajon

    • Lesoto – Nthomeng Majara

    • Somália – Salah Ahmed Jama

    Chefes de Organizações Internacionais

    • Banco Mundial – Ajay Banga (Presidente)

    • Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) – Ilan Goldfajn

    • Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) – Sérgio Díaz-Granados

    • NDB – Dilma Rousseff (Presidenta)

    • FAO – Qu Dongyu (Diretor-Geral)

    • OMS – Tedros Adhanom Ghebreyesus (Diretor-Geral)

    • OMC – Ngozi Okonjo-Iweala (Diretora-Geral)

    • UNICEF – Catherine Russell (Diretora-Executiva)

    • UN-Habitat – Anacláudia Rossbach (Subsecretária-Geral da ONU)

    • PNUD – Haoliang Xu (Administrador interino)


    Amazônia no centro da agenda

    Durante os painéis temáticos, Lula deve apresentar uma nova proposta de cooperação internacional para financiar projetos sustentáveis na Amazônia Legal, em parceria com países da Bacia do Congo e do Sudeste Asiático. A ideia é criar um “Fundo do Sul Global”, voltado para a conservação florestal e geração de emprego verde.

    Além disso, o Brasil pretende liderar um acordo para precificar o carbono florestal, criando um mercado regulado que valorize áreas preservadas. Esse mecanismo é visto como essencial para atrair capital privado e tornar a economia de baixo carbono financeiramente viável.


    Belém, vitrine da transição verde

    A escolha de Belém como sede da COP30 foi estratégica. A cidade representa o símbolo da integração entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

    Infraestrutura, segurança e logística foram reforçadas para o evento, com apoio das Forças Armadas e de agências internacionais. Segundo o Itamaraty, a presença de mais de 10 mil participantes oficiais e cerca de 30 mil visitantes deve movimentar a economia local e projetar o Pará como polo de inovação ambiental.


    Brasil no centro das negociações globais

    O encontro em Belém marca a consolidação da imagem do Brasil como liderança emergente na diplomacia climática. A estratégia é usar o peso político regional e a credibilidade ambiental do país para negociar acordos que conciliem sustentabilidade e crescimento econômico.

    Para diplomatas, o país assume um papel semelhante ao da França durante o Acordo de Paris: o de articulador global. O sucesso do evento pode fortalecer o discurso brasileiro em fóruns econômicos e ampliar o poder de barganha em acordos comerciais.



    COP30 Belém: Lula reúne 40 líderes mundiais e projeta Brasil como potência da economia verde

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia