Tag: mudanças climáticas

  • COP-30 aponta eliminação dos combustíveis fósseis como inevitável


    COP-30: eliminação dos combustíveis fósseis é “questão de tempo”, afirma coordenadora científica

    A discussão sobre a eliminação dos combustíveis fósseis ganhou novo fôlego após a participação da cientista brasileira Thelma Krug no Congresso de Iniciação Científica da Unesp, evento que ocorreu poucos dias depois do encerramento da COP-30, em Belém. Reconhecida internacionalmente por sua atuação no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e como coordenadora científica da conferência climática, ela apresentou uma avaliação otimista sobre os avanços multilaterais, reforçando que a transição para sistemas energéticos de baixo carbono já está em curso e tende a acelerar na próxima década.

    A visão da pesquisadora ecoa debates ocorridos durante a conferência, marcada por intensas negociações envolvendo países desenvolvidos e em desenvolvimento. Na avaliação da especialista, ainda que o encontro não tenha produzido um roteiro definitivo para a eliminação dos combustíveis fósseis, o movimento torna-se cada vez mais inevitável à medida que tecnologias renováveis se tornam mais acessíveis e competitivas. Segundo ela, a queda gradual da demanda global criará um cenário em que a substituição total dos combustíveis altamente poluentes ocorrerá de forma natural e irreversível.

    O posicionamento da coordenadora científica reflete o ambiente observado na COP-30, que reuniu governantes, cientistas, representantes empresariais e organizações da sociedade civil em um dos encontros mais estratégicos do calendário internacional. O evento reforçou a necessidade de acelerar medidas de mitigação, ampliar mecanismos de adaptação e financiar países vulneráveis diante das mudanças climáticas.


    Uma nova geração de cientistas e o papel da pesquisa acadêmica

    Avanço Das Negociações Climáticas Reforça Transição Energética E Projeta Novo Cenário Global - Gazeta Mercantil

    O Congresso de Iniciação Científica da Unesp, realizado em Águas de Lindoia, reuniu 460 participantes, entre eles mais de 350 graduandos de diversas instituições brasileiras. Para essa plateia majoritariamente jovem, Krug destacou a importância de compreender o momento de inflexão pelo qual passa o planeta. A apresentação, marcada por dados científicos detalhados, abordou desde projeções de aquecimento global até os impactos socioeconômicos decorrentes da continuidade de modelos energéticos baseados em combustíveis fósseis.

    A pesquisadora enfatizou que, embora a eliminação completa dos combustíveis poluentes ainda demande tempo, a transição já está em andamento. Países desenvolvidos têm acelerado a substituição de fontes altamente emissoras por alternativas como energia nuclear e gás natural, considerado menos poluente. Esse movimento evidencia a busca global por reduzir emissões e diversificar matrizes energéticas.

    A mensagem transmitida aos estudantes foi recebida como parte de uma agenda que valoriza a ciência, o pensamento crítico e a autonomia intelectual para enfrentar desafios climáticos crescentes. Segundo Krug, a nova geração deve desempenhar papel essencial na formulação de soluções, na pesquisa acadêmica e na defesa de políticas públicas alinhadas à sustentabilidade.


    Mudanças climáticas em cenário global de extremos

    Ao discutir o estado atual das mudanças climáticas, Thelma Krug apresentou um panorama abrangente. O planeta vive uma era de extremos, marcada por ondas de calor severas, secas prolongadas, eventos climáticos intensos e perda acelerada de biodiversidade. Esses fenômenos refletem a urgência em reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, responsáveis por parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa.

    A pesquisadora destacou que o ritmo de aquecimento atual supera projeções iniciais e que a janela de oportunidade para limitar o aumento da temperatura global está se estreitando. Países vulneráveis, especialmente em regiões tropicais, enfrentam desafios desproporcionais, com impactos diretos sobre agricultura, segurança hídrica, saúde pública e infraestrutura.

    Durante sua exposição, ela ressaltou que as medidas de mitigação devem ser complementadas por políticas robustas de adaptação. Essa combinação será crucial para garantir resiliência diante de eventos climáticos extremos que tendem a se intensificar caso o uso de combustíveis fósseis não seja drasticamente reduzido nos próximos anos.


    COP-30: avanços, negociações e expectativas para o futuro

    A COP-30, sediada em Belém, alcançou avanços significativos, mesmo sem apresentar o roteiro final para a eliminação dos combustíveis fósseis. Entre os resultados mais relevantes, destacam-se a ampliação do financiamento climático e a incorporação de novos mecanismos de transparência para monitoramento de emissões.

    A participação ativa do Brasil reforçou o protagonismo do país no debate ambiental internacional. Ao sediar a conferência, o país buscou evidenciar sua capacidade de liderar iniciativas de preservação e demonstrar o potencial da bioeconomia amazônica como alternativa econômica sustentável.

    Thelma Krug enfatizou que, apesar das lacunas ainda existentes, o caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis já está traçado. A transição depende de financiamento adequado, cooperação internacional e compromisso político. Nos bastidores da conferência, delegações sinalizaram disposição para fortalecer metas climáticas, embora divergências persistam sobre prazos e responsabilidades.


    Alternativas ao uso de combustíveis fósseis e os desafios da transição energética

    A substituição dos combustíveis fósseis passa por múltiplas frentes tecnológicas. Energias solar e eólica continuam liderando o crescimento global, impulsionadas por inovadoras técnicas de captação, armazenamento e distribuição. A queda no custo de produção dessas fontes tem acelerado sua adoção por países desenvolvidos e emergentes.

    Além disso, investimentos em tecnologia de hidrogênio verde conquistam apoio de governos e empresas, representando potencial disruptivo na substituição de combustíveis intensivos em carbono. A energia nuclear, considerada por alguns especialistas como solução de transição, também integra o debate por ser uma fonte livre de emissões diretas.

    Entretanto, a transição não ocorre sem desafios. Países dependentes da exportação de combustíveis fósseis enfrentam riscos econômicos; setores intensivos em carbono precisarão se adaptar; e populações vulneráveis exigem políticas que garantam justiça climática e acesso justo a novas tecnologias.


    Educação, ciência e comunicação em tempos de desinformação

    A fala de Thelma Krug ocorreu em um congresso que abordou também temas como desinformação, saúde mental no ensino superior, inteligência artificial na pesquisa, guerras culturais e comunicação científica. O contexto reforça a necessidade de fortalecer a educação científica em um momento em que discursos negacionistas e informações falsas dificultam o avanço das políticas ambientais.

    Pesquisadores convidados destacaram que, em uma era de extremos, a defesa da ciência precisa ser acompanhada de estratégias eficazes de comunicação. A sociedade demanda informações claras e confiáveis sobre os impactos dos combustíveis fósseis, as consequências da inação climática e as possibilidades de construção de um futuro sustentável.


    A nova geração e os desafios da descarbonização

    A presença de jovens pesquisadores no CIC Unesp revela interesse crescente por temas ambientais e pelo papel da ciência na formulação de políticas públicas. Segundo a organização do congresso, a nova geração está mais sensível às urgências climáticas e mais disposta a se engajar em projetos que dialogam com sustentabilidade, inovação e justiça social.

    Essa mobilização é essencial, sobretudo quando a eliminação dos combustíveis fósseis exige abordagens interdisciplinares e coordenação entre governos, empresas, universidades e sociedade civil. A transição energética precisa ser inclusiva, equilibrada e estrategicamente planejada para evitar desequilíbrios sociais.


    A responsabilidade dos países desenvolvidos e o papel do Brasil

    Thelma Krug destacou que países desenvolvidos já iniciaram seu processo de substituição, migrando para fontes menos intensivas em carbono. Ainda assim, essas nações têm responsabilidade histórica e capacidade financeira para liderar ações mais contundentes.

    O Brasil, por sua vez, possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e potencial extraordinário para expandir energias renováveis. Com vastos recursos naturais, capacidade científica e crescente protagonismo internacional, o país pode se posicionar como referência em transição energética, bioeconomia e redução do uso de combustíveis fósseis.


    Considerações finais

    A afirmação de que a eliminação dos combustíveis fósseis é “questão de tempo” revela confiança no avanço tecnológico e no compromisso global com a redução das emissões. Embora desafios geopolíticos, econômicos e regulatórios persistam, o movimento rumo à descarbonização é irreversível. O futuro dependerá da capacidade dos países de conciliar desenvolvimento, sustentabilidade e justiça climática.

    A participação de Thelma Krug em um congresso voltado à formação de novos cientistas reforça o papel da educação na construção de soluções. A transição energética, inevitável e urgente, será moldada por essa geração que cresce em meio a transformações aceleradas e desafios complexos.

    COP-30 aponta eliminação dos combustíveis fósseis como inevitável

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Lula na COP30 critica negacionismo climático e cobra ação global contra o aquecimento


    Lula defende combate ao negacionismo climático e alerta para tragédias ambientais na COP30

    Durante o discurso de abertura da COP30, realizada em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que chegou o momento de “impor uma nova derrota aos negacionistas” do clima. Em uma fala marcada por críticas a líderes globais que resistem à agenda ambiental, Lula destacou os impactos já visíveis das mudanças climáticas e defendeu o papel do Brasil como protagonista na transição ecológica global.

    O evento, que reúne delegações de mais de 190 países, segue até o dia 21 de novembro, e tem como foco central o cumprimento das metas do Acordo de Paris e a ampliação dos compromissos de descarbonização. A fala de Lula na COP30 reafirmou o tom diplomático do governo brasileiro diante do cenário internacional, mas também trouxe uma mensagem política clara: o combate à desinformação e à negação científica será parte da política climática nacional.


    “É hora de impor nova derrota aos negacionistas”, afirma Lula na COP30

    O presidente usou o palco da COP30 para alertar sobre o avanço do negacionismo climático e o crescimento de discursos que minam os esforços científicos e institucionais na luta contra o aquecimento global. Sem citar nomes, Lula criticou “os obscurantistas que controlam algoritmos e espalham ódio e medo”, numa referência indireta a líderes de extrema-direita que questionam a ação humana nas mudanças climáticas.

    Segundo o presidente, a resistência à agenda verde vem se intensificando em diversas partes do mundo, e o papel do Brasil é liderar o diálogo internacional pelo clima com base na ciência e na justiça social.

    A fala de Lula na COP30 ocorre em um momento de tensão geopolítica: países como Estados Unidos e Argentina decidiram não enviar delegações oficiais para o evento, o que reforça a polarização em torno da pauta ambiental. O presidente Donald Trump, por exemplo, ironizou a realização da conferência em Belém e criticou obras de infraestrutura associadas ao evento.


    Mudanças climáticas: o alerta sobre uma “tragédia do presente”

    Lula ressaltou que a crise climática já é uma tragédia em curso, e não apenas uma ameaça futura. Em seu discurso, citou o tornado que atingiu o Paraná, deixando seis mortos, e o furacão Melissa, que devastou o Caribe no fim de outubro, com cerca de 60 vítimas fatais.

    Para o presidente, essas tragédias exemplificam a urgência de acelerar as políticas ambientais e reduzir o consumo de combustíveis fósseis. “O aumento da temperatura global espalha dor e sofrimento, especialmente entre as populações mais vulneráveis”, afirmou, destacando o impacto desproporcional da crise climática sobre os países mais pobres.

    Os efeitos extremos do clima vêm se tornando mais frequentes: secas prolongadas, enchentes históricas, queimadas recordes e deslizamentos em regiões urbanas têm causado perdas humanas e econômicas bilionárias.


    O papel do Brasil como liderança ambiental global

    Desde o início do terceiro mandato, Lula tem buscado recolocar o Brasil como protagonista nas discussões climáticas internacionais. O país sediar a COP30 em Belém, no coração da Amazônia, reforça o simbolismo dessa estratégia — e projeta uma imagem de liderança na defesa da biodiversidade.

    O governo brasileiro tem apostado em políticas de redução do desmatamento, ampliação de energias renováveis e fortalecimento da bioeconomia amazônica. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, o desmatamento na Amazônia caiu 22% em 2024, consolidando o menor índice desde 2018.

    Durante o evento, Lula destacou que a preservação das florestas é também uma questão de soberania e desenvolvimento sustentável. A proposta é associar a conservação ambiental à geração de emprego, renda e tecnologia verde.

    O discurso reforça a imagem do Brasil como mediador entre as potências desenvolvidas e as nações em desenvolvimento — papel que o país desempenhou historicamente nas COPs anteriores.


    COP30: um desafio logístico e político em Belém

    Realizar a COP30 na Amazônia representou um desafio duplo: estrutural e diplomático. Lula reconheceu as dificuldades de organização em Belém, cidade que precisou de investimentos significativos em infraestrutura, transporte e segurança para receber chefes de Estado, ministros e delegações de centenas de países.

    Mas o governo tratou o evento como um marco político e simbólico. Pela primeira vez, uma conferência da ONU sobre o clima é realizada em plena região amazônica, área central do debate sobre o aquecimento global.

    O evento é presidido pelo embaixador André Corrêa do Lago, diplomata brasileiro e especialista em negociações ambientais. A expectativa é que a COP30 resulte em compromissos concretos de financiamento climático, especialmente em relação ao Fundo Amazônia e à compensação para países que preservam florestas tropicais.


    A crítica à lentidão na execução do Acordo de Paris

    Em um dos momentos centrais do discurso, Lula na COP30 alertou que, embora o mundo esteja “andando na direção certa”, a velocidade é insuficiente. O presidente lembrou que, sem o Acordo de Paris, o planeta estaria a caminho de um aquecimento de quase 5°C até o fim do século, mas que, no ritmo atual, ainda há risco de ultrapassar o limite de 1,5°C — considerado o ponto crítico pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

    A fala reforça a cobrança por ações concretas e metas mais ambiciosas de redução de emissões, especialmente por parte das nações ricas, responsáveis historicamente pela maior parte da poluição atmosférica.

    Lula reiterou que o Brasil continuará defendendo o financiamento internacional para a transição energética e a criação de mecanismos de compensação justa, que garantam recursos para países que protegem ecossistemas estratégicos.


    Negacionismo climático: o novo front da disputa política global

    O discurso de Lula na COP30 também reflete o embate entre ciência e negacionismo, que ganhou força com a ascensão de lideranças populistas. O termo “negacionistas climáticos” foi usado pelo presidente para se referir aos que rejeitam a influência humana sobre o aquecimento global, disseminando desinformação e atrasando políticas ambientais.

    Segundo analistas, a fala de Lula busca repolitizar a questão climática, colocando-a no centro do debate democrático. O presidente defende que enfrentar o negacionismo é essencial para proteger não apenas o meio ambiente, mas também a própria democracia, ameaçada por campanhas coordenadas de desinformação.

    O tema também tem relevância interna: o governo pretende reforçar políticas educacionais e de comunicação científica, estimulando a alfabetização ambiental e a participação social em decisões públicas.


    A COP30 e a oportunidade para o Brasil liderar uma agenda verde

    O Brasil chega à COP30 com credenciais fortes. O país tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo — com quase 90% da eletricidade proveniente de fontes renováveis — e um dos maiores potenciais de expansão em energia solar, eólica e biocombustíveis.

    A meta brasileira é atingir a neutralidade de carbono até 2050, com etapas intermediárias já em 2030. Além disso, o governo quer impulsionar a chamada “diplomacia da floresta”, reunindo países tropicais da América do Sul, África e Ásia para fortalecer o bloco ambiental no cenário global.

    Para os analistas internacionais, a COP30 é também um teste político para Lula, que precisa equilibrar o discurso ambiental com as pressões internas de setores produtivos — especialmente agronegócio e mineração —, que temem restrições excessivas.


    O Brasil no centro da nova geopolítica climática

    A fala de Lula na COP30 marca um momento estratégico para o Brasil. Ao denunciar o negacionismo climático e pedir uma nova vitória da ciência e da cooperação internacional, o presidente reforça a posição do país como mediador entre o Norte e o Sul Global.

    A conferência em Belém simboliza o retorno do Brasil à cena diplomática multilateral, após anos de afastamento da agenda climática. Com o evento sediado na Amazônia, o governo busca transformar o bioma em um motor de desenvolvimento sustentável e em símbolo global da resistência ao colapso climático.

    O desafio agora é transformar discurso em prática — com políticas públicas consistentes, investimentos em transição energética e uma mobilização permanente contra o negacionismo e a desinformação.

    Lula na COP30 critica negacionismo climático e cobra ação global contra o aquecimento

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Lula critica ausência de líderes mundiais na COP30 e defende investimento no clima


    Lula critica ausência de líderes mundiais na COP30 e defende investimento no clima em vez de guerras

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu oficialmente, nesta segunda-feira (10), a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), com um discurso marcado por críticas contundentes à ausência dos líderes das maiores potências militares do planeta. Segundo Lula, os “homens que fazem guerra” — em referência a Estados Unidos, China e Rússia — deveriam estar presentes para compreender que investir em sustentabilidade é mais barato e eficaz do que financiar conflitos armados.

    O evento, que se estende até 21 de novembro, é considerado um dos maiores desafios logísticos já enfrentados pelo Brasil em conferências internacionais. Ao mesmo tempo, a realização da COP30 na Amazônia simboliza um marco político e ambiental: a tentativa de colocar o Brasil no centro do debate global sobre o futuro climático do planeta.


    Lula na COP30: crítica à ausência das potências militares

    Durante o discurso de abertura da COP30, o presidente Lula destacou a incoerência das principais potências mundiais ao gastar trilhões em armamentos, enquanto destinam recursos insuficientes para frear as mudanças climáticas.

    De acordo com ele, a humanidade enfrenta um paradoxo: enquanto as nações mais ricas investem US$ 2,7 trilhões em guerras, os US$ 1,3 trilhão necessários para conter o colapso climático seguem distantes de serem mobilizados. A ausência dos Estados Unidos (US$ 997 bilhões em gastos militares), da China (US$ 314 bilhões) e da Rússia (US$ 149 bilhões) na conferência foi vista pelo governo brasileiro como um sinal de descompromisso com o debate climático global.

    O presidente ressaltou que “os homens que fazem guerra” deveriam estar em Belém para compreender a urgência de uma política ambiental responsável, capaz de unir o mundo em torno da sobrevivência coletiva.


    Amazônia no centro do mundo: Belém como símbolo político e ambiental

    Ao escolher Belém como sede da COP30, o governo brasileiro buscou ressignificar o papel da Amazônia no debate climático internacional. A floresta, historicamente tratada como território de exploração e conflito, agora se transforma em palco global de decisões sobre o futuro do planeta.

    Para Lula, realizar a conferência na região amazônica é um ato político e simbólico, que demonstra o compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável e a inclusão das populações locais nas políticas ambientais.

    No entanto, o presidente reconheceu que a infraestrutura precária de Belém representa um grande desafio logístico, exigindo um esforço conjunto entre os governos federal, estadual e municipal. Segundo Lula, sediar a COP30 é uma prova de que o Brasil é capaz de realizar eventos globais de grande porte mesmo em regiões historicamente negligenciadas.


    Os bastidores da organização da COP30 em Belém

    A escolha de Belém do Pará para sediar a COP30 foi celebrada internacionalmente, mas também gerou críticas e questionamentos sobre a capacidade da cidade em receber milhares de delegações estrangeiras.

    Desde o anúncio oficial, o governo federal tem investido em melhorias urbanas, transporte público, segurança e comunicação digital para adequar a capital paraense às exigências da ONU. Obras de mobilidade urbana, saneamento e energia limpa estão em andamento, com o objetivo de transformar a cidade em referência sustentável na Amazônia.

    Segundo interlocutores do governo, a realização da conferência é também uma resposta política à pressão internacional por resultados concretos após a retomada do protagonismo brasileiro nas pautas ambientais.


    O discurso de Lula e a geopolítica do clima

    Ao discursar na abertura da COP30, Lula buscou reposicionar o Brasil como liderança do Sul Global no enfrentamento à crise climática. A fala do presidente teve tom diplomático e provocativo, cobrando dos países desenvolvidos o cumprimento dos compromissos firmados nos Acordos de Paris e em outras conferências climáticas.

    O líder brasileiro afirmou que “o planeta não aguenta mais discursos vazios” e que é necessário agir com coragem política para transformar as metas ambientais em ações concretas.

    A retórica de Lula reflete uma estratégia diplomática ambiciosa: consolidar o Brasil como mediador entre as potências do Norte e as economias emergentes do Sul. Essa posição, segundo especialistas, pode colocar o país em um papel de destaque nas negociações multilaterais sobre financiamento verde e preservação ambiental.


    Ausência das grandes potências militares e o impacto simbólico

    A ausência dos líderes dos Estados Unidos, China e Rússia na COP30 não passou despercebida. As três nações concentram os maiores gastos militares do planeta, mas também figuram entre as que mais emitem gases de efeito estufa (GEE).

    A ausência dos mandatários dessas potências foi interpretada por diplomatas brasileiros como um obstáculo à cooperação global. Para o governo, o combate à crise climática não pode avançar sem o comprometimento efetivo das maiores economias e principais emissores de carbono.

    Lula, ao mencionar diretamente o contraste entre os gastos com guerra e o investimento climático, reforçou o discurso pacifista e ambientalista que tem caracterizado sua gestão no cenário internacional.


    Belém como símbolo de desafio e superação

    Durante o evento, Lula reconheceu as limitações estruturais de Belém, mas destacou que o simbolismo de realizar a COP na Amazônia supera as dificuldades logísticas.

    Segundo o presidente, escolher Belém foi um ato de coragem política:

    • “Fazer a COP aqui é tão desafiador quanto acabar com a poluição no planeta”, afirmou.
      Ele enfatizou que o compromisso com a sustentabilidade e a inclusão social deve guiar as decisões globais, mesmo que isso exija enfrentar realidades complexas e desiguais.

    O governo federal aposta que a conferência deixará um legado duradouro para a região, impulsionando investimentos em infraestrutura, turismo sustentável e inovação tecnológica.


    A COP30 como vitrine internacional do Brasil

    A COP30 é vista pelo Palácio do Planalto como a principal vitrine internacional do governo Lula em 2025. A realização da conferência na Amazônia reforça a narrativa de que o Brasil voltou a ser referência mundial em políticas ambientais e de combate ao desmatamento.

    Nos últimos anos, o país registrou redução significativa nas taxas de desmatamento da Amazônia Legal, um resultado que o governo pretende apresentar como prova de compromisso com os objetivos climáticos globais.

    Além disso, a conferência abre espaço para o Brasil atrair investimentos estrangeiros em energia limpa, bioeconomia e reflorestamento, setores considerados estratégicos para a nova economia verde.


    A COP30 e os desafios da transição verde

    Entre os principais temas em debate na COP30, estão o financiamento climático, a transição energética justa e o comprometimento dos países ricos com o Fundo Verde para o Clima.

    O Brasil pretende defender a criação de um mecanismo global de compensação financeira para países que preservam biomas estratégicos, como a Amazônia. A proposta visa transformar a conservação ambiental em ativo econômico, incentivando governos e empresas a reduzir emissões e investir em sustentabilidade.

    Para Lula, a transição verde deve ser inclusiva e socialmente justa. Isso significa que o desenvolvimento sustentável precisa gerar emprego, renda e oportunidades para as populações que vivem nas regiões de floresta.


    Lula e a liderança ambiental do Brasil

    O discurso de Lula na COP30 consolida a estratégia de reposicionar o Brasil como liderança ambiental global. Desde o início de seu mandato, o presidente tem apostado em uma diplomacia climática ativa, participando de fóruns internacionais e pressionando as grandes potências por mais responsabilidade ambiental.

    O governo brasileiro também busca articular alianças regionais, como a Cúpula da Amazônia, que reuniu países vizinhos em torno de uma agenda comum de proteção da floresta e combate ao desmatamento ilegal.

    Com a COP30, Lula reforça sua imagem de líder global do clima, defendendo que o futuro do planeta passa pela preservação da Amazônia e pela cooperação entre as nações.


    Um chamado global à responsabilidade

    O discurso de Lula na COP30 é, ao mesmo tempo, um apelo político e moral. Ao questionar a ausência dos líderes das potências militares, o presidente provoca uma reflexão sobre as prioridades da humanidade: enquanto bilhões de dólares são gastos em armas e guerras, o planeta se aproxima de pontos irreversíveis de destruição ambiental.

    Ao sediar a COP30 na Amazônia, o Brasil assume um papel histórico: mostrar que o combate às mudanças climáticas exige coragem, investimento e solidariedade global.

    Com a conferência em Belém, Lula transforma o coração da floresta em centro das decisões sobre o futuro climático do planeta, reafirmando o compromisso brasileiro com a vida, a paz e a sustentabilidade.

    Lula critica ausência de líderes mundiais na COP30 e defende investimento no clima

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia