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  • Tarifaço de Trump: empresas que ganham com o alívio tarifário


    Tarifaço de Trump: empresas brasileiras que ganham com o alívio das tarifas voltam ao radar da Bolsa

    O recuo parcial do governo dos Estados Unidos no tarifaço de Trump reconfigurou o humor do mercado e recolocou os exportadores brasileiros no centro das projeções para 2026. Depois de meses de tensão comercial, setores inteiros voltam a enxergar espaço para recuperar margens, retomar contratos e reconstruir competitividade perdida durante a vigência da alíquota adicional de 40% imposta unilateralmente pelo governo americano.

    Mesmo que o tarifaço de Trump não tenha sido completamente desfeito, a ampliação da lista de exceções — que passou de cerca de 700 para mais de 900 produtos — mudou o quadro. Entre os itens beneficiados estão proteínas, café, frutas e parte dos produtos agropecuários que ocupam posições estratégicas na pauta exportadora do Brasil. A decisão devolve visibilidade ao agronegócio, impulsiona frigoríficos com exposição elevada aos Estados Unidos e fortalece setores que passaram meses operando sob pressão de preços e incertezas.

    O movimento ainda não foi suficiente para orientar o Ibovespa, que encerrou o pregão de sexta-feira em queda, alinhado ao ambiente global de aversão ao risco. Mas, para analistas, o desfecho da semana abre espaço para revisões positivas nas projeções de lucro de várias companhias que tiveram suas operações prejudicadas desde julho, quando a tarifa adicional foi anunciada.


    O impacto do tarifaço de Trump e a guinada mais recente

    O tarifaço de Trump surpreendeu o mercado ao atingir produtos sensíveis da economia brasileira. Carne bovina, café, banana, tomate e outras exportações relevantes passaram a enfrentar taxação equivalente a 40% sobre o valor importado, criando um desafio imediato para empresas e cooperativas que dependem do mercado americano.

    A mudança desta semana, porém, marcou um ponto de inflexão. A retirada de tarifas para proteínas, frutas e parte dos itens agrícolas devolve ao Brasil capacidade de competir com países que já haviam sido beneficiados em rodadas anteriores de flexibilização tarifária, como México, Austrália e alguns emergentes asiáticos.

    Para o agronegócio brasileiro, a decisão norte-americana significa reabertura de oportunidades em um dos mercados mais disputados do mundo. Mesmo sem revertê-lo integralmente, o alívio do tarifaço de Trump corrige distorções que vinham comprimindo margens e deslocando exportadores brasileiros em direção a destinos secundários.


    Proteínas lideram a lista de vencedores com o alívio no tarifaço de Trump

    Entre os setores imediatamente beneficiados estão os frigoríficos. A carne bovina foi uma das primeiras a ter a tarifa adicional retirada. Esse movimento reforça o papel da proteína brasileira nos Estados Unidos em um momento em que o mercado americano enfrenta oferta restrita de gado e preços domésticos em patamares elevados.

    A dinâmica cria uma vantagem competitiva importante para empresas nacionais. O Brasil tem condições de abastecer a demanda em volume, qualidade e custo, e a redução tarifária amplia os spreads de exportação — relação entre custos de produção e valores de venda — para as companhias com maior exposição ao mercado norte-americano.

    Dentro da Bolsa, os destaques são:

    Minerva (BEEF3)

    A companhia surge como a principal beneficiada. No terceiro trimestre, cerca de um quinto das vendas teve como destino os Estados Unidos. O fim da tarifa adicional tende a elevar volumes embarcados e reforçar margens, além de reaquecer contratos interrompidos em julho.

    JBS (JBSS32)

    Mesmo com presença global e diversificada, a JBS depende da normalização tarifária para otimizar suas operações de exportação. Com unidades produtivas integradas e forte capilaridade logística, a empresa deve capturar ganhos imediatos.

    MBRF (MBRF3)

    Com menor liquidez, mas presença relevante em mercados de nicho, a companhia também se beneficia do recuo parcial das tarifas.

    O tarifaço de Trump havia colocado todo o complexo de proteínas sob pressão. Agora, com o alívio parcial e a possibilidade de novas rodadas de flexibilização, os frigoríficos passam a operar em um ambiente menos adverso, com expectativa de maior fluxo de exportações nos próximos meses.


    Café volta ao centro do comércio internacional após o alívio tarifário

    O café brasileiro — liderança global consolidada — também reaparece entre os maiores beneficiados. A tarifa adicional pressionava exportadores de café arábica, cafés especiais e derivados industrializados, reduzindo a competitividade frente a países como Colômbia e Vietnã.

    Com o recuo parcial do tarifaço de Trump, duas forças devem atuar ao mesmo tempo:

    1. Normalização dos embarques, aliviando a escassez internacional.

    2. Correção gradual dos preços, que alcançaram patamares elevados devido à disrupção comercial.

    Mesmo que a oferta global siga apertada, a retomada das exportações tende a reduzir parte do ruído observado nos últimos meses. Internamente, o setor trabalha com preços sustentados, margem construtiva e perspectiva de redução do desconto histórico entre o café brasileiro e a cotação de referência na CBOT.

    Entre as ações listadas, a principal beneficiada no médio prazo é:

    Camil (CAML3)

    Embora com atuação mais diversificada, a companhia é vista por analistas como potencial vencedora em um ambiente de preços mais equilibrado e recomposição de margens para cafés especiais e derivados.


    Exportações para os EUA: 55% agora livres do tarifaço de Trump

    Estimativas recentes indicam que 55,4% das exportações brasileiras para os Estados Unidos já estão isentas da tarifa adicional de 40%, um salto expressivo em comparação aos 44,6% registrados no anúncio inicial.

    O dado mostra que o gesto do governo americano não é pontual, mas parte de um movimento mais amplo de revisão tarifária. Para empresas listadas na B3, isso significa reprecificação de ativos, redução da volatilidade setorial e perspectiva de melhora nos resultados operacionais de 2026.

    O tarifaço de Trump ainda está longe de terminar, mas o alívio parcial já produz efeitos perceptíveis:

    • Reabertura de contratos suspensos.

    • Aumento do apetite de traders internacionais.

    • Redução de risco operacional.

    • Sinais de recomposição de margens.


    Quem ainda perde com o tarifaço de Trump

    Se por um lado o agronegócio respira, setores industriais seguem sob impacto direto. Metalurgia, siderurgia e bens de capital — segmentos estratégicos do setor produtivo brasileiro — continuam enfrentando tarifas que limitam competitividade e encarecem o acesso ao mercado americano.

    Entre os mais prejudicados estão:

    Siderurgia

    Representada na Bolsa por:

    • Gerdau (GGBR4)

    • CSN (CSNA3)

    • Usiminas (USIM5)

    A indústria siderúrgica brasileira enfrenta margens comprimidas, demanda internacional oscilante e concorrência agressiva de exportadores asiáticos. O tarifaço de Trump amplia esse desafio ao encarecer a entrada dos produtos no mercado americano.

    Bens de capital

    Entre as companhias mais expostas:

    • Weg (WEGE3)

    • Marcopolo (POMO4)

    • Randon (RAPT4)

    • Tupy (TUPY3)

    O segmento depende da previsibilidade comercial para sustentar investimentos, renovar linhas de produção e manter competitividade global. Ao permanecer tarifado, o setor perde espaço em um dos maiores mercados do mundo.


    Por que o Ibovespa caiu mesmo com o alívio do tarifaço de Trump

    O recuo de 0,39% do Ibovespa não reflete a importância da decisão americana para o agronegócio. A queda ocorreu em sintonia com o ambiente internacional de aversão ao risco, motivado por:

    Ou seja, apesar do otimismo com o alívio parcial do tarifaço de Trump, o mercado operou com foco nos vetores de risco sistêmico, deixando a notícia comercial em segundo plano no pregão.

    Mesmo assim, casas de análise destacam que, passada a volatilidade, os efeitos positivos sobre empresas exportadoras tendem a aparecer no comportamento das ações — principalmente à medida que o mercado americano normalizar compras e ampliar pedidos de longo prazo.


    Tarifaço de Trump: oportunidade para reposicionamento estratégico do Brasil

    A retirada parcial das tarifas levanta uma questão central: o Brasil deve aproveitar a janela para aprofundar sua inserção no mercado americano. O episódio trouxe à tona a necessidade de:

    O agronegócio brasileiro tem vantagem competitiva histórica, mas precisa garantir que oscilações políticas não comprometam cadeias produtivas inteiras. O alívio do tarifaço de Trump funciona como lembrete e oportunidade simultaneamente.


    Perspectivas para 2026: o que esperar do pós-tarifaço

    Se novas rodadas de revisão tarifária avançarem, analistas acreditam que o Brasil deverá:

    Ao mesmo tempo, setores ainda penalizados continuarão pressionando Brasília por maior atuação diplomática, já que parte expressiva da indústria segue vulnerável ao tarifaço de Trump.

    O cenário mais provável para os próximos meses inclui:

    Se confirmada essa trajetória, o mercado brasileiro pode experimentar um novo ciclo de melhora de humor e revisão positiva de múltiplos.



    Tarifaço de Trump: empresas que ganham com o alívio tarifário

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • EUA derrubam tarifa de 40% e reacendem impulso ao agro brasileiro


    EUA Eliminam Tarifa de 40% e Reabrem Mercado para Agro Brasileiro

    A decisão do governo dos Estados Unidos de retirar a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros altera, de maneira profunda, o cenário do comércio bilateral entre os dois países e inaugura uma nova fase de diálogo diplomático, cooperação econômica e reposicionamento do agronegócio nacional no maior mercado consumidor do planeta. O decreto assinado pelo presidente norte-americano Donald Trump encerra um período de 111 dias de tensões comerciais, devolve competitividade aos exportadores brasileiros e reforça a importância estratégica do Brasil na segurança alimentar global.

    Com efeito retroativo, a medida elimina imediatamente a barreira tarifária imposta em novembro e determina o reembolso dos valores pagos desde então. O impacto é direto para setores como carne bovina, café, cacau, frutas tropicais, especiarias e óleos vegetais — segmentos nos quais o Brasil figura entre os maiores exportadores do mundo. O realinhamento tarifário, portanto, reacende a expectativa de expansão das vendas externas, com efeitos positivos na cadeia produtiva, na geração de empregos e na balança comercial.


    Reviravolta diplomática após meses de tensão

    A retirada da tarifa de 40% representa uma mudança brusca na estratégia comercial dos Estados Unidos. Até poucos dias antes do decreto, o governo Trump havia reduzido a sobretaxa de 50% para 40% — um sinal de que a medida vinha sendo utilizada como ferramenta de pressão política, especialmente após divergências relacionadas à política ambiental brasileira e disputas geopolíticas mais amplas.

    A guinada ocorreu após intensas rodadas de discussões entre autoridades brasileiras e norte-americanas. O Palácio do Planalto classificou a reversão como produto direto da reaproximação diplomática entre os dois chefes de Estado, reforçada após reuniões bilaterais e conversas telefônicas conduzidas ao longo das últimas semanas. O Ministério das Relações Exteriores destacou que o decreto norte-americano cita explicitamente os avanços das negociações técnicas, reforçando que a interlocução diplomática foi determinante.

    Para o governo brasileiro, o gesto representa mais do que um alívio comercial: é uma oportunidade política de demonstrar capacidade de articulação internacional em um contexto global tenso, marcado por disputa tecnológica, oscilações cambiais, protecionismo crescente e rearranjos estratégicos em blocos econômicos.


    Retirada da tarifa EUA agro: impacto imediato no agronegócio brasileiro

    A eliminação da tarifa EUA agro devolve competitividade a produtos que haviam perdido espaço em um mercado sensível a preços. No caso da carne bovina, por exemplo, o sobrecusto havia impactado diretamente as exportações, pressionando frigoríficos, pecuaristas e toda a cadeia de processamento.

    Com a tarifa anulada, exportadores brasileiros podem, novamente, acessar o mercado norte-americano em condições equivalentes às de seus concorrentes, especialmente australianos e canadenses, que não haviam sido afetados pela sobretaxa.

    Além da carne bovina, outras cadeias produtivas devem sentir impacto imediato:

    Diversas entidades do setor privado comemoraram a revogação, apontando que a competitividade brasileira foi restabelecida e que, agora, será possível retomar negociações de contratos suspensos após o aumento das tarifas.


    Inflação de alimentos nos EUA e a pressão interna

    A reversão da política tarifária não ocorreu apenas por boa vontade diplomática. Segundo analistas norte-americanos, a inflação de alimentos nos EUA, pressionada pela alta dos custos de importação, começou a gerar desconforto interno em setores estratégicos da economia e no próprio eleitorado.

    Produtos como café, carnes e frutas são altamente demandados no varejo norte-americano, e as tarifas impostas sobre países fornecedores — especialmente o Brasil — acabaram ampliando a pressão inflacionária.

    A Casa Branca reconheceu que a retirada da tarifa EUA agro tem efeito imediato no alívio dos preços e fortalece a narrativa do governo Trump de que prioriza medidas para combater a inflação.


    Como a medida fortalece o Brasil no comércio internacional

    A derrubada da tarifa EUA agro reposiciona o Brasil como fornecedor essencial para o mercado norte-americano, não apenas no agronegócio, mas também em cadeias industriais e logísticas integradas. Ao restaurar as condições de competição, o país reforça sua relevância internacional em um momento de redesenho das cadeias de suprimentos globais.

    Além disso, abre espaço para novas agendas:

    A leitura predominante nos mercados financeiros é de que a decisão facilita projeções de crescimento das exportações do agronegócio em 2026 e melhora expectativas de empresas listadas com forte exposição ao mercado externo.


    Efeito retroativo: reembolsos devem movimentar bilhões

    O decreto norte-americano estabelece que as tarifas aplicadas desde 13 de novembro deverão ser reembolsadas. Para muitos exportadores, isso representa recuperação de margens e reorganização de fluxo de caixa — especialmente importante diante de cenários de juros elevados e câmbio volátil.

    A retroatividade confere caráter excepcional à medida. Especialistas destacam que decisões desse tipo são incomuns no comércio internacional e demonstram que houve um nível elevado de negociação política para viabilizar a revisão.


    Reação do governo brasileiro

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a retirada da tarifa EUA agro como vitória diplomática e resultado direto de uma postura firme, porém aberta ao diálogo. O ministro da Fazenda também destacou que a reversão devolve previsibilidade às exportações brasileiras e reduz ruídos que prejudicam cadeias produtivas.

    No Itamaraty, a sinalização foi recebida como reconhecimento da importância estratégica do Brasil para os EUA. A avaliação interna é de que a medida abre caminho para novas conversas sobre acordos mais amplos, especialmente em temas ligados a tecnologia, transição verde, agricultura de baixo carbono e cooperação energética.


    Setores que mais se beneficiam

    A eliminação da tarifa EUA agro deve gerar respostas diferentes dentro do setor produtivo. Alguns segmentos viverão impacto imediato; outros dependem de cadeias logísticas e contratos de longo prazo. Entre os mais beneficiados:

    Carne bovina

    O Brasil é o maior exportador mundial e volta a competir com preço competitivo, ampliando potencial de vendas para restaurantes, processadoras e varejistas dos EUA.

    Café industrializado

    Com consumo crescente no mercado norte-americano, abre oportunidade para marca própria, cafés especiais e produtos de maior valor agregado.

    Frutas tropicais

    A demanda por alimentos saudáveis cresce nos EUA, e o novo cenário tarifário favorece redes varejistas e distribuidores que já trabalham com fornecedores brasileiros.

    Cacau e derivados premium

    Os EUA, um dos maiores consumidores globais de chocolate, voltam a ter acesso competitivo ao cacau brasileiro, essencial para a indústria.


    Contexto político e geopolítico

    A retirada da tarifa EUA agro ocorre em um momento de realinhamento geopolítico. Enquanto grandes potências disputam mercados estratégicos, cadeias de suprimento sofrem com tensões externas, guerras comerciais e necessidade de diversificação.

    Os EUA, por sua vez, buscam reduzir dependência de mercados dominantes e ampliar relações com países que podem colaborar para suprir demandas internas — especialmente em alimentos e insumos essenciais. O Brasil se encaixa perfeitamente nesse reposicionamento estratégico.


    O que esperar daqui para frente

    A eliminação da tarifa EUA agro é apenas o primeiro passo de um processo mais amplo. Deputados, analistas de mercado e especialistas em comércio exterior destacam que as negociações devem continuar em temas como:

    Para empresários brasileiros, o objetivo agora é aproveitar o novo ambiente tarifário e expandir rapidamente a presença nos EUA, evitando que concorrentes retomem espaço perdido.



    EUA derrubam tarifa de 40% e reacendem impulso ao agro brasileiro

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Tarifaço do café: Brasil pressiona EUA por redução das tarifas


    Tarifaço do café: Brasil pressiona os EUA em reunião entre Mauro Vieira e Marco Rubio em Washington

    Um encontro decisivo para o comércio bilateral

    O governo brasileiro entra em uma das semanas mais importantes desde a imposição das tarifas adicionais pelos Estados Unidos em agosto. A reunião marcada entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, prometem reabrir um capítulo crucial nas negociações bilaterais. O encontro, agendado para esta quinta-feira (13), às 17h (19h no horário de Brasília), em Washington, será dedicado prioritariamente a discutir caminhos para reduzir ou reverter o tarifaço do café, que penaliza o Brasil com uma taxa adicional de 50% sobre produtos agrícolas enviados aos EUA.

    A medida provocou forte impacto sobre exportadores, elevou custos logísticos, encareceu o grão brasileiro no mercado americano e afetou segmentos inteiros da cadeia produtiva. O café é o produto mais atingido, seguido por frutas. Para ambos, as tarifas alteraram padrões contratuais, suspenderam embarques e aumentaram incertezas comerciais.

    O Brasil, maior produtor de café do mundo e um dos principais fornecedores dos Estados Unidos, espera um avanço significativo após semanas de estagnação nas conversas diplomáticas. O setor produtivo aguarda um gesto concreto de Washington que sinalize flexibilização do tarifaço do café e permita a retomada plena dos embarques.

    O que levou os EUA a impor o tarifaço do café

    Para compreender o contexto da reunião, é necessário observar a origem do tarifaço do café, anunciado como parte de uma política norte-americana de revisão de acordos comerciais e incentivos à indústria local. A medida buscou proteger segmentos agrícolas americanos em meio a pressões internas e à escalada inflacionária, que já afetava o preço de alimentos. Na prática, a tarifa de 50% sobre o café brasileiro tornou o produto mais caro nos EUA, diminuindo competitividade e alterando o equilíbrio de oferta.

    O impacto foi imediato: contratos foram suspensos, exportadores recalcularam custos e redes de distribuição precisaram rever estratégias. Para o Brasil, o efeito foi especialmente significativo, já que grande parte das exportações do grão depende do mercado americano. O setor relata aumento de custos operacionais, perda de espaço para concorrentes e incertezas de médio prazo.

    O governo brasileiro sustentou desde o início que as tarifas destoavam do histórico comercial entre os dois países, que mantêm relações intensas há mais de um século. A expectativa agora é que o encontro em Washington seja determinante para destravar o diálogo e propor alternativas de redução gradual, isenção seletiva ou revisão imediata das taxações.

    Pressão do setor produtivo brasileiro

    Entre os produtores e industriais, o clima é de cauteloso otimismo. Associações do setor consideram que o encontro ocorre em um momento estratégico, já que os Estados Unidos também enfrentam pressão interna com a inflação de alimentos e com o encarecimento do café para consumidores domésticos. A alta acumulada do preço do grão tem sido um dos elementos que contribuíram para a elevação de índices inflacionários recentes, o que reforça a necessidade de revisão tributária.

    Em avaliações setoriais, o tarifaço do café atingiu diretamente contratos de exportação, com relatos de negociações interrompidas até que o cenário regulatório seja esclarecido. Produtores afirmam estar preparados para retomar fornecimentos assim que a tarifa seja reduzida ou eliminada. Segundo análises técnicas, o Brasil não enfrenta risco de desabastecimento interno caso as exportações sejam reativadas, já que a capacidade produtiva é robusta e diversificada.

    Apesar do cenário de incertezas, representantes da indústria brasileira avaliam que o diálogo diplomático ganhou força nas últimas semanas, especialmente após manifestações públicas de autoridades americanas indicando abertura para avaliar tarifas sobre o café.

    O cenário diplomático: o que esperar da reunião em Washington

    A reunião entre Mauro Vieira e Marco Rubio ocorre em meio a uma conjuntura internacional marcada por tensões comerciais, realinhamentos diplomáticos e tentativas de reequilibrar cadeias produtivas globais. Para o Brasil, o objetivo central é estabelecer prazos, parâmetros ou compromissos que resultem em alguma forma de flexibilização do tarifaço do café.

    Interlocutores do governo brasileiro relatam que negociações anteriores não avançaram no ritmo desejado. A expectativa é que o encontro traga definição sobre etapas técnicas, grupos de trabalho ou mecanismos de revisão tarifária. O Itamaraty considera que o ambiente atual favorece a busca por entendimento, sobretudo porque os Estados Unidos enfrentam repercussão interna sobre o impacto dos preços do café na inflação.

    Para analistas de comércio exterior, um eventual acordo poderia seguir três possíveis rotas:

    1. Redução parcial imediata da tarifa, com avaliação trimestral.

    2. Isenção específica para determinados tipos de café, como grãos premium ou categorias industriais.

    3. Suspensão total do tarifaço, caso os EUA entendam que a medida deixou de ser necessária.

    Nenhuma dessas alternativas está garantida, mas todas são consideradas plausíveis no ambiente diplomático atual.

    O peso do café na relação Brasil–Estados Unidos

    O café ocupa posição central na história comercial entre os dois países. O grão foi responsável por consolidar laços econômicos duradouros e é hoje parte da rotina de milhões de consumidores americanos. Estimativas indicam que cerca de um terço do café consumido nos EUA é brasileiro, o que reforça a relevância da relação bilateral.

    A alta taxa sobre o produto não apenas elevou custos para importadores, mas também encareceu o café nas prateleiras, afetando cafeterias, supermercados e redes varejistas. Em um momento de inflação sensível, especialmente de alimentos, autoridades americanas têm sido pressionadas a encontrar soluções que atenuem o impacto sobre o consumidor.

    Nesse contexto, o tarifaço do café tornou-se ponto de fricção no debate político interno dos EUA, ampliando a margem de negociação diplomática para o Brasil.

    Como o tarifaço do café afeta a inflação americana

    Um dos elementos mais relevantes do debate é o impacto das tarifas sobre os índices de preços norte-americanos. O café é parte relevante da cesta de consumo das famílias e sua alta recente contribuiu significativamente para a elevação do índice de preços ao consumidor (CPI). Relatórios divulgados por entidades ligadas ao setor apontam que a variação do café respondeu por parcela expressiva da alta dos alimentos no período recente.

    Esse efeito ampliou a pressão sobre órgãos reguladores e parlamentares, pois a retomada de preços mais baixos depende de regularização das importações e de acesso a insumos mais competitivos. Nesse cenário, o Brasil aparece como fornecedor essencial, com logística já estruturada e capacidade de entrega elevada.

    Assim, o tarifaço do café entrou na pauta econômica dos Estados Unidos não apenas como questão comercial, mas também como componente da política macroeconômica.

    Consequências econômicas no Brasil

    No Brasil, os efeitos da tarifa são percebidos de maneira mais concentrada. Estados produtores, cooperativas, indústrias de torrefação e exportadores enfrentaram necessidade de ajustar margens, revisar contratos e redirecionar lotes originalmente destinados ao mercado americano.

    Apesar disso, o país manteve relativo equilíbrio no abastecimento doméstico, já que parte da produção pôde ser absorvida por outros mercados ou utilizada para produtos de maior valor agregado. Ainda assim, especialistas alertam que, se prolongado, o tarifaço do café pode comprometer investimentos previstos para 2026 e 2027, além de gerar volatilidade nos preços internos.

    A reunião em Washington, portanto, representa oportunidade para reverter tendência de incerteza e oferecer previsibilidade para o setor.

    A estratégia do governo brasileiro

    O Itamaraty tem trabalhado para apresentar argumentos técnicos que reforçam a importância da revisão tarifária. Entre eles:

    A estratégia também envolve diálogo com autoridades parlamentares e setores privados nos EUA, buscando demonstrar que a redução ou eliminação do tarifaço do café seria benéfica para produtores, consumidores e para a relação bilateral de longo prazo.

    Perspectivas para os próximos dias

    Embora nenhum resultado esteja garantido, a leitura predominante é que a reunião ocorre em momento propício para mudanças. Com pressões internas, custos elevados e consumidores insatisfeitos, os Estados Unidos têm incentivo para revisar sua política tarifária.

    Para o Brasil, qualquer flexibilização representará alívio para o setor, retomada de embarques suspensos e reforço das relações comerciais. A expectativa é que, nas próximas 48 horas, haja algum indicativo, mesmo que preliminar, de encaminhamento positivo.



    Tarifaço do café: Brasil pressiona EUA por redução das tarifas

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Quaest: 45% dizem que Lula saiu mais forte após encontro com Trump


    Quaest: 45% dos brasileiros dizem que Lula saiu mais forte após encontro com Trump

    Uma nova pesquisa da Quaest Consultoria revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu fortalecido politicamente depois do encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado no fim de outubro, na Malásia. Segundo o levantamento, 45% dos brasileiros acreditam que Lula saiu mais forte da reunião, enquanto 30% avaliam que ele saiu mais fraco. Outros 10% afirmam que o encontro não mudou nada, e 15% não souberam responder.

    Os dados, divulgados nesta quarta-feira (12), mostram um impacto positivo para o presidente brasileiro no cenário internacional e refletem a percepção de que o diálogo com o líder americano pode melhorar as relações comerciais entre os dois países, especialmente em torno das tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros.


    Encontro entre Lula e Trump na Malásia

    O encontro entre Lula e Trump ocorreu no dia 26 de outubro de 2025, durante uma conferência internacional em Kuala Lumpur. A reunião, marcada por tom conciliador, buscou restabelecer a cooperação bilateral e reduzir as barreiras comerciais que afetam setores estratégicos da economia brasileira, como o café e o aço.

    No dia seguinte, o ex-presidente americano elogiou Lula publicamente, chamando-o de “muito vigoroso”. A troca de cortesias, embora simbólica, foi interpretada por analistas como uma tentativa de reconstrução do diálogo entre Brasília e Washington após anos de tensão diplomática.

    A sondagem da Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre 6 e 9 de novembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.


    Percepções políticas: Lula mais forte entre a esquerda

    O estudo mostra que o efeito positivo do encontro entre Lula e Trump é mais evidente entre os eleitores de esquerda. Entre os lulistas, 68% disseram acreditar que o presidente saiu mais forte da reunião, enquanto 12% consideram que ele saiu enfraquecido.

    Entre os que se identificam como de esquerda não lulista, o índice de confiança em Lula é ainda maior: 75% afirmam que o presidente se fortaleceu após o encontro, contra apenas 10% que acreditam o contrário.

    Já no campo da direita, a percepção se inverte. Entre os bolsonaristas, 60% afirmam que Lula saiu mais fraco da reunião com Trump, enquanto 19% consideram que ele se fortaleceu. Entre os direitistas não bolsonaristas, 43% disseram que o petista saiu mais fraco, e 30% acreditam que ele saiu mais forte.

    Os dados confirmam que, mesmo com divisões ideológicas persistentes, o episódio teve impacto simbólico para a imagem internacional de Lula e foi visto como uma oportunidade para reposicionar o Brasil nas negociações comerciais globais.


    Avaliação do governo Lula estabiliza

    A pesquisa também mostrou estabilização na avaliação do governo federal. Segundo a Quaest, 50% dos entrevistados desaprovam a atual gestão, enquanto 47% aprovam. A diferença de três pontos percentuais está dentro da margem de erro, indicando que a popularidade do presidente se manteve praticamente estável.

    Após oscilar positivamente nos primeiros meses de 2025, a avaliação do governo Lula estacionou, com eleitores demonstrando expectativa cautelosa quanto à condução da economia, da segurança pública e das políticas de combate à pobreza.

    Mesmo assim, o resultado do encontro com Donald Trump parece ter atenuado parte das críticas, fortalecendo a imagem do presidente como liderança diplomática ativa.


    Acordo para redução de tarifas

    Além da percepção sobre o encontro em si, a pesquisa Quaest também perguntou se os brasileiros acreditam que Lula e Trump chegarão a um acordo para reduzir as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil.

    O número dos que responderam “sim” subiu de 48% em agosto para 51% em novembro, enquanto o índice dos que não acreditam em um entendimento caiu de 45% para 39%. Outros 10% não souberam opinar.

    A melhora nas expectativas reforça a visão de que o diálogo entre os dois presidentes pode destravar pautas bilaterais que vinham estagnadas desde 2019, incluindo exportações de commodities e cooperação tecnológica.


    A importância diplomática do encontro entre Lula e Trump

    O reencontro entre Lula e Trump tem peso político e simbólico significativo. Para o governo brasileiro, trata-se de uma oportunidade de reposicionar o país como interlocutor estratégico entre potências ocidentais e emergentes.

    Analistas de relações internacionais destacam que a aproximação com Washington ocorre em momento sensível, marcado por disputas comerciais com a China e discussões sobre subsídios verdes. Nesse contexto, o Brasil busca equilibrar suas alianças e garantir melhores condições para suas exportações.

    A Farm Rio e o setor de agronegócio brasileiro — especialmente produtores de café e soja — estão entre os principais beneficiados caso as tarifas americanas sejam revistas. Além disso, o governo vê o diálogo com Trump como instrumento para atrair investimentos e ampliar o acesso a tecnologias de ponta.


    Lula e a diplomacia econômica

    O desempenho do presidente em viagens internacionais tem sido peça central na estratégia do governo para impulsionar a diplomacia econômica. Desde o início de 2025, Lula intensificou a agenda de reuniões bilaterais e participação em fóruns multilaterais com o objetivo de ampliar o comércio exterior e atrair investimentos sustentáveis.

    O encontro com Trump reforça essa política de reaproximação pragmática. Embora os dois líderes possuam visões políticas divergentes, ambos sinalizaram disposição para cooperar em temas de interesse comum — como comércio, infraestrutura e transição energética.

    A leitura entre analistas é que Lula busca construir pontes com diferentes espectros ideológicos, projetando o Brasil como potência diplomática moderadora em um cenário global fragmentado.


    Percepção pública: fortalecimento da imagem presidencial

    O dado de que 45% acreditam que Lula saiu mais forte após o encontro com Donald Trump confirma a eficácia dessa estratégia de diplomacia ativa. Para o eleitorado brasileiro, o presidente demonstra liderança internacional e capacidade de diálogo, atributos valorizados em um contexto de incertezas econômicas e tensões geopolíticas.

    Mesmo entre setores críticos ao governo, há reconhecimento de que a interlocução direta com líderes globais pode trazer ganhos para a economia brasileira.

    A reunião também gerou repercussão positiva na imprensa internacional, que destacou o contraste entre o estilo combativo de Trump e a postura conciliadora de Lula — reforçando a imagem do Brasil como mediador político no cenário global.


    Cenário político e projeções

    Internamente, o bom desempenho de Lula na cena internacional coincide com um momento em que o governo busca consolidar apoio no Congresso para aprovar pautas econômicas, como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal.

    Especialistas acreditam que o resultado da pesquisa Quaest oferece fôlego político para o presidente manter o discurso de estabilidade e progresso, enquanto tenta equilibrar demandas da base aliada e pressões do mercado.

    No médio prazo, o fortalecimento da imagem externa pode ajudar o governo a atrair investimentos diretos estrangeiros e impulsionar a confiança empresarial — fatores fundamentais para reaquecer a economia em 2026.

    O levantamento da Quaest confirma que o encontro entre Lula e Trump foi amplamente percebido como positivo pela população brasileira. A imagem de um presidente capaz de dialogar com diferentes líderes globais, mesmo de campos ideológicos opostos, reforça o perfil diplomático de Lula e amplia seu capital político.

    Com 45% dos brasileiros acreditando que ele saiu mais forte da reunião, o presidente consolida-se como figura central nas relações internacionais da América Latina e demonstra que a política externa pode ser um ativo valioso para o fortalecimento interno de seu governo.

    Quaest: 45% dizem que Lula saiu mais forte após encontro com Trump

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia