Categoria: Economia

  • Aposentados têm nova chance: governo prorroga ressarcimento do INSS até 2026


    Ressarcimento do INSS: prazo é ampliado até 2026 e beneficiários ganham nova chance de recuperar valores

    O governo federal anunciou a prorrogação do prazo para solicitar o ressarcimento do INSS, medida que beneficia milhões de aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos em seus benefícios. Agora, os pedidos poderão ser feitos até 14 de fevereiro de 2026, ampliando o prazo que antes se encerraria em novembro de 2025.

    A decisão, formalizada pelo Ministério da Previdência Social, visa garantir que todos os cidadãos prejudicados possam recuperar os valores descontados de forma irregular, resultado de fraudes identificadas na Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU).


    Operação Sem Desconto: a origem do escândalo

    A Operação Sem Desconto revelou um esquema nacional de fraudes em convênios entre o INSS e associações de aposentados, que realizavam cobranças automáticas não autorizadas diretamente nos benefícios previdenciários.

    Essas entidades utilizavam sistemas de biometria e assinaturas digitais falsificadas para simular autorizações dos beneficiários, desviando valores mensalmente. O esquema envolvia associações fantasmas, que movimentaram milhões de reais com base em dados sigilosos de segurados.

    Com a investigação, parte da cúpula do INSS foi afastada sob suspeita de negligência e conivência com as irregularidades. O governo reagiu com medidas emergenciais de revisão de contratos e reforço na segurança de dados, a fim de evitar novos casos.


    Quem tem direito ao ressarcimento do INSS

    Têm direito ao ressarcimento do INSS todos os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos em seus benefícios, principalmente sob justificativa de mensalidades de associações, sindicatos ou contribuições não autorizadas.

    Os valores a serem devolvidos variam conforme o período e o tipo de desconto. Até o momento, 3,7 milhões de beneficiários já foram ressarcidos, somando R$ 2,5 bilhões, mas 4,8 milhões de pessoas ainda podem solicitar o reembolso.

    Em muitos casos, os segurados não perceberam as cobranças, que apareciam de forma discreta nos extratos mensais. As investigações mostraram que os valores indevidos foram repassados automaticamente às entidades fraudulentas sem consentimento dos titulares.


    Como solicitar o ressarcimento do INSS

    O processo é gratuito, simples e pode ser feito de três formas oficiais:

    1. Pelo aplicativo ou site Meu INSS

    O segurado deve acessar o Meu INSS com login no Portal Gov.br.
    Basta selecionar a opção “Solicitar Ressarcimento de Descontos Indevidos”, preencher as informações e anexar comprovantes ou extratos que demonstrem os descontos suspeitos.

    2. Pelo telefone 135

    O atendimento está disponível de segunda a sábado, das 7h às 22h, com ligação gratuita. O atendente orienta o segurado e registra o pedido de forma remota.

    3. Nas agências dos Correios

    Para quem tem dificuldade em acessar plataformas digitais, é possível solicitar o ressarcimento diretamente em mais de 5 mil agências dos Correios em todo o país, sem custo adicional.


    Ampliação do prazo: um ato de justiça

    A prorrogação até fevereiro de 2026 foi anunciada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), durante sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
    A decisão tem caráter social e visa garantir que todos os beneficiários lesados tenham tempo suficiente para pedir a devolução dos valores descontados indevidamente, sem precisar recorrer à Justiça.

    Segundo o Ministério da Previdência, a ampliação do prazo também serve para desafogar o sistema de atendimento e organizar as análises pendentes. Cada pedido passa por verificação automática de dados, reduzindo o tempo de resposta e evitando fraudes em novas solicitações.


    CPMI do INSS e o depoimento que expôs o esquema

    Durante a sessão da CPMI, o empresário Igor Dias Delecrode, dirigente da Associação de Amparo Social do Aposentado e Pensionista (AASAP) — uma das entidades investigadas —, foi ouvido pelos parlamentares.
    Ele é acusado de criar um sistema paralelo de biometria usado para validar falsamente autorizações de descontos.

    Amparado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário permaneceu em silêncio durante a maior parte da audiência.
    As investigações apontam que a AASAP movimentou milhões de reais com base em cobranças irregulares que afetaram milhares de aposentados em todo o país.


    O papel da Polícia Federal e da CGU no combate às fraudes

    A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União continuam monitorando contratos e sistemas vinculados ao INSS.
    Desde abril de 2025, mais de 200 entidades foram auditadas, e diversas autorizações de desconto foram canceladas.

    A nova fase da Operação Sem Desconto prevê cruzamento de dados biométricos e de CPF para identificar novas fraudes, além de bloqueio de acesso a convênios suspeitos.
    O governo também determinou que todas as parcerias com entidades privadas passem por auditoria preventiva antes da renovação.


    Governo promete reforçar fiscalização e transparência

    O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que a prioridade é reconstruir a confiança dos segurados.
    Entre as medidas anunciadas, estão:

    • Implementação de alertas automáticos no aplicativo Meu INSS para avisar o usuário sobre qualquer novo desconto;

    • Criação de um painel público de transparência com informações sobre entidades autorizadas a firmar convênios;

    • Adoção de novos protocolos de segurança digital, com autenticação em duas etapas para todos os acessos de entidades externas.

    Além disso, o governo lançará uma campanha nacional de esclarecimento, orientando aposentados e pensionistas sobre seus direitos e como identificar possíveis irregularidades.


    A importância da revisão dos benefícios

    Especialistas recomendam que os beneficiários façam verificações mensais nos extratos do INSS.
    Caso identifiquem descontos não reconhecidos, devem procurar imediatamente os canais oficiais de atendimento para registrar a reclamação e solicitar o ressarcimento.

    O processo é rápido, e em muitos casos o reembolso é feito automaticamente, sem necessidade de ação judicial.
    A Constituição Federal garante o direito à restituição de valores cobrados indevidamente, e o Ministério da Previdência reforça que nenhum aposentado precisa pagar para receber esse serviço.


    O impacto financeiro do ressarcimento do INSS

    Desde o início da Operação Sem Desconto, o governo já devolveu R$ 2,5 bilhões a beneficiários lesados.
    A expectativa é que, até o fim de 2026, o valor total de ressarcimentos supere R$ 4 bilhões, incluindo casos que ainda estão em análise.

    A devolução desses recursos não apenas repara perdas individuais, mas também recupera a credibilidade do sistema previdenciário e reduz o risco de novos golpes.

    O governo também estuda mecanismos de responsabilização civil e criminal contra dirigentes de associações envolvidas nas fraudes, além de exigir devolução integral dos valores desviados aos cofres públicos.


    Como evitar novos golpes

    A educação financeira e digital é uma das principais armas contra fraudes.
    Os especialistas em previdência recomendam que os aposentados:

    • Evitem compartilhar dados pessoais ou do benefício com terceiros;

    • Desconfiem de ligações e mensagens oferecendo descontos, benefícios extras ou filiações automáticas;

    • Acessem exclusivamente canais oficiais do INSS e do Governo Federal;

    • Mantenham seus dados atualizados no Meu INSS e verifiquem periodicamente o extrato de pagamento.

    Essas medidas simples ajudam a prevenir novos prejuízos e garantem mais segurança no recebimento dos benefícios.


    Um passo importante para a justiça social

    A extensão do prazo de ressarcimento do INSS até 2026 representa um avanço significativo na proteção dos aposentados e pensionistas brasileiros.
    Além de corrigir falhas históricas, a medida reforça o compromisso do governo com a transparência, o combate à corrupção e a defesa dos direitos dos segurados.

    Com novas ferramentas de controle e uma campanha nacional de conscientização, o INSS busca restabelecer a confiança de milhões de beneficiários e garantir que nenhum desconto indevido volte a ocorrer.


    Aposentados têm nova chance: governo prorroga ressarcimento do INSS até 2026

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • IBGE aponta inflação em outubro de 0,09%, a menor em 27 anos


    Inflação em outubro desacelera e reduz preços no supermercado

    A inflação em outubro apresentou a menor variação para o mês em quase três décadas, indicando um alívio consistente no custo de vida do brasileiro. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu apenas 0,09%, resultado bem abaixo das estimativas de mercado.

    O movimento foi impulsionado principalmente pela redução dos preços da energia elétrica e dos alimentos consumidos em casa. Esses dois componentes tiveram papel decisivo para conter o avanço do índice e refletiram diretamente nas despesas das famílias.

    Desaceleração da inflação em outubro

    A variação de 0,09% representa a menor taxa de outubro desde 1998. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,68%, menor patamar desde janeiro e abaixo do teto da meta definida pelo Banco Central. Esse cenário reforça a percepção de que a inflação caminha para encerrar o ano sob controle.

    O desempenho positivo ocorre em um contexto de câmbio mais favorável e redução dos custos de energia. O dólar atingiu em outubro o menor nível em 17 meses, ajudando a conter os preços de produtos importados e insumos industriais.

    O que ficou mais barato no supermercado

    Os alimentos consumidos em casa registraram queda de 0,16% em outubro, o quinto mês consecutivo de retração. Essa sequência de reduções tem contribuído para aliviar o orçamento doméstico, especialmente nas classes de renda mais baixa.

    Entre os produtos que mais contribuíram para o recuo, destacam-se cereais, carnes, hortaliças e alguns itens industrializados que tiveram ajustes negativos em razão de promoções e de uma oferta mais regular.

    Além dos alimentos, bens duráveis como eletrodomésticos e móveis apresentaram comportamento de preços mais estável, beneficiados pelo câmbio e por ações promocionais de fim de ano.

    Energia elétrica e bandeira tarifária

    Outro fator determinante foi a queda de 2,39% na conta de luz residencial. A redução decorreu da mudança de bandeira tarifária, que passou da vermelha 2 para a vermelha 1, diminuindo o valor adicional cobrado na fatura. Essa alteração contribuiu para frear a inflação do grupo habitação, um dos mais representativos do IPCA.

    Com a energia mais barata, há reflexos positivos também para o setor produtivo, que enfrenta custos menores de operação, especialmente em segmentos intensivos em consumo elétrico.

    Setores que influenciaram a estabilidade dos preços

    Os grupos de vestuário, transportes e bens duráveis mantiveram estabilidade em outubro, o que colaborou para conter o avanço do índice geral. O comportamento dos combustíveis, aliado à manutenção de preços de passagens urbanas e produtos industrializados, reforçou a tendência de moderação inflacionária.

    Esses fatores demonstram uma dinâmica de preços mais previsível e contribuem para melhorar as expectativas do mercado financeiro quanto ao comportamento da inflação nos próximos meses.

    Expectativas para os próximos meses

    Com o resultado de outubro, analistas revisaram para baixo as projeções do IPCA no encerramento do ano. A expectativa predominante agora é de uma inflação próxima a 4,4%, dentro do limite superior da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

    Para novembro, a tendência é de leve avanço nos índices, influenciada por fatores sazonais e pelas compras de fim de ano. Ainda assim, o movimento deve ser moderado, com projeções entre 0,18% e 0,19%.

    Em dezembro, o aumento da demanda por alimentos e serviços pode pressionar o indicador, mas as previsões ainda apontam para um fechamento abaixo dos 5% em 12 meses.

    Perspectiva sobre juros e política monetária

    A desaceleração da inflação em outubro fortalece a possibilidade de redução gradual da taxa Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Atualmente em 15% ao ano, a taxa básica de juros tem sido utilizada para conter a demanda e equilibrar as expectativas inflacionárias.

    Com os resultados recentes, parte do mercado passou a considerar possível o início de um ciclo de cortes a partir de janeiro, enquanto outra parcela aposta em março como o momento mais provável para o primeiro ajuste.

    A trajetória da Selic dependerá do comportamento dos preços de serviços e do cenário internacional, que ainda apresenta riscos associados a flutuações cambiais e políticas monetárias mais restritivas em economias desenvolvidas.

    Inflação de serviços ainda preocupa

    Apesar do alívio nos preços de bens e alimentos, a inflação de serviços segue em patamar elevado. Em outubro, o grupo registrou alta de 0,41%, acumulando avanço de 6,2% em 12 meses. Esse segmento é sensível à renda e ao nível de atividade econômica, e tende a responder com mais lentidão às políticas de juros.

    A manutenção de uma inflação de serviços acima da média dos demais componentes indica que o processo de desinflação ainda não está completamente consolidado. O Banco Central deve manter uma postura cautelosa até que os efeitos de sua política sejam mais evidentes sobre esse grupo.

    Efeitos sobre o poder de compra

    A queda da inflação em outubro se traduz em ganho direto para o poder de compra das famílias. Com os alimentos e a energia mais baratos, sobra mais renda para outras despesas, o que pode estimular o consumo em setores de varejo, vestuário e eletroeletrônicos.

    No entanto, é necessário equilíbrio: a retomada forte do consumo pode gerar pressões inflacionárias no futuro. O desafio do Banco Central e do governo é preservar o ambiente de estabilidade sem comprometer o crescimento econômico.

    Alívio para o Banco Central

    Se a tendência de desaceleração se mantiver até dezembro, o Banco Central encerrará o ano sem precisar justificar o descumprimento da meta inflacionária. A instituição tem adotado postura de comunicação mais cautelosa, priorizando a previsibilidade e o compromisso com a estabilidade de preços.

    A nova regra de meta contínua, em vigor desde o início do ano, reforça a necessidade de observar o comportamento do IPCA em períodos móveis de 12 meses. O indicador de outubro fortalece a credibilidade da autoridade monetária e dá mais fôlego para calibrar a política de juros de forma mais flexível em 2026.

    A inflação em outubro marca um ponto de virada no cenário econômico brasileiro. O índice de 0,09% representa não apenas um dado estatístico, mas o reflexo de um ambiente mais estável, em que o controle de preços começa a se consolidar.

    O consumidor sente o impacto positivo no supermercado, o setor produtivo ganha previsibilidade e o Banco Central dispõe de espaço para avaliar ajustes na política monetária. O desafio agora é sustentar esse ritmo de desaceleração sem comprometer o crescimento.

    IBGE aponta inflação em outubro de 0,09%, a menor em 27 anos

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Dólar cai a R$ 5,27 com foco no fim do shutdown nos EUA e falas de Galípolo


    Dólar cai a R$ 5,27 com foco no fim do shutdown nos EUA e falas de Galípolo

    O dólar abriu a quarta-feira (12) em queda leve, acompanhando o otimismo dos mercados internacionais diante da expectativa de fim da paralisação do governo dos Estados Unidos (shutdown) e da atenção dos investidores às declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Às 9h05, a moeda americana era negociada a R$ 5,27, recuando 0,05% — o menor patamar desde junho de 2024.

    O movimento reflete a combinação entre melhora no cenário externo e expectativa de estabilidade monetária no Brasil. Enquanto o Ibovespa mantém trajetória de alta sustentada, o câmbio reage positivamente à perspectiva de acordo fiscal em Washington e à leitura de que o Banco Central brasileiro pode adotar um tom mais brando sobre juros nas próximas reuniões.


    Queda do dólar: o que está influenciando o câmbio

    O principal fator que explica a queda do dólar nesta semana é a iminente aprovação do acordo que põe fim ao shutdown americano, que já dura 43 dias. O texto deve ser votado na Câmara dos Representantes e, uma vez aprovado, seguirá para sanção do presidente Donald Trump, que já sinalizou apoio.

    Nos Estados Unidos, o shutdown — ou paralisação do governo federal — ocorre quando o Congresso não aprova o orçamento anual ou o financiamento provisório das atividades públicas. Isso leva à suspensão de parte dos serviços, incluindo agências reguladoras e programas sociais, além de atrasos no pagamento de servidores.

    O acordo em discussão restabelece o funcionamento do governo até janeiro de 2026 e inclui o pagamento retroativo de funcionários que ficaram sem remuneração, como os controladores de tráfego aéreo. Apesar das divergências entre democratas e republicanos, a expectativa de aprovação trouxe alívio para os investidores globais.

    A redução das incertezas fiscais nos EUA tende a fortalecer o apetite por risco e favorecer moedas emergentes, como o real brasileiro, o que explica a atual queda do dólar no país.


    Expectativas no Brasil: Galípolo e o Banco Central

    No cenário doméstico, as atenções se voltam para as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que participa de coletiva de imprensa nesta manhã e, à tarde, de evento da Bradesco Asset.

    O mercado acompanha atentamente qualquer sinal sobre o futuro da política monetária, especialmente diante da desaceleração da inflação e da melhora de indicadores econômicos. Parte dos analistas acredita que o Banco Central pode iniciar um novo ciclo de cortes na taxa Selic, o que tende a estimular a economia e atrair investidores para ativos de maior risco.

    A Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, divulgada também nesta quarta-feira, é outro ponto relevante. O desempenho do setor é considerado um termômetro para o PIB, podendo influenciar diretamente as projeções do mercado financeiro.


    Desempenho acumulado do dólar e do Ibovespa

    Indicador Semana Mês Ano
    Dólar -1,19% -1,99% -14,68%
    Ibovespa +2,39% +5,49% +31,15%

    O real vem se destacando entre as principais moedas emergentes, sustentado por fluxos externos positivos, balanços corporativos sólidos e otimismo com a política fiscal.

    A queda do dólar acumulada de quase 15% em 2025 reflete a percepção de que o Brasil mantém atratividade para investimentos estrangeiros, especialmente após a estabilização política e o avanço das reformas econômicas.


    Shutdown nos EUA: impactos globais

    A paralisação do governo americano — que já alcança 43 dias — provocou cancelamentos de voos, atrasos em programas federais e suspensão de pagamentos de benefícios sociais, como o SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar).

    Com a votação marcada para esta quarta-feira, a expectativa é que a aprovação do pacote restabeleça a normalidade administrativa e reduza a aversão ao risco nos mercados globais.

    O texto prevê que o governo dos EUA continue adicionando cerca de US$ 1,8 trilhão por ano à sua dívida, atualmente em US$ 38 trilhões. Ainda que o endividamento permaneça alto, o simples fato de evitar a interrupção prolongada das atividades já é suficiente para gerar alívio nos mercados.


    Bolsas globais reagem de forma mista

    Os principais índices internacionais apresentaram comportamento divergente na terça-feira (11). Em Wall Street, o Dow Jones atingiu um novo recorde de fechamento, subindo 1,18%, enquanto o S&P 500 avançou 0,22% e o Nasdaq recuou 0,25%, pressionado pela queda de quase 3% nas ações da Nvidia.

    Na Europa, o tom foi amplamente positivo. O FTSE 100, de Londres, subiu 1,15%, atingindo novo recorde de fechamento em 9.899 pontos. O STOXX 600 avançou 1,33%, enquanto o DAX, de Frankfurt, e o CAC 40, de Paris, registraram ganhos de 0,53% e 1,25%, respectivamente.

    Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. O Nikkei, do Japão, caiu 0,14%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,81%. Em Hong Kong, as ações da fabricante de veículos elétricos Xpeng tiveram forte valorização após o anúncio de novos modelos de robotáxis com previsão de lançamento em 2026.


    Efeitos da queda do dólar na economia brasileira

    A queda do dólar tem reflexos diretos em diversos setores da economia. O principal impacto ocorre nos preços de importados e combustíveis, que tendem a diminuir, reduzindo a pressão inflacionária.

    Por outro lado, a desvalorização da moeda americana pode afetar as exportações, tornando os produtos brasileiros menos competitivos no exterior. Ainda assim, o equilíbrio cambial atual é visto como saudável, especialmente porque ocorre em meio a entrada de capitais estrangeiros e melhora da confiança do investidor.

    Empresas com grande exposição internacional, como Vale, Petrobras e Suzano, monitoram de perto o câmbio para ajustar suas estratégias de hedge e precificação.


    Perspectivas para os próximos dias

    Analistas projetam que a queda do dólar pode continuar no curto prazo, desde que o acordo americano seja confirmado e o Banco Central mantenha postura cautelosa.

    A recuperação do Ibovespa, o aumento dos fluxos de investimento e o ambiente de maior previsibilidade fiscal nos EUA e no Brasil formam um cenário propício para valorização do real.

    entretanto, fatores externos como política monetária norte-americana, tensões comerciais com a China e volatilidade nas commodities ainda podem influenciar o comportamento da moeda.


    O papel do Banco Central

    As declarações de Galípolo serão cruciais para definir a direção do câmbio nas próximas semanas. O mercado espera um discurso equilibrado, que reforce o compromisso com o controle da inflação, mas sem descartar estímulos à atividade econômica.

    Caso o Banco Central sinalize cortes graduais na Selic, o real pode continuar se valorizando, especialmente se o fluxo estrangeiro permanecer positivo.

    O cenário atual combina otimismo internacional e estabilidade doméstica, sustentando a queda do dólar para o menor nível desde meados de 2024.

    Com o possível fim do shutdown nos EUA, o avanço das reformas brasileiras e o tom moderado do Banco Central, o câmbio encontra espaço para consolidar-se abaixo de R$ 5,30.

    Ainda que a volatilidade permaneça no radar, o momento reforça o papel do Brasil como mercado emergente de destaque, com perspectivas positivas para os investidores e para a economia como um todo.

    Dólar cai a R$ 5,27 com foco no fim do shutdown nos EUA e falas de Galípolo

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Regulamentação de criptomoedas: novas regras do Banco Central


    Regulamentação de criptomoedas: o que muda com as novas regras do Banco Central a partir de 2026

    O Banco Central (BC) oficializou nesta segunda-feira novas regras que transformam completamente o funcionamento do mercado de criptomoedas no Brasil. A partir de 2 de fevereiro de 2026, toda empresa que operar com ativos virtuais — como Bitcoin, Ethereum ou stablecoins — precisará de autorização formal do BC e deverá cumprir exigências rigorosas de transparência, segurança e prevenção à lavagem de dinheiro.

    A medida representa um marco para o setor e posiciona o país entre as jurisdições mais avançadas do mundo em termos de regulamentação de criptomoedas. O objetivo é equilibrar inovação e proteção, permitindo o crescimento do mercado cripto de forma segura e fiscalizada.


    O que muda com a regulamentação de criptomoedas no Brasil

    Com a entrada em vigor das novas regras, o Banco Central assume oficialmente o papel de órgão regulador das operações com ativos virtuais. Essa função inclui a supervisão de corretoras, plataformas de negociação, custodiante e prestadoras de serviços relacionadas a criptoativos.

    A seguir, veja os nove principais pontos da regulamentação e como eles impactam o mercado.


    1. Autorização do Banco Central passa a ser obrigatória

    Todas as empresas que desejarem atuar no mercado de criptomoedas precisarão obter uma licença específica junto ao Banco Central.
    Para isso, deverão comprovar:

    Além disso, será exigida a avaliação do perfil de risco de cada cliente antes de liberar transações mais complexas. A autorização também garante que essas companhias mantenham operações transparentes e prestem contas periodicamente ao BC e ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).


    2. Início da vigência: fevereiro de 2026

    As novas regras entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, data a partir da qual todas as empresas que quiserem atuar no setor deverão estar devidamente autorizadas.

    As companhias que já operam terão um período de adaptação, durante o qual deverão se adequar aos padrões exigidos. Após o prazo, quem continuar sem licença estará atuando de forma irregular e poderá ser punido com multas e suspensão de atividades.


    3. Criptomoedas entram oficialmente no mercado de câmbio

    Um dos pontos mais relevantes da nova regulamentação é a integração das criptomoedas ao mercado de câmbio brasileiro. A partir de 2026, o BC passará a considerar como operações cambiais as transações internacionais realizadas com criptoativos, incluindo:

    Essa inclusão permitirá maior rastreabilidade das transações e ampliará o controle estatal sobre o fluxo internacional de capitais em formato digital.


    4. Operações com stablecoins continuam isentas de IOF

    Embora o enquadramento das criptomoedas no mercado de câmbio abra espaço para tributação, o BC confirmou que as operações com stablecoins continuam isentas de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

    Essas moedas digitais, que mantêm valor atrelado a um ativo de referência como o dólar, se tornaram populares no Brasil justamente por não estarem sujeitas ao imposto. No entanto, o Banco Central afirmou que a Receita Federal poderá reavaliar a questão no futuro, caso entenda que o movimento cambial justifica uma nova tributação.


    5. Limite de US$ 100 mil em transações internacionais

    Outra mudança significativa é o limite de US$ 100 mil por operação em transações internacionais com criptomoedas.
    Esse teto será aplicado sempre que o destino dos recursos não for uma instituição autorizada a operar no mercado de câmbio.

    O objetivo da medida é prevenir fraudes, evasão de divisas e uso indevido de criptoativos em atividades ilícitas. Além disso, todas as transações internacionais deverão ser devidamente declaradas às autoridades competentes, garantindo maior transparência.


    6. Criação das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs)

    O Banco Central criou uma nova classificação jurídica para as empresas que atuam com criptoativos, chamadas SPSAVs (Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais). Elas serão divididas em três categorias:

    Essa estrutura facilita a supervisão e cria padrões operacionais mais claros, comparáveis aos adotados em instituições financeiras tradicionais.


    7. Exigência de capital mínimo para operar

    Para reforçar a estabilidade do sistema, o BC determinou que as empresas de cripto deverão ter capital mínimo entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões, dependendo do tipo e do risco da atividade exercida.

    • Intermediárias: capital mínimo de R$ 10,8 milhões;

    • Custodiantes: valor intermediário conforme avaliação de risco;

    • Corretoras: capital mínimo de R$ 37,2 milhões, devido à complexidade das operações.

    Antes da nova regulamentação, os requisitos eram muito menores — variando de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões —, o que mostra a elevação do padrão de segurança e responsabilidade no setor.


    8. Emissão de cartões de criptomoedas passa a ser restrita

    Somente empresas com autorização do Banco Central poderão emitir cartões de débito vinculados a criptomoedas para clientes brasileiros.

    Isso significa que companhias estrangeiras que oferecem cartões de uso global, como Kast e Avalanche, precisarão abrir representação oficial no país para continuar operando legalmente. A medida protege o consumidor e garante que as operações estejam sujeitas à fiscalização nacional.


    9. Contas individualizadas e maior proteção ao investidor

    O BC também proibiu o uso das chamadas “contas bolsão”, que misturam recursos próprios das empresas e de clientes.
    A partir de 2026, cada usuário deverá ter uma conta individualizada, garantindo que o patrimônio do cliente fique separado do da prestadora de serviços.

    Essa mudança aumenta a segurança dos investidores e evita fraudes, especialmente em situações de falência ou má gestão de plataformas.


    Impactos da regulamentação de criptomoedas no mercado

    A regulamentação de criptomoedas representa um divisor de águas no sistema financeiro brasileiro. De um lado, fortalece a confiança dos investidores, atrai capital estrangeiro e impulsiona a adoção de tecnologias blockchain de forma mais ampla.
    De outro, impõe barreiras de entrada mais altas para startups e empresas menores, que precisarão se adequar a exigências de compliance e capital mínimo.

    Especialistas avaliam que, no médio prazo, o resultado será positivo: o mercado tende a ganhar solidez, transparência e credibilidade internacional, o que pode colocar o Brasil entre os principais polos de inovação financeira do mundo.


    Relação com o Drex e o Open Finance

    A regulamentação também reforça o ecossistema digital já em construção pelo Banco Central, que inclui o Drex (real digital) e o Open Finance.
    Esses projetos integram o sistema financeiro tradicional ao universo dos ativos digitais, criando uma infraestrutura moderna, segura e interoperável.

    Com a regulação das criptomoedas, o BC avança na consolidação de uma economia digital integrada, onde instituições, fintechs e usuários poderão operar em um ambiente com regras claras e segurança jurídica.


    O futuro das criptomoedas no Brasil

    Com a regulamentação, o país dá um passo decisivo rumo à institucionalização dos ativos digitais. A partir de 2026, as criptomoedas deixarão de operar em um ambiente de incerteza regulatória e passarão a fazer parte do sistema financeiro oficial.

    Isso deve acelerar o crescimento de empresas nacionais especializadas em blockchain, ampliar a oferta de produtos financeiros digitais e fortalecer o papel do Brasil como referência em inovação financeira na América Latina.

    A nova regulamentação de criptomoedas é vista como um avanço histórico — um marco semelhante ao que foi a criação do Pix em 2020.

    Regulamentação de criptomoedas: novas regras do Banco Central

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Brasil é reeleito para Conselho da ONU Turismo sob Sabino


    Brasil é reeleito para o Conselho Executivo da ONU Turismo sob liderança de Celso Sabino

    O Brasil foi reeleito para o Conselho Executivo da ONU Turismo nesta terça-feira (11), consolidando sua posição de destaque no cenário global do turismo e reforçando o papel estratégico do país na promoção de políticas internacionais voltadas ao desenvolvimento sustentável do setor. O ministro do Turismo, Celso Sabino, permanece à frente da presidência do Conselho, representando o país na principal instância de governança da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada ao turismo mundial.

    A votação ocorreu de forma híbrida em Riade, na Arábia Saudita, e contou com a participação de representantes de diversos países-membros da organização. O Brasil, que ocupa o posto desde 2024, manteve o assento e a presidência do órgão, reforçando o reconhecimento internacional de sua política de incentivo ao turismo e da condução de Sabino à frente da pasta.


    Reeleição consolida protagonismo do Brasil na ONU Turismo

    A ONU Turismo é uma das agências especializadas das Nações Unidas responsável por promover o turismo como motor de crescimento econômico, inclusão social e sustentabilidade. A reeleição do Brasil à presidência de seu Conselho Executivo marca um momento histórico e estratégico, simbolizando a consolidação do país como líder na governança global do setor turístico.

    Em nota publicada nas redes sociais, o ministro Celso Sabino comemorou a vitória diplomática e destacou a importância da continuidade no comando do órgão. Segundo ele, o país “vive um dos melhores momentos de sua história no turismo”, com recordes de visitantes, crescimento das exportações de serviços e aumento dos investimentos privados em infraestrutura turística.

    O resultado reforça a imagem do Brasil como referência em turismo sustentável, área que tem ganhado relevância crescente nas discussões internacionais — especialmente no contexto da COP30, que será realizada em Belém, no Pará, em 2025, e da qual Sabino também participa ativamente na organização.


    Conselho Executivo da ONU Turismo: o que faz e por que é importante

    O Conselho Executivo da ONU Turismo é responsável por orientar as políticas e ações da agência, aprovar programas e supervisionar o cumprimento das metas globais estabelecidas pela organização. Trata-se do principal colegiado deliberativo da entidade, que reúne países de todos os continentes para debater estratégias de fomento ao turismo sustentável, de inclusão e de competitividade.

    Com a reeleição do Brasil, o país continua no centro das decisões que envolvem:

    • Políticas internacionais de turismo sustentável e responsável;

    • Estratégias de retomada do turismo pós-pandemia;

    • Projetos de incentivo à economia criativa e ao turismo de base comunitária;

    • Parcerias multilaterais para qualificação de mão de obra e inovação tecnológica no setor.

    Sob a presidência de Celso Sabino, o Conselho tem enfatizado a importância do turismo como vetor de crescimento econômico e instrumento de transformação social, especialmente nos países em desenvolvimento.


    Celso Sabino: continuidade e política de fortalecimento institucional

    A liderança de Celso Sabino na ONU Turismo é vista como resultado da diplomacia brasileira e da agenda proativa do Ministério do Turismo. Desde 2023, Sabino vem reforçando o papel do país na formulação de políticas de cooperação internacional, atraindo investimentos e ampliando o diálogo entre o setor público e privado.

    Em sua primeira gestão no Conselho Executivo, o ministro priorizou temas como:

    • Expansão de rotas aéreas internacionais;

    • Simplificação de vistos para turistas estrangeiros;

    • Fortalecimento do ecoturismo e do turismo cultural;

    • Digitalização de serviços e promoção internacional do Brasil como destino sustentável.

    A reeleição garante a continuidade dessas políticas e dá ao Brasil uma voz ativa nas discussões sobre o futuro do turismo mundial — especialmente em um momento em que o setor vive uma fase de recuperação sólida e busca se adaptar aos novos padrões de consumo e sustentabilidade.


    Turismo brasileiro em alta e reconhecimento global

    O desempenho recente do turismo brasileiro foi um dos fatores que contribuíram para o sucesso diplomático na ONU Turismo. Em 2025, o Brasil registrou recordes no número de visitantes internacionais e um crescimento expressivo na receita cambial do setor.

    Entre janeiro e setembro de 2025:

    • Mais de 5,8 milhões de turistas estrangeiros visitaram o país, um aumento de 22% em relação a 2024;

    • O setor de serviços turísticos cresceu 7,5% no acumulado do ano;

    • O emprego formal no turismo teve o melhor desempenho da década, com mais de 180 mil novas vagas.

    Esses indicadores reforçam a credibilidade da gestão brasileira e a confiança internacional no modelo de políticas implementado pelo Ministério do Turismo. A ONU Turismo reconhece o Brasil como um exemplo de equilíbrio entre crescimento econômico, responsabilidade ambiental e valorização cultural.


    Apoio à sustentabilidade e à inclusão no turismo global

    Durante a presidência de Celso Sabino, o Conselho da ONU Turismo também vem promovendo debates sobre economia verde, turismo de base comunitária e combate às desigualdades regionais. O Brasil tem defendido uma política de turismo inclusivo, com incentivo à geração de renda em comunidades tradicionais, povos indígenas e áreas de preservação ambiental.

    Esse enfoque sustentável está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que orientam as ações da agência e dos países-membros. A liderança brasileira reforça a importância de conciliar preservação ambiental, inclusão social e inovação tecnológica como pilares de uma nova economia turística global.


    Diplomacia e bastidores da eleição

    A reeleição do Brasil foi definida em votação híbrida, realizada em Riade, capital da Arábia Saudita, com ampla maioria favorável ao país. O ministro Celso Sabino foi representado na cerimônia pela secretária-executiva do Ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, já que o ministro estava em Belém, participando de compromissos oficiais da COP30.

    Nos bastidores diplomáticos, a vitória foi interpretada como um gesto de confiança da comunidade internacional no trabalho desempenhado pelo Brasil e como um sinal de fortalecimento da imagem do país nas instâncias multilaterais. Fontes próximas ao Ministério do Turismo indicam que a negociação envolveu articulações junto a países latino-americanos, africanos e árabes.


    Desafios políticos internos: Sabino e o União Brasil

    Apesar da conquista internacional, o ministro Celso Sabino enfrenta desafios no cenário político doméstico. Ele corre o risco de ser expulso do União Brasil, partido que decidiu deixar a base aliada do governo.

    Mesmo sob ameaça, Sabino reafirmou que permanecerá no cargo e continuará apoiando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mantendo o foco na agenda institucional do turismo. Fontes da pasta indicam que, caso a expulsão se concretize, o ministro pode buscar filiação a outra legenda, mas não pretende deixar o comando do Ministério.

    A situação reforça o contraste entre o prestígio internacional de Sabino e as disputas partidárias que ainda marcam o ambiente político em Brasília.


    Brasil e Arábia Saudita: novos rumos na cooperação internacional

    A presença brasileira na ONU Turismo coincide com o fortalecimento das relações bilaterais com a Arábia Saudita, país que também desempenha papel de destaque no setor global. Na mesma reunião que confirmou a reeleição de Sabino, o órgão elegeu Shaikha Nasser Al Nowais, da Arábia Saudita, como primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral da agência.

    A cooperação entre Brasil e Arábia Saudita deve se intensificar em projetos voltados à infraestrutura turística, investimentos verdes e intercâmbio cultural, ampliando o papel das duas nações na transição para um modelo global de turismo sustentável.


    Impacto estratégico da reeleição na política externa brasileira

    O sucesso diplomático na ONU Turismo reforça a política de reaproximação do Brasil com organismos multilaterais, marca da atual gestão federal. A manutenção da presidência no Conselho Executivo é vista como parte de uma estratégia mais ampla de retomada da projeção internacional do Brasil, não apenas no turismo, mas em áreas como meio ambiente, economia verde e inovação.

    Especialistas apontam que a continuidade de Sabino à frente do Conselho fortalece a imagem do país como voz ativa nas discussões globais sobre desenvolvimento sustentável, com capacidade de articulação técnica e diplomática.


    O futuro do turismo brasileiro

    Com a reeleição na ONU Turismo, o Brasil consolida sua liderança e abre caminho para novos projetos de integração regional e tecnológica. Entre as prioridades para 2026 estão:

    Essas medidas visam consolidar o turismo como um dos pilares do crescimento econômico brasileiro, com potencial para gerar milhões de empregos e atrair investimentos estruturantes.

    Brasil é reeleito para Conselho da ONU Turismo sob Sabino

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Banco Central: R$ 9,7 bi em dinheiro esquecido aguardam resgate


    Banco Central alerta: R$ 9,73 bilhões em dinheiro esquecido aguardam resgate

    O Banco Central (BC) informou que ainda há R$ 9,73 bilhões em dinheiro esquecido nas instituições financeiras do país, referentes a valores não resgatados por pessoas físicas e empresas até setembro de 2025. O montante, que segue disponível no Sistema de Valores a Receber (SVR), representa uma oportunidade para 48,6 milhões de brasileiros e 4,73 milhões de empresas recuperarem recursos esquecidos em contas bancárias, consórcios, cooperativas de crédito e outras instituições.

    O levantamento indica que R$ 7,6 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 2,12 bilhões são de pessoas jurídicas. O Banco Central já devolveu R$ 12,21 bilhões desde a criação do programa, o que reforça o interesse dos cidadãos em recuperar valores retidos ao longo dos anos.


    Dinheiro esquecido: o que é e por que ele existe

    O termo dinheiro esquecido se refere a recursos parados em contas bancárias inativas, consórcios encerrados, tarifas cobradas indevidamente e saldos de instituições financeiras que não foram resgatados pelos clientes.
    Muitos brasileiros sequer sabem que têm direito a valores antigos, deixados por esquecimento após encerramento de contas, devoluções automáticas de tarifas, seguros ou outros serviços bancários.

    O Sistema de Valores a Receber (SVR), criado pelo Banco Central, surgiu justamente para centralizar essas informações e facilitar o processo de consulta e devolução. A ferramenta permite que qualquer cidadão ou empresa verifique se possui valores pendentes e solicite o resgate de forma simples, rápida e segura.


    Quem tem direito ao dinheiro esquecido

    O dinheiro esquecido pode pertencer a pessoas físicas, inclusive falecidas, e pessoas jurídicas. No caso de falecidos, a consulta pode ser feita por herdeiros, inventariantes ou representantes legais, mediante comprovação e assinatura de um termo de responsabilidade no sistema.

    Apenas os titulares ou seus representantes podem solicitar o resgate. É importante destacar que não há prazo limite para recuperar os valores — o Ministério da Fazenda esclareceu que o sistema ficará permanentemente disponível, sem risco de perda dos recursos por decurso de tempo.


    Como consultar o dinheiro esquecido no Banco Central

    O Banco Central alerta que o único canal oficial para consulta e resgate do dinheiro esquecido é o site oficial do Sistema de Valores a Receber (SVR), hospedado nos domínios do próprio BC.

    Para consultar, o passo a passo é o seguinte:

    1. Acesse o sistema do Banco Central;

    2. Faça login com uma conta gov.br de nível prata ou ouro;

    3. Informe CPF (para pessoa física) ou CNPJ (para pessoa jurídica);

    4. Caso haja valores a receber, o sistema mostrará o montante disponível e a instituição responsável;

    5. Selecione a opção de solicitar devolução via PIX.

    O resgate do dinheiro esquecido é feito exclusivamente por meio de transferência via PIX, para a chave cadastrada no sistema. Se o usuário ainda não tiver uma chave PIX vinculada ao CPF, é necessário criá-la antes de solicitar a devolução.

    Em casos em que a instituição financeira não aderiu ao sistema de devolução automática via PIX, o cidadão deverá entrar em contato diretamente com o banco ou cooperativa para combinar a forma de recebimento.


    Dinheiro esquecido de pessoas falecidas: como resgatar

    Os herdeiros legais podem consultar e solicitar o dinheiro esquecido de pessoas falecidas, desde que comprovem vínculo com o titular. É necessário possuir conta gov.br e preencher um termo de responsabilidade digital.

    O procedimento exige:

    • Documento de identidade;

    • CPF do falecido;

    • Documento que comprove a relação (certidão de óbito e inventário, se houver);

    • Informações bancárias para depósito via PIX.

    A devolução é feita pela instituição financeira responsável pelo recurso, e o Banco Central atua apenas como intermediador, fornecendo os dados e a infraestrutura digital do processo.


    Solicitação automática de resgate

    Desde maio de 2025, o Banco Central implementou a função de solicitação automática para facilitar a devolução dos valores esquecidos. Com essa ferramenta, o cidadão pode autorizar o sistema a realizar o pedido de forma automática sempre que houver novos valores disponíveis em seu nome.

    Essa opção é exclusiva para pessoas físicas e só funciona para quem possui chave PIX do tipo CPF cadastrada.

    Com a solicitação automática ativada, o usuário não precisa acessar o sistema periodicamente — os valores serão transferidos diretamente pela instituição responsável assim que liberados. O BC não envia alertas nem mensagens: o crédito é feito automaticamente na conta associada à chave PIX.


    Segurança reforçada contra fraudes

    Com o aumento das consultas e tentativas de golpes, o Banco Central reforçou a segurança do Sistema de Valores a Receber. Desde fevereiro, o acesso ao sistema requer dupla verificação de segurança, além do login pela conta gov.br.

    As medidas incluem:

    • Autenticação em duas etapas;

    • Reconhecimento facial obrigatório no aplicativo gov.br;

    • Geração de código de acesso temporário;

    • Bloqueio de tentativas suspeitas de login.

    Essas medidas têm como objetivo evitar fraudes, phishing e sites falsos, garantindo que apenas o verdadeiro titular tenha acesso aos seus valores esquecidos.

    O BC alerta que não envia links por e-mail, SMS ou WhatsApp. Toda consulta deve ser feita diretamente no site oficial, para evitar roubo de dados pessoais ou bancários.


    Como funciona o sistema do Banco Central

    O Sistema de Valores a Receber (SVR) foi criado em 2022 e reestruturado em 2023 para oferecer mais transparência e praticidade. Ele centraliza informações de todas as instituições financeiras participantes e indica, em tempo real, se há dinheiro esquecido disponível.

    Entre as origens mais comuns dos valores estão:

    • Contas correntes e poupanças encerradas com saldo positivo;

    • Tarifas bancárias cobradas indevidamente;

    • Cotas de consórcios extintos;

    • Recursos de cooperativas de crédito;

    • Restituições não sacadas;

    • Encerramentos de contas de pagamento.

    A adesão das instituições ao sistema é obrigatória, e os dados são atualizados periodicamente pelo Banco Central com base nas informações fornecidas pelas próprias empresas financeiras.


    Resultados do programa e balanço atualizado

    Desde o lançamento do Sistema de Valores a Receber, em 2022, mais de R$ 12,21 bilhões já foram devolvidos a cidadãos e empresas. Apesar do sucesso do programa, ainda restam R$ 9,73 bilhões não resgatados — o que mostra o potencial de alcance da iniciativa.

    O Banco Central destaca que a maioria das devoluções ocorre em valores baixos, mas há casos de grandes montantes, especialmente de empresas e contas antigas de consórcios. O sistema também tem contribuído para aumentar a educação financeira da população, incentivando a revisão de cadastros bancários e o uso consciente de produtos financeiros.


    Por que muitas pessoas ainda não resgataram o dinheiro esquecido

    Mesmo com ampla divulgação, milhões de brasileiros ainda não buscaram seus recursos. Entre os principais motivos estão:

    O BC mantém campanhas educativas para ampliar o acesso e reforçar a confiança no processo. Segundo o órgão, todos os valores são segurados, legítimos e garantidos pelas instituições financeiras.


    Educação financeira e impacto econômico

    O dinheiro esquecido tem relevância não apenas individual, mas também macroeconômica. A devolução desses valores movimenta o consumo e injeta liquidez na economia, beneficiando pequenos negócios e famílias de baixa renda.

    Além disso, o Sistema de Valores a Receber estimula a consciência financeira, ao mostrar aos cidadãos a importância de acompanhar suas contas, evitar esquecimentos e manter atualizados os dados bancários.

    Economistas avaliam que o programa cumpre papel social importante, pois resgata valores que poderiam permanecer ociosos, transformando-os em recursos ativos que retornam à economia real.


    Como evitar deixar dinheiro esquecido novamente

    O Banco Central recomenda boas práticas para evitar novos esquecimentos:

    1. Encerrar contas corretamente, garantindo o saque de saldos remanescentes;

    2. Manter registros bancários organizados, com anotações de contas e consórcios ativos;

    3. Cadastrar chave PIX com CPF, facilitando transferências automáticas;

    4. Acessar o sistema SVR periodicamente;

    5. Ativar a solicitação automática para simplificar futuros resgates.

    Seguindo essas orientações, o consumidor reduz o risco de deixar recursos esquecidos e garante maior controle financeiro.


    Bilhões ainda aguardam resgate

    Com R$ 9,73 bilhões em dinheiro esquecido disponíveis, o Banco Central reforça o alerta: milhões de brasileiros e empresas ainda podem ter valores a receber. O acesso é gratuito, seguro e totalmente digital, bastando utilizar o sistema oficial com conta gov.br e chave PIX.

    A orientação é clara: evite sites falsos, verifique seus dados e resgate o que é seu por direito. Cada centavo pode fazer diferença no orçamento — e o sistema foi criado justamente para garantir que o cidadão não perca seus recursos.

    Banco Central: R$ 9,7 bi em dinheiro esquecido aguardam resgate

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Dólar hoje: BTG prevê queda e suporte técnico em R$ 5,02


    Dólar hoje: BTG Pactual prevê queda e aponta suporte técnico próximo de R$ 5

    O dólar hoje voltou a registrar recuo expressivo, mantendo a tendência de baixa observada nas últimas semanas. Segundo análise técnica do BTG Pactual, divulgada nesta terça-feira (11), a moeda norte-americana pode continuar caindo e se aproximar da marca de R$ 5,00, em meio ao fortalecimento do real e à melhora do apetite global por risco.

    O relatório da instituição financeira indica que o dólar encerrou a última semana com queda de 0,8%, consolidando o quarto recuo consecutivo. O movimento confirma uma tendência de valorização do real e reforça o cenário de pressão vendedora no mercado de câmbio.


    Tendência de baixa: dólar acumula quatro semanas seguidas de queda

    De acordo com os analistas do BTG Pactual, o dólar segue pressionado por fatores técnicos e macroeconômicos. No gráfico semanal, o rompimento de importantes suportes técnicos intensificou a trajetória de queda da moeda. O estudo destaca que a média móvel de 200 semanas — importante indicador de longo prazo — foi atingida em R$ 5,27, e a superação desse nível pode abrir espaço para novas quedas.

    O banco identificou uma formação técnica de ombro-cabeça-ombro (OCO) entre julho de 2024 e outubro de 2025, figura que tradicionalmente sinaliza reversão de tendência. Essa estrutura gráfica sugere que o dólar pode continuar perdendo força frente ao real nos próximos meses.


    Análise técnica: próximos suportes e resistências do dólar

    O relatório do BTG aponta que a tendência de baixa está confirmada tanto no curto quanto no médio prazo. Os analistas projetam novos suportes nas regiões de R$ 5,12 e R$ 5,02, níveis que podem ser testados caso o movimento vendedor se intensifique.

    Por outro lado, as principais resistências estão posicionadas em R$ 5,40 (topo de novembro) e R$ 5,50 (topo de outubro). Um rompimento consistente acima dessas faixas poderia indicar uma correção técnica, mas o cenário dominante continua sendo de enfraquecimento da moeda norte-americana.

    Outro fator relevante é o cruzamento de baixa entre as médias móveis de 21 e 50 dias, indicando que a pressão vendedora deve persistir. O comportamento do price action — movimento dos preços no gráfico — mostra fechamentos próximos das mínimas e aumento da volatilidade nos dias de queda, sinal clássico de domínio dos vendedores no mercado cambial.


    Cenário externo: DXY perde força e influencia o real

    O Dollar Index (DXY), que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas globais, também apresenta sinais de fraqueza. O índice tenta romper a faixa de resistência entre 100,00 e 100,50 pontos, mas encontra barreiras técnicas importantes.

    O BTG observa que, embora o DXY tenha formado um cruzamento de alta entre as médias de 21 e 50 dias, a resistência na média móvel de 200 dias (100,25 pontos) tem limitado o avanço. Os suportes do índice estão em 98,45 e 96,70 pontos, patamares que, se rompidos, confirmariam o retorno à tendência de baixa de médio prazo.

    Essa desaceleração do dólar no cenário global tende a beneficiar moedas emergentes, como o real brasileiro, que tem se destacado entre as divisas de melhor desempenho de 2025.


    O papel do real e dos juros na trajetória do câmbio

    O real tem se valorizado nas últimas semanas, impulsionado por fatores técnicos e por um ambiente de maior entrada de capital estrangeiro. Investidores internacionais têm ampliado a exposição a ativos brasileiros diante da queda dos juros nos Estados Unidos e da expectativa de cortes na Selic a partir de 2026.

    Com o real mais forte, o câmbio brasileiro se consolida em um novo patamar de equilíbrio, próximo de R$ 5,20, podendo testar níveis ainda mais baixos conforme o fluxo externo se intensifique.

    De acordo com economistas, o movimento reflete a combinação entre diminuição do diferencial de juros entre Brasil e EUA, ajuste nas expectativas fiscais e o maior interesse por ativos de países emergentes.


    Tendência global: dólar perde força frente a outras moedas

    Além da relação com o real, o dólar vem mostrando comportamento misto em relação a outras divisas importantes.

    • Euro: mantém tendência de alta no médio prazo, mas enfrenta sinais de fraqueza no curto prazo. O principal suporte técnico está em 1,1355, enquanto a superação de 1,1670 pode reativar o movimento de valorização da moeda europeia.

    • Iene japonês: apresenta estrutura altista, após a ativação de um triângulo ascendente. O rompimento do topo em 150,00 reforçou o viés de alta, com resistência projetada em 156,80.

    Esses movimentos demonstram que o dólar está perdendo força relativa frente a moedas de países desenvolvidos, o que reforça a tendência global de enfraquecimento da moeda americana no curto e médio prazo.


    BTG Pactual: dólar pode buscar R$ 5,02 em breve

    O BTG Pactual mantém projeção otimista para o real, com viés de baixa para o dólar nos próximos meses. A instituição destaca que, caso o suporte em R$ 5,27 seja definitivamente rompido, os próximos alvos técnicos são R$ 5,12 e R$ 5,02, níveis que podem ser alcançados ainda neste trimestre.

    Essa análise está alinhada a um cenário internacional de queda dos rendimentos dos títulos norte-americanos, menor pressão inflacionária global e crescimento mais sólido nos países emergentes, fatores que favorecem a valorização das moedas locais.


    Fatores que podem influenciar o câmbio nas próximas semanas

    Além dos indicadores técnicos, o comportamento do dólar hoje também depende de uma série de fatores econômicos e geopolíticos. Entre eles, destacam-se:

    1. Decisões do Federal Reserve (Fed) sobre juros nos EUA;

    2. Fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes;

    3. Política fiscal brasileira e evolução do déficit público;

    4. Desempenho das commodities, como petróleo e minério de ferro;

    5. Cenário político interno, com impacto sobre o risco-país.

    Se esses fatores permanecerem favoráveis, o dólar tende a buscar patamares próximos de R$ 5, especialmente diante do fortalecimento do real e do ambiente de menor aversão ao risco global.


    Como investidores podem se posicionar

    Para os investidores, o atual cenário representa oportunidades e desafios. A queda do dólar beneficia quem pretende viajar ao exterior, importar produtos ou diversificar investimentos internacionais.

    Por outro lado, para quem tem exposição cambial ou aplicações atreladas à moeda norte-americana, é fundamental adotar uma estratégia de proteção (hedge) e monitorar os pontos técnicos destacados pelo BTG.

    Especialistas sugerem acompanhar:

    • A média móvel de 200 semanas (R$ 5,27);

    • Os suportes em R$ 5,12 e R$ 5,02;

    • E as resistências em R$ 5,40 e R$ 5,50.

    Esses níveis ajudam a entender os movimentos de curto prazo e identificar oportunidades tanto para proteção quanto para ganhos em operações cambiais.


    Perspectivas para o final de 2025

    O consenso de mercado indica que o dólar deve se estabilizar entre R$ 5,00 e R$ 5,20 até o fim de 2025. O movimento é impulsionado pelo cenário global de queda dos juros, pela melhora na percepção de risco do Brasil e pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros na bolsa e no setor produtivo.

    Se confirmado, o novo patamar consolidará o real como uma das moedas emergentes mais fortes do mundo, superando o desempenho de pares latino-americanos, como o peso chileno e o peso argentino.

    Dólar hoje: BTG prevê queda e suporte técnico em R$ 5,02

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • IPC-Fipe surpreende e aponta freio inesperado na inflação de novembro


    IPC-Fipe sobe 0,24% na 1ª quadrissemana de novembro e indica inflação moderada em São Paulo

    O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe), que mede a variação de preços na cidade de São Paulo, avançou 0,24% na primeira quadrissemana de novembro de 2025, após alta de 0,27% em outubro. O resultado confirma uma trajetória de desaceleração da inflação na capital paulista, especialmente nos grupos de Habitação, Alimentação e Saúde, que apresentaram alívio de preços neste início de mês.

    Mesmo com a leve moderação, o índice geral segue positivo, sustentado por aumentos em Transportes, Despesas Pessoais e Vestuário — segmentos que continuam pressionando o custo de vida do paulistano.

    A tendência indica que a inflação urbana permanece sob controle, embora os preços de serviços e despesas cotidianas ainda avancem acima da média do período.


    Composição do IPC-Fipe: o que mais influenciou a alta de 0,24%

    A variação do IPC-Fipe é resultado do comportamento de sete grupos de consumo que refletem o cotidiano das famílias paulistanas. Em novembro, três grupos desaceleraram e quatro apresentaram aceleração no ritmo de alta de preços.

    Grupos em desaceleração

    • Habitação: de 0,22% em outubro para 0,06% na primeira quadrissemana de novembro.

    • Alimentação: de 0,38% para 0,23%.

    • Saúde: de 0,37% para 0,20%.

    Esses segmentos, que juntos representam uma parcela expressiva da cesta de consumo, contribuíram para reduzir a pressão inflacionária do mês.

    Grupos em aceleração

    • Transportes: de 0,32% para 0,43%.

    • Despesas Pessoais: de 0,26% para 0,53%.

    • Vestuário: de 0,10% para 0,20%.

    • Educação: de 0,03% para 0,05%.

    Entre os componentes, o grupo de Despesas Pessoais teve o maior avanço, impulsionado por serviços pessoais e recreativos, refletindo a demanda aquecida de fim de ano. Já Transportes manteve alta por conta de ajustes nos combustíveis e tarifas urbanas, que continuam sensíveis à variação do petróleo e à política de preços das refinarias.


    Alimentação perde força e ajuda a conter o IPC-Fipe

    O grupo de Alimentação, que tem peso relevante no IPC-Fipe, foi determinante para o resultado mais brando da inflação. Com a colheita de produtos agrícolas e o recuo nos preços de hortifrutis e proteínas, o setor apresentou desaceleração para 0,23%, após avanço de 0,38% no mês anterior.

    A tendência de estabilidade dos alimentos também reflete o maior equilíbrio entre oferta e demanda no atacado e varejo paulistano. Produtos como frutas, legumes e grãos registraram queda de preços, enquanto laticínios e carnes tiveram leves aumentos, compensados pela deflação em outros itens da cesta básica.

    Para as famílias de baixa renda, o comportamento mais moderado dos alimentos representa alívio imediato no orçamento doméstico, especialmente em um contexto de juros ainda elevados e renda comprimida.


    Habitação tem leve alta com foco em energia e condomínio

    O grupo de Habitação, com variação de 0,06%, foi um dos principais responsáveis por frear o IPC-Fipe. O resultado reflete a estabilidade das tarifas de energia elétrica, após meses de reajustes pontuais, e o comportamento moderado dos aluguéis residenciais.

    Por outro lado, taxas condominiais e serviços de manutenção predial apresentaram aumento pontual, mantendo o grupo em terreno positivo, ainda que com ritmo reduzido. O cenário indica maior equilíbrio nos custos de moradia, importante componente do custo de vida urbano.


    Saúde desacelera com estabilidade nos medicamentos

    O setor de Saúde também ajudou a conter o IPC-Fipe, com variação de 0,20% — uma redução significativa em relação aos 0,37% de outubro. A queda decorre da estabilidade nos preços de medicamentos e da menor pressão em planos de saúde, após meses de reajustes e negociações com operadoras.

    Essa desaceleração tende a se manter nas próximas leituras, considerando a redução da demanda por consultas e exames eletivos no fim do ano e o recuo de custos hospitalares em alguns segmentos.


    Despesas pessoais e transportes mantêm pressão sobre o índice

    Enquanto os grupos básicos perderam fôlego, Despesas Pessoais e Transportes foram os principais vetores de alta do IPC-Fipe.

    No caso das Despesas Pessoais, a variação de 0,53% reflete o aumento de preços em serviços de estética, lazer e cuidados pessoais, impulsionados pela proximidade das festas de fim de ano. Já Transportes, com alta de 0,43%, foi impactado pelos ajustes no preço dos combustíveis, especialmente gasolina e etanol, além de reajustes em aplicativos de mobilidade e passagens urbanas.

    Esses movimentos mostram que, embora a inflação de bens esteja controlada, os serviços seguem em trajetória de alta, influenciados por demanda aquecida e custos de mão de obra.


    Vestuário e educação têm leve avanço

    Os grupos de Vestuário (0,20%) e Educação (0,05%) tiveram impacto marginal sobre o resultado geral do IPC-Fipe, mas reforçam uma tendência de retomada gradual.

    No caso do Vestuário, o aumento reflete o início da coleção de verão e recomposição de margens no varejo. Já o grupo de Educação manteve variação modesta, concentrada em cursos livres e idiomas, antes dos reajustes mais expressivos esperados para janeiro, com a volta às aulas.


    IPC-Fipe de novembro: composição detalhada

    Grupo Variação (%) – 1ª quadrissemana de novembro
    Habitação 0,06%
    Alimentação 0,23%
    Transportes 0,43%
    Despesas Pessoais 0,53%
    Saúde 0,20%
    Vestuário 0,20%
    Educação 0,05%
    Índice Geral 0,24%

    O levantamento confirma que os preços seguem sob controle, mas a inflação de serviços e transportes ainda impede uma desaceleração mais ampla.


    Análise econômica: trajetória de inflação moderada

    A leitura do IPC-Fipe de novembro reforça o cenário de inflação estável e controlada em São Paulo, mesmo com oscilações pontuais em alguns setores. A variação de 0,24% sugere que a tendência desinflacionária se mantém, amparada pelo recuo dos alimentos e moderação em habitação e saúde.

    Economistas projetam que o índice pode fechar o mês entre 0,22% e 0,28%, dependendo do comportamento dos combustíveis e da demanda por serviços. O indicador também serve de termômetro para as decisões de política monetária, já que antecipa a dinâmica de preços ao consumidor no maior centro urbano do país.


    Perspectivas para o IPC-Fipe em dezembro

    Para o último mês do ano, a expectativa é de pressão pontual nos serviços e transporte, impulsionada pela demanda de fim de ano e pelo aquecimento do comércio e turismo. Em contrapartida, a oferta agrícola favorável e a estabilidade tarifária devem limitar a alta do índice.

    a projeção média das consultorias aponta para um avanço próximo de 0,25% em dezembro, mantendo a inflação acumulada de 2025 abaixo de 5%, o que reforça a perspectiva de estabilidade de preços e confiança no controle monetário.


    Importância do IPC-Fipe para a economia brasileira

    O IPC-Fipe é um dos principais indicadores de inflação do país, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ligada à USP. Ele mede o custo de vida das famílias com renda de 1 a 10 salários mínimos na cidade de São Paulo, servindo como referência para reajustes salariais, contratos de aluguel e decisões econômicas.

    A estabilidade observada no índice indica equilíbrio entre oferta e demanda e reforça o ambiente de preços previsíveis, essencial para o planejamento de empresas e famílias. O comportamento do IPC-Fipe também influencia as expectativas sobre o IPCA, índice oficial do país, divulgado pelo IBGE.

    O avanço de 0,24% no IPC-Fipe na primeira quadrissemana de novembro confirma que a inflação paulistana segue sob controle, mesmo com pressões localizadas em serviços e transportes. O comportamento dos preços reforça o cenário de estabilidade econômica e mantém o Brasil em trajetória de inflação convergente, condição essencial para sustentar o corte gradual da taxa Selic e estimular a atividade econômica em 2026.

    IPC-Fipe surpreende e aponta freio inesperado na inflação de novembro

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Como bloquear chaves PIX no Registrato: passo a passo, quando usar e por que isso aumenta sua segurança


    Banco Central libera ferramenta para bloquear chaves PIX e reforça a segurança contra fraudes

    O Banco Central (BC) anunciou uma novidade que promete elevar o padrão de proteção de quem usa pagamentos instantâneos no país: a possibilidade de bloquear chaves PIX preventivamente no seu nome. A partir de dezembro, qualquer pessoa física ou jurídica poderá acionar, pelo Registrato, um mecanismo que impede que terceiros criem novos identificadores vinculados ao seu CPF ou CNPJ sem autorização. A medida responde ao aumento de tentativas de golpes e se soma a um conjunto de ações recentes de monitoramento, marcação e exclusão de chaves suspeitas.

    Além de simples de ativar e reverter, o recurso será gratuito e integra o esforço do BC para consolidar uma camada adicional de defesa no ecossistema do PIX — hoje, o meio de pagamento mais popular do país. Para o usuário final, o benefício é duplo: bloquear chaves PIX reduz a superfície de ataque dos criminosos e centraliza o controle em uma plataforma oficial, o Registrato, já conhecida por oferecer relatórios de contas, empréstimos e movimentações cambiais.


    O que muda com a possibilidade de bloquear chaves PIX

    A principal mudança é a autonomia do cidadão para bloquear chaves PIX antes mesmo que tentativas de fraude aconteçam. Hoje, criminosos podem tentar registrar chaves em nome de terceiros para confundir pagadores, capturar valores por engano ou facilitar a abertura de contas de fachada. Com o novo bloqueio:

    • Você indica ao sistema do BC que não autoriza a criação de novas chaves no seu CPF/CNPJ;

    • Seus identificadores já existentes continuam operando normalmente;

    • Caso precise registrar mais uma chave no futuro, basta desativar temporariamente o bloqueio, criar a chave e reativar a proteção.

    Na prática, bloquear chaves PIX funciona como uma “trava mestra”: o que já existe segue ativo; o que ainda não existe não poderá ser criado sem sua anuência. A lógica é similar ao serviço de prevenção à abertura de novas contas — disponível no próprio Registrato —, agora adequado ao universo do PIX.


    Por que bloquear chaves PIX reforça a sua segurança

    Golpistas se aproveitam de janelas de descuido para registrar chaves fraudulentas, multiplicar perfis de recebimento e criar confusão em transações P2P (pessoa para pessoa) e P2B (pessoa para empresa). Ao bloquear chaves PIX, você:

    1. Reduz a chance de falsidade ideológica no sistema: novas chaves no seu nome ficam bloqueadas por padrão.

    2. Evita armadilhas com homônimos e e-mails semelhantes: o registro indevido vira uma barreira difícil de superar para criminosos.

    3. Mantém governança do seu cadastro: tudo é gerido em ambiente oficial do BC, com histórico e rastreabilidade.

    4. Ganha tempo para agir: com o bloqueio ativo, qualquer tentativa de ampliar a fraude por novas chaves é neutralizada na origem.

    Essa camada extra se soma a outros instrumentos de proteção já adotados: marcação de chaves suspeitas por instituições participantes, rotinas de bloqueio cautelar em transações, botão de contestação nos apps bancários e fluxos padronizados de devolução em caso de golpe comprovado. Em conjunto, as medidas criam um ecossistema mais resiliente — e bloquear chaves PIX passa a ser mais um passo simples e eficaz ao alcance do usuário.


    Passo a passo: como bloquear chaves PIX no Registrato

    A funcionalidade estará disponível em dezembro. O caminho esperado é o seguinte:

    1. Acesse o Registrato (plataforma oficial do BC) com sua conta Gov.br.

    2. No menu de serviços, entre no módulo de PIX e procure a opção “Bloqueio de criação de novas chaves”.

    3. Ative o bloqueio para seu CPF (pessoa física) ou CNPJ (pessoa jurídica).

    4. Confirme a solicitação e salve o protocolo.

    5. Precisa registrar uma chave? Desative temporariamente, crie a nova chave no seu banco/fintech, volte ao Registrato e reative o bloqueio.

    O processo foi desenhado para ser rápido, intuitivo e com o menor atrito possível. Em outras palavras: você consegue bloquear chaves PIX em minutos, sem depender de atendimento humano ou idas à agência.


    Quem deve ativar o bloqueio preventivo

    Qualquer usuário pode se beneficiar, mas o ganho é ainda maior para perfis de risco:

    • Profissionais expostos (influenciadores, executivos, comerciantes): tornam-se alvos mais frequentes de engenharia social.

    • Empresas com alto volume de recebimentos: a possibilidade de confusão com chaves “parecidas” é explorada por golpistas.

    • Pessoas que já sofreram tentativa de fraude: bloquear chaves PIX ajuda a estancar novas investidas.

    • Idosos e públicos vulneráveis: a trava preventiva reduz a chance de registros indevidos por terceiros mal-intencionados.

    Em todos os casos, bloquear chaves PIX não altera o funcionamento dos identificadores que você já usa — e o desbloqueio temporário é uma etapa simples quando necessário.


    Melhores práticas para combinar com o bloqueio

    Para elevar sua proteção, adote rotinas complementares:


    Dúvidas frequentes sobre bloquear chaves PIX

    Bloquear chaves PIX cancela as chaves que já tenho?
    Não. O bloqueio impede apenas a criação de novas chaves. As atuais continuam funcionando.

    Posso reverter o bloqueio quando precisar?
    Sim. O processo é reversível a qualquer momento no Registrato. Crie a nova chave e reative o bloqueio em seguida.

    Pessoa jurídica também consegue bloquear chaves PIX?
    Sim. Empresas podem habilitar o bloqueio para o CNPJ e gerenciar o cadastro com o mesmo nível de controle.

    Se eu esquecer o bloqueio ativado, perco pagamentos?
    Não. O recebimento via chaves já existentes segue normal. O bloqueio só afeta novos registros.

    O bloqueio substitui outras medidas de segurança?
    Não. Ele complementa marcações antifraude, bloqueios cautelares e contestação de transações. A defesa é por camadas.


    Como bloquear chaves PIX impacta as empresas

    No ambiente corporativo, o cadastro de chaves é parte crítica da jornada de cobrança, reconciliação e antifraude. Ao bloquear chaves PIX, o CNPJ:

    Para grupos com múltiplas filiais, vale definir uma política de chaves por unidade, registrar somente o necessário e bloquear chaves PIX no CNPJ raiz ou nos CNPJs das controladas, conforme a necessidade de operação.


    O que observar ao desativar temporariamente o bloqueio

    Em algum momento você pode querer incluir uma nova chave. Antes de desativar:

    1. Planeje qual chave criará (telefone, e-mail, aleatória, CPF/CNPJ).

    2. Escolha a instituição e confira se a chave não está em uso em outro banco seu.

    3. Crie a chave imediatamente após a desativação para reduzir a janela de exposição.

    4. Reative o bloqueio no Registrato assim que concluir o processo.

    Com esse ritual, bloquear chaves PIX continua sendo sua linha de defesa padrão, e a exceção fica restrita a poucos minutos.


    Casos típicos de golpe que o bloqueio ajuda a evitar


    PIX mais seguro: o papel do usuário na proteção do ecossistema

    A prevenção começa no comportamento. O BC amplia barreiras sistêmicas, mas cabe a cada cidadão:

    • Verificar a chave do recebedor antes de enviar;

    • Desconfiar de urgências e pedidos de “teste de PIX”;

    • Ativar e manter o bloqueio preventivo;

    • Atualizar cadastros e manter o hábito de revisão no Registrato.

    Com essas rotinas, bloquear chaves PIX deixa de ser só uma novidade e vira um hábito de higiene digital — tão essencial quanto usar autenticação em duas etapas.


    Checklist rápido para ativar e manter o bloqueio

    Cumprido esse checklist, você transforma o ato de bloquear chaves PIX em rotina de segurança contínua.


    Intertítulos sugeridos para leitura escaneável


    Por que ativar hoje o seu bloquear chaves PIX

    O PIX tornou pagamentos mais simples, mas a simplicidade também atrai golpistas criativos. Ter à disposição um freio preventivo — e fácil de usar — coloca o usuário de volta no controle do próprio cadastro. Bloquear chaves PIX não é exagero: é uma medida proporcional ao tamanho da sua exposição digital. Para quem opera no varejo, para quem recebe por serviços, para famílias e para empresas, a recomendação é a mesma: ative o bloqueio, mantenha suas chaves organizadas e trate a liberação temporária como exceção.

    Segurança eficaz é a soma de pequenas rotinas bem executadas. E, entre elas, bloquear chaves PIX passa a ser uma das mais importantes.

    Como bloquear chaves PIX no Registrato: passo a passo, quando usar e por que isso aumenta sua segurança

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia

  • Investidores migram para FIDCs: novo líder da captação em 2025


    FIDCs lideram captação e superam investimentos tradicionais em 2025

    Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) se consolidaram como um dos instrumentos financeiros mais atrativos do mercado brasileiro em 2025. Pela primeira vez na história, esses fundos superaram produtos tradicionais, como renda fixa e multimercados, e lideraram a captação de recursos na indústria de fundos, acumulando R$ 81,2 bilhões em aportes nos últimos 12 meses.

    Com o aumento da busca por rendimentos acima do CDI e alternativas à renda fixa, os FIDCs vêm atraindo tanto investidores institucionais quanto o público de alta renda. O avanço do setor é explicado pela flexibilidade das operações de crédito, que permitem transformar recebíveis em liquidez imediata para empresas, além de gerar rentabilidade superior para quem aplica.


    O que são FIDCs e como funcionam

    Os FIDCs são fundos que compram direitos creditórios — valores que empresas têm a receber no futuro — e os transformam em títulos negociáveis. Na prática, eles convertem dívidas em oportunidades de investimento.

    Imagine uma faculdade particular que precisa de caixa para pagar professores e reformar suas instalações. Em vez de recorrer a empréstimos bancários, ela pode vender os recebíveis das mensalidades futuras a um fundo de investimento, recebendo o dinheiro antecipadamente. O fundo, por sua vez, repassa esses valores aos investidores, que lucram com os juros embutidos nessa operação.

    Esses fundos existem desde o início dos anos 2000, mas ganharam novo fôlego após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) liberar, em 2023, o acesso parcial desses produtos ao investidor de varejo. A decisão abriu caminho para uma nova fase da democratização dos FIDCs no Brasil.


    FIDCs: o motor da nova captação no mercado financeiro

    De acordo com dados da Anbima, os FIDCs captaram R$ 81,2 bilhões em 12 meses, ultrapassando todas as demais categorias de fundos. O patrimônio total do segmento atingiu R$ 732 bilhões, equivalente a 7% da indústria de fundos brasileira.

    Embora ainda distante dos fundos de renda fixa, que somam R$ 4,3 trilhões, os FIDCs já superam os fundos de ações (R$ 642 bilhões) e se aproximam rapidamente dos multimercados (R$ 1,6 trilhão). O movimento reforça a mudança de comportamento dos investidores, que buscam retornos mais elevados e diversificação em meio ao cenário de juros altos.

    A estrutura dos FIDCs, baseada na compra de recebíveis e na distribuição de cotas, tem se mostrado eficiente para companhias que precisam antecipar fluxos de caixa e para investidores que desejam acesso a retornos diferenciados em operações estruturadas.


    A estrutura de cotas e o grau de risco

    O FIDC é dividido em cotas seniores e subordinadas, com diferentes níveis de risco e rentabilidade.

    Essa estrutura permite equilibrar o retorno entre investidores com perfis distintos. A CVM autorizou que apenas as cotas seniores sejam acessíveis ao investidor de varejo, limitando o risco e protegendo o pequeno aplicador.

    Segundo dados de mercado, menos de 5% dos FIDCs possuem mais de 500 cotistas, o que reforça o caráter ainda restrito desses fundos. No entanto, o avanço dos fundos de fundos (FOFs) — veículos que investem em cotas de outros FIDCs — deve ampliar significativamente o alcance entre investidores de perfil moderado.


    O papel dos FIDCs no financiamento empresarial

    Os FIDCs se tornaram uma alternativa importante ao crédito bancário, especialmente para empresas de médio porte e instituições de ensino, varejo e construção civil, que buscam liquidez para financiar suas operações.

    essa modalidade permite que companhias antecipem receitas futuras e reduzam sua dependência de bancos, ao mesmo tempo em que oferece rentabilidade superior aos investidores. Trata-se de um mecanismo de intermediação financeira descentralizada, que estimula o crescimento econômico e amplia o acesso ao crédito privado no país.

    Atualmente, existem mais de 8 milhões de CNPJs negativados no Brasil, de acordo com dados da Serasa. Nesse contexto, os FIDCs cumprem um papel essencial ao fornecer recursos para empresas com dificuldade de crédito bancário tradicional, permitindo a manutenção de atividades e empregos.


    A ascensão do investidor de alta renda e a chegada ao varejo

    Até 2023, os FIDCs eram acessíveis apenas a investidores qualificados — com patrimônio superior a R$ 1 milhão — ou a institucionais. A recente abertura do mercado ampliou o potencial de expansão, embora ainda em estágio inicial.

    Segundo gestores, a entrada do varejo ocorrerá gradualmente, impulsionada pela criação de fundos híbridos e carteiras diversificadas que reduzem o risco individual das operações.

    Ricardo Binelli, sócio da Solis Investimentos, explica que os fundos de fundos de FIDCs representam a nova fronteira do mercado. Essa estrutura permite a pulverização dos riscos, já que o investidor aplica em uma cesta de diferentes FIDCs e não depende do desempenho de uma única operação.


    Riscos e desafios dos FIDCs

    Apesar da segurança adicional das cotas seniores, os FIDCs ainda são produtos complexos e de maior risco em relação à renda fixa tradicional. O principal perigo está na inadimplência dos recebíveis e na qualidade do crédito das empresas envolvidas.

    Um exemplo são os FIDCs baseados em precatórios, títulos que representam dívidas do governo com pessoas físicas ou jurídicas. Embora ofereçam retornos altos, esses papéis carregam riscos significativos, já que o pagamento pode demorar anos — ou até não ocorrer — dependendo da situação fiscal dos entes públicos.

    Para especialistas como José Eduardo Barbosa, diretor da Multiplica Crédito & Investimento, o investidor precisa compreender que o risco de crédito e a liquidez limitada fazem parte da natureza desses fundos. Eles exigem análise técnica e acompanhamento constante, o que os torna inadequados para quem busca simplicidade ou resgate rápido.


    Retornos acima do CDI e cenário de juros altos

    Os FIDCs atraem investidores justamente por oferecerem rendimentos superiores ao CDI, referência do mercado de renda fixa. Em alguns casos, é possível encontrar fundos com retorno de 126% do CDI, o que representa um prêmio anual de 4% sobre a taxa básica.

    No entanto, em um ambiente de juros elevados, pequenas empresas — principais emissoras dos recebíveis — enfrentam dificuldades financeiras, o que aumenta o risco de inadimplência. Ainda assim, as cotas subordinadas, que servem de proteção, permanecem sólidas e garantem a estabilidade dos fundos mais bem estruturados.


    FIDCs como tendência de longo prazo

    A consolidação dos FIDCs representa uma mudança estrutural no mercado financeiro brasileiro. O crescimento constante desse tipo de fundo indica uma maturidade maior do sistema de crédito privado e a busca dos investidores por diversificação com retorno real acima da inflação.

    Especialistas acreditam que, nos próximos anos, os FIDCs ganharão ainda mais relevância, impulsionados pela inovação regulatória da CVM, pela expansão dos fundos de fundos e pelo avanço das plataformas digitais, que permitem acesso simplificado a produtos antes restritos ao público institucional.


    FIDCs ganham protagonismo e se tornam nova fronteira de investimento

    Com captação recorde, FIDCs deixam de ser uma opção de nicho e passam a ocupar posição central na indústria de fundos. O desempenho expressivo de 2025 mostra que os investidores estão em busca de alternativas à renda fixa tradicional, dispostos a correr um pouco mais de risco em troca de rentabilidade superior.

    A tendência é que esses fundos continuem ganhando espaço nos próximos anos, consolidando-se como uma das principais ferramentas de financiamento corporativo e diversificação de portfólio no mercado brasileiro.

    Investidores migram para FIDCs: novo líder da captação em 2025

    Fonte: Gazeta Mercantil – Economia